Game of Thrones

Game of Thrones: Desilusão ou Final Épico?

A oitava e última temporada de “Game of Thrones” tem gerado revolta e discórdia entre os fãs. A dois episódios do fim, procurámos identificar as causas deste fenómeno, tentando perceber se a série da HBO vai desiludir ou deixar-nos uma última impressão poderosa.

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Introdução.

Game of Thrones - Kings Landing
Game of Thrones

A espera foi longa e a temporada é curta. “Game of Thrones” regressou à programação da HBO Portugal e do Syfy no passado dia 15 de abril e, desde então, a Internet nunca mais foi a mesma. Autêntica série-evento, a adaptação da autoria de David Benioff e D. B. Weiss tem batido recordes positivos e negativos. Gerado memes como nunca antes. Surpreendido e chocado como só GoT consegue. Dividido os fãs. Inspirado queixas. Motivado algumas teorias. E destruído muitas mais.

Este artigo propõe-se a encontrar e sistematizar argumentos e factos que expliquem a angústia ou frustração dos espectadores, defendendo os autores naquilo em que merecem ser defendidos, e procurando perceber por fim o que nos pode dar “Game of Thrones” nos 2 episódios que faltam. Pela desconstrução que será feita de vários aspetos dos episódios “Winterfell”, “A Knight of the Seven Kingdoms”, “The Long Night” e “The Last of the Starks”, aconselha-se quem ainda não viu o 4º episódio da oitava temporada a não seguir em frente face à existência de SPOILERS.

O final do maior fenómeno televisivo dos nossos tempos estava destinado a não agradar a todos. Mas poucos pensariam que a cotação da série cairia a pique em duas semanas/ dois episódios, colocando um gigante peso nos episódios 5 e 6. “The Long Night” escolheu um caminho, legítimo e inesperado, embora imperdoável para alguns; mas foi o capítulo seguinte, “The Last of the Starks”, que fez revirar olhos castanhos, azuis e verdes. Todas as métricas têm o seu quê de falível, mas por algum motivo o 4º episódio tem uma classificação de 6,4 no IMDb. Importa contextualizar que no IMDb os grandes episódios de “Game of Thrones” têm todos mais de 9,5, e os bons à volta de 9,0. Até “The Last of the Starks”, o episódio com a classificação mais baixa de sempre era “Unbowed, Unbent, Unbroken” (6º episódio da 5ª temporada) com 8,1. Também nos inquéritos pós-episódio feitos em r/gameofthrones, nenhum episódio desta temporada passou dos 7,9 em 10, estabelecendo o último episódio um recorde negativo (6,2).

No Rotten Tomatoes, as anteriores sete temporadas variam entre uma aprovação de 91 a 97%. Esta segue com 77% – consequência dos 75% de “The Long Night” e dos arrasadores 55% de “The Last of the Starks”. Como em tudo hoje em dia, é fácil cair no exagero. Cada vez menos há meio termo, há 8 e 80. E o estado frágil de “Game of Thrones” faz com que qualquer pequena coisa, que noutras circunstâncias seria ignorada, cresça à velocidade com que hoje as personagens se deslocam de Winterfell para King’s Landing.

O problema não é o copo (que nem era da Starbucks mas fez da empresa de Seattle a grande vencedora da temporada até ao momento juntamente com George R. R. Martin) nem a direção de fotografia do episódio 3 (porque não elogiar a fantástica edição de som que segurou uma batalha tão escura?). O problema não é, como nunca foi, a qualidade dos atores, ou a capacidade de nos oferecer monumentos de espetacularidade. O problema é a base de tudo, aquele que foi e será sempre o coração da série – as personagens. O que é que está a acontecer a “Game of Thrones”? Tentarei responder.

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Miguel Pontares

Licenciado em Comunicação Empresarial, estudou ainda Escrita de Argumento para Cinema e Televisão. É um dos autores do blog Barba Por Fazer.

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