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Living With Yourself, primeira temporada em análise

“Living with yourself” é a nova comédia da Netflix que quer deixar o espectador em modo binge-watching.  

“Living with yourself” é a mais recente comédia de Timothy Greenberg para a plataforma de streaming Netflix. Ao longo de oito episódios, bastante curtos por sinal, com cerca de meia hora cada, é-nos apresentada a história de Miles Elliot.

Miles (Paul Rudd) trabalha na área do marketing, porém está sem ideias inovadoras, o seu casamento está nas últimas e está com dificuldades em ter filhos com a mulher Kate (Aisling Bea). Basicamente tudo é sofrimento, ao passo que o  entusiamo e a energia são inexistentes na sua vida. É então que um colega seu – Dan (Desmin Borges) – lhe sugere experimentar um spa secreto, pois também ele passou por uma fase complicada, estando agora muito melhor. Esse spa promete um sofisticado e avançado tratamento capaz de resolver todos os problemas de Miles, tornando-o uma versão melhor de si próprio.

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O que o protagonista desconhece é que essa “melhor versão de si próprio” trata-se de um clone. Basicamente Miles investe cerca de cerca de cinquenta mil dólares para que o seu ADN seja reconstruído de uma forma mais forte. Contudo, algo corre mal e Miles acorda, numa campa, enterrado vivo, embrulhado numa espécie de película aderente. Rapidamente tenta regressar a casa e apercebe-se que há outro de si, outro Miles, no seu lugar – o processo de clonagem foi bem sucedido. O Miles original não era suposto sobreviver. Algo correu muito mal…

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Ambos os Miles – o original e o novo – dirigem-se ao spa que originou tudo isto afim de reverter a situação. Só que tal já não parece ser possível e ambos terão que coexistir no mesmo espaço temporal, tornando esta uma situação deveras dramática mas, também, por vezes, hilariante.

De um lado temos o Miles antigo, sem graça, saturado da vida, frustrado e pouco enérgico, enquanto que, por oposição temos o novo Miles, mais cheio de vida, mais bonito, enfim… revigorado. E esta é basicamente a premissa da série, em que ambos os Miles, diferentes até na aparência, têm que aprender a viver um com o outro, tal como o próprio título indica.

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Todos os episódios terminam com uma espécie de cliffhanger, deixando o espectador na ânsia de continuar o seu binge-watching. Apesar de todos os momentos dramáticos que suportam a trama, a série está recheada com um certo comic relief, que acaba também por nos fazer questionar sobre o que é isso da melhor versão de nós próprios.

Os Miles, além da aparência, partilham vivências e memórias, o que acaba por torná-los na mesma pessoa, alegadamente com os mesmos direitos. Isto cria uma espécie de triângulo amoroso uma vez que o Miles clone corresponde mais ao ideal de felicidade de Kate.

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“Living with Yoursef” começa com um primeiro episódio um pouco fraco que nada convida o espectador a continuar. Porém, aqueles que forem capazes de ultrapassar esta barreira, serão presenteados com um segundo episódio mais interessante onde as personalidades dos protagonistas, ambos na pele de Paul Rudd, são mais aprofundadas e trabalhadas. É precisamente, a partir do segundo episódio que o público consegue criar empatia com Miles (mais com o antigo, como é óbvio). Doravante somos todos assoberbados por questões acerca da nossa identidade e do desenvolvimento humano.

Trata-se de uma série objectiva em que o enredo é simples e o número de protagonistas bastante reduzido, sendo Paul Rudd a grande atracção deste espectáculo. O ponto alto de “Living with yourself” é a leveza com que Rudd dá vida a ambos os papéis que, ainda que sendo a mesma pessoa, são bastante diferentes – um completamente apagado e o outro entusiasticamente radiante.

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Apesar de o segundo episódio ser substancialmente melhor que o primeiro, a série não atinge nenhum clímax além deste episódio, tornando-se consistente ainda que, banal. Embora recheada de cliffhangers nenhum é suficiente para deixar o espectador “agarrado” ao ecrã na ânsia do próximo episódio. “Living with yourself” aposta nesta mistura de comédia e drama –dramedy – que nem sempre funciona de forma consistente. Prometida como uma das apostas outonais da Netflix, “Living with yourself” não vai tão longe quanto poderia ir, ficando bastante aquém das expectativas, pois apesar de ter um bom argumento, muitas vezes, a interacção entre personagens fica longe do esperado.

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“Living with yourself” é tanto cómico como surreal, é simples e ainda assim confusa. Mas cumpre o seu propósito primordial, deixar o espectador a reflectir acerca da estagnação que o protagonista vive. Será Miles um espelho das nossas vidas? Será Miles uma personificação da estagnação que nós próprios vivemos?

TRAILER | LIVING WITH YOURSELF PRIMEIRA TEMPORADA

Fãs da série, estão por aí? Ansiosos por uma próxima temporada? 

Living With Yourself - Temporada 1
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Name: Living With Yourself

Description: Paul Rudd interpreta Miles, um marketeer frustrado tanto com a vida pessoal como profissional que busca alívio num spa alegadamente miraculoso, de onde "sai como novo".

  • Ana Fernandes - 60
60

CONCLUSÃO

O MELHOR - A leveza com que Paul Rudd interpreta ambas as versões de Miles - o frustrado e o radiante.

O PIOR - A série atingir o seu potencial máximo logo no segundo episódio, nunca passando daí, a par com a falta de conexão, por vezes, existente entre os protagonistas e a história em si.

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