Cr. Vlad Cioplea/Netflix © 2022

Wednesday, primeira temporada em análise

“Wednesday,” a aguardada visão dos Addams de Tim Burton, chega amanhã à Netflix. Será que a série corresponde às expectativas? A Magazine.HD já viu os oito episódios e podemos dizer que Jenna Ortega apresenta uma jovem Addams que irá ressonar nas novas gerações, bem como agradar às anteriores.

Enquanto fã da Família Addams, continuo a acompanhar todas as adaptações da excêntrica família criada por Charles Addams. No entanto, as mais recentes, infelizmente, não encheram bem as medidas. Por isso, quando a notícia de que Tim Burton iria finalmente apresentar a sua versão dos Addams, uma luz voltou a acender-se. Era uma dupla já há muito aguardada e que reunia todos os ingredientes para resultar, mas que parecia cada vez mais uma miragem. Recuando no tempo para contextualização, o cineasta havia recebido o convite para realizar o filme de 91, mas optou por assinar “Batman Regressa.”

Agora, mais de 30 anos depois desse convite, eis surgiu uma segunda proposta agora vinda dos produtores executivos de “Smallvile”, Al Gough e Miles Millar, que felizmente Burton já não recusou. O resultado estará à vista de todos esta quarta-feira (para não destoar), dia 23 de novembro, na Netflix. A presente crítica não terá quaisquer spoilers, assim que poderás continuar a ler a nossa opinião da primeira temporada de “Wednesday” sem preocupações.

Ao contrário de todas as adaptações até agora, “Wednesday” irá focar-se exclusivamente na jovem Addams, sendo os restantes membros da família personagens secundárias. Por conseguinte, e como já deverás ter visto pelos trailers divulgados, a temporada irá acompanhar a entrada de Wednesday na Academia Nevermore, escola secundária outrora também frequentada por Morticia e Gomez, depois de ter sido expulsa do seu liceu “normal.” A Academia acolhe alunos descritos como “párias”, tradução de outcasts, ou seja, jovens lobisomens, sirenes (sirens), vampiros, górgonas, entre outros. Em suma, o sítio onde a filha de Morticia e Gomez se deveria sentir finalmente integrada. E é precisamente sobre este último tema que a nova série da Netflix incide, em conjunto as restantes preocupações tradicionais de um adolescente… mas ao estilo de Wednesday Addams.

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Ou seja, poderás contar com uma boa dose de sarcasmo, sangue, mortes e penumbra – apenas a tortura ficou (infelizmente) de fora. Todos estes elementos serão combinados com crimes por resolver, bem como um mistério de família, que vão alimentando aos poucos e poucos o interesse de Wednesday em Nevermore e na aparente pacata cidade de Jericho. A série prima por ter um ritmo cativante e envolente, que irá de certeza ser consumida em modo binge-watching por muitos. Tal como nas suas encarnações anteriores, a jovem mantém o seu círculo de interesses muito peculiar, ficando-se pelo seu violoncelo, orquestração de partidas com o seu cunho particular e dissecação de animais. Nesta versão, a escrita também irá ocupar grande parte do seu tempo, tendo definido como objetivo pessoal ser melhor que Mary Shelley, que aos 19 anos publicou “Frankenstein.” Aliás, a Wednesday de 2022 é dotada de uma grande perspicácia, inteligência e, claro, sarcasmo, bem como um desprezo por qualquer tipo de tecnologia, da qual vê os “normais” como escravos.

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Jenna Ortega e Tim Burton compõe a equação perfeita para apresentar os Addams a novas gerações | Netflix © 2022

Aqui podemos dizer que a escolha de Jenna Ortega como protagonista está como a de Tim Burton para a Família Addams – dificilmente teríamos uma melhor versão. Ortega incorpora todos os aspetos da mórbida Addams, entregando uma mistura eximia entre a interpretação de Christina Ricci nos filmes dos anos 90 e o seu cunho pessoal, que em conjunto constroem uma Wednesday para as novas gerações. A atriz acaba por dominar toda a série sem nunca sair da personagem. Uma prestação sem reações humanas, mas que mesmo assim transparece todas as emoções. O género parece estar, de facto, a entranhar-se em Ortega, que soma “Wednesday” a títulos como “YOU“, “Gritos 5” ou “X.”

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Infelizmente, o mesmo já não poderemos dizer de Morticia e Gomez, aqui interpretados por Catherine Zeta-Jones e Luis Guzmán. A dupla acabou por não funcionar e, para nós, tornou-se a única distração da série. É difícil não a compararmos com a prestação de Anjelica Huston, em conjunto com Raul Julia. O par tinha química e respirava os adjetivos dos Addams: excêntricos, assustadores e macabros – algo que sentimos falta em Zeta-Jones e Guzmán. Por outro lado, os restantes membros da Família que aparecem nesta primeira temporada – Pugsley, a Coisa, tio Fester e o Lurch – apresentam versões semelhantes às que já conhecemos. Destacamos a Coisa, que ganha na série um palco que nunca teve nas adaptações anteriores, tornando-se o cúmplice e braço direito de Wednesday (após um ligeiro suborno). Lógico que a evolução tecnológica em muito ajudou a que este membro da família tive uma maior presença – isto comparando apenas com os live-actions. De igual forma, também a escolha de Fred Armisen foi bastante acertada. O nomeado a vários Emmys por docuséries como “Portlandia” ou “Documentary Now!” dá-nos um uncle Fester divertido e digno do nome de família – sem esquecer o ávido apetite que caracteriza a persongem.

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Catherine Zeta-Jones e Luis Guzmán enquanto Morticia e Gomez acabam por não transmitir química suficiente | Netflix © 2022

Gwendoline Christie, nomeada ao Emmy pela sua prestação em “Game of Thrones,” parece ter mergulhado a pés juntos noutro universo de fantasia. Sabemos que o seu nome irá atrair muitos curiosos à nova série da Netflix e podemos dizer que a atriz encarna brilhantemente a diretora de Nevermore, Larissa Weems. Contudo, não esperes dragões ou vibes de George R.R. Martin. O mais próximo que verás serão algumas cenas que poderão remeter para o universo de J. K. Rowling, principalmente para os mais novos – e mais não dizemos. Outro nome que provavelmente já te despertou curiosidade é o de Christina Ricci, que interpretou Wednesday nos filmes de 91 e 93. A sua personagem tem sido propositadamente mantida em segredo, por isso não iremos adiantar muito sobre a mesma. Podemos apenas dizer que traz referências a um outro universo. E, claro, que não deixa de ser fantástico e algo nostálgico vê-la partilhar o ecrã com Jenna Ortega.

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Gwendoline Christie brilha num novo universo | Netflix © 2022

Por último, mas não menos importante, “Wednesday” tem uma banda-sonora incrível. Tim Burton confiou uma vez mais no seu compositor do crime, Danny Elfman, responsável por outras peças como “The Nightmare Before Christmas” ou o clássico “Eduardo Mãos de Tessoura,” entre tantas outras, que partilha os créditos com Chris Bacon (“Bates Motel”). O nomeado a quatro Óscares da Academia brinda-nos com um tema de abertura simplesmente perfeito. E mantém os ouvidos bem abertos para temas dos Metallica, Artic Monkeys, Rolling Stones e até de Édith Piaf.

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Quanto a nós, este poderá ser o início de uma desagradável amizade (ler na ótica Addams). Ainda não sabemos se “Wednesday” terá direito a uma continuação, mas os criadores prometem ter conteúdo para várias temporadas. Teremos de aguardar (im)pacientemente. Por agora, acreditamos que a série de Tim Burton é uma interessante adição ao catálogo da excêntrica Família, reunindo todos os ingredientes para agradar aos fãs, ao mesmo tempo que funciona como um bom ponto de partida para aqueles que ainda não a conhecem.

TRAILER | POR AGORA, DEIXAMOS-TE COM A ABERTURA DE WEDNESDAY

“Wednesday” estreia dia 23 de novembro, em exclusivo na Netflix.

  • Inês Serra - 89
89

CONCLUSÃO

Tim Burton e Jenna Ortega formulam uma das melhores adaptações da Família Addams dos últimos tempos. Apesar da série ser focada exclusivamente em Wednesday, a essência da excêntrica família nunca deixa de estar presente fazendo dela um excelente ponto de partida para novas gerações. Afinal esta não deixa de ser um conteúdo sobre a entrada na adolescência… com um toque bastante peculiar.

Pros

  • Jenna Ortega
  • O distinto toque de Tim Burton
  • A banda-sonora de Danny Elfman
  • A atenção aos detalhes e peculiaridades que caracterizam cada um dos Addams
  • A Coisa e Fred Armisen

Cons

  • Catherine Zeta-Jones e Luis Guzmán
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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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