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Festival da Canção | Autores revelam as maiores inspirações para a música

No ano em que celebra 60 anos de existência, o Festival da Canção prepara-se para mais uma edição e a Magazine.HD esteve à conversa com alguns participantes.

Foi em 1964, numa televisão em que a imagem das televisões era ainda a preto e branco que a RTP começou a emitir o Festival da Canção, na altura apelidado de Grande Prémio TV da Canção Portuguesa. Por essa altura, já a Europa tinha criado o Festival Eurovisão, uma competição internacional que nasceu em 1956. Rapidamente, o concurso ganhou popularidade entre os portugueses, passando a ser considerado um momento de identificação nacional. A edição é anual, apesar de o nosso país não ter participado todos os anos, e o vencedor da competição nacional é selecionado para representar Portugal na Eurovisão. Ao longo dos tempos, centenas de cantores passaram pelo Festival da Canção, destacando-se nomes como Simone de Oliveira, Carlos do Carmo e, mais recentemente, Salvador Sobral, a única vez em que vencemos a competição internacional.

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No ano em que se celebra o 60º aniversário do Festival da Canção, a Magazine.HD teve a oportunidade de estar à conversa com alguns dos intérpretes dos temas deste ano. Numa conversa descontraída, ficámos a saber quais as principais inspirações para a criação das músicas e o que os concorrentes sentiram ao receber o convite para o concurso. A primeira semifinal acontece já hoje, dia 24 de fevereiro, sendo que a segunda semifinal ocorre a 2 de março. O vencedor será escolhido a 9 de março.




BISPO – “CASA PORTUGUESA”

Festival da Canção Bispo
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Como é que é participar no Festival da Canção?

Bispo: Vai ser fixe! Começou ali um pouco atribulado, porque o meu setembro, outubro e novembro foram carregados e, então, para apresentar tudo e cumprir os tempos foi apertado, mas vai ser fixe. A música saiu agora estou, estou contente porque já vou poder ir mostrar a música e partilhá-la, porque adoro a música que fiz para o Festival. Estou a ver com bons olhos o facto de estar aqui.

O ano passado já tivemos o Ivandro, agora foste tu convidado… A Mentalidade Free está a dominar o Festival da Canção?

Bispo: Eu penso que estamos a vir deixar também a nossa impressão digital no Festival. E o objetivo é a nossa música chegar sempre o mais longe possível e a mais pessoas possíveis.

E o que é que nos podes dizer sobre a tua canção? Qual o significado?

Bispo: No final do dia, é sobre o amor, sobre cuidado, sobre carinho, consideração, porque a “Casa Portuguesa” fala que na minha casa há problemas, mas se eu fosse para a tua casa, certamente os teus problemas podiam ser muito piores do que os meus. O teu fardo pode ser cinquenta vezes mais pesado do que o meu. E também abordo o facto de as pessoas nos apontarem o dedo, mas todos nós temos telhados de vidro. Basta olharmos para cima para para desligarmos do próximo e focarmos em nós, mas também passa pelo que é que é mais importante. Pra mim chegar a casa, abraçar as minhas filhas, estar sentada à mesa com elas, brincar com elas. “Casa Portuguesa”, porquê? Quando falo com os meus amigos, quando falo com familiares, eles também têm os seus temas e também parece que é o que nos junta e nos faz ver que o meu problema não é assim tão grande ou vice-versa.

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Já tens alguma ideia de como vais apresentar a tua canção?

Bispo: Sim, com amor [risos]! Quero imenso fazer isso, o resto é surpresa [risos]. Já tenho ideias, mas serão cenas simples.

Quais são as tuas expectativas para o Festival da Canção?

Bispo: Eu quero ganhar [risos] Não sei o que é que vai acontecer! Só quero ganhar, porque gosto mesmo da música e, estando aqui, porque não sonhar com o estar na Europa, não é? Porque não sonhar além fronteiras quando já estás aqui? Eu estou só nesse mindset, quero ganhar [risos].

E para terminar, o Festival da Canção tem vários nomes associados, como Simone de Oliveira ou Carlos Paião, mas não temos um rapper associado ao Festival da Canção. As coisas estão a mudar?

Bispo: Vamos passar a ter, não é [risos]? E mesmo que não seja eu, o facto de eu estar aqui este ano faz-me acreditar que para o ano há mais hip-hop no Festival da Canção. E para o outro mais ainda. E ainda bem, não é? Se é o estilo que impera, se é a cena também que nos une, que nos faz estar em amigos ou em família a ouvir esse estilo musical e a nos identificamos, é fixe estarmos a conseguir isso já é mais uma porta aberta.




CRISTINA CLARA – “PRIMAVERA”

Festival da Canção Cristina Clara
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Primeiro que tudo, como é que é estar no Festival da Canção?

Cristina Clara: É excelente, é verdadeiramente uma emoção. Eu sei que isto é um lugar comum, mas foi o convite que me surpreendeu imenso. Fiquei ainda a absorver a informação durante algum tempo, porque é uma estreia. É algo que, mesmo no início, quando comecei a fazer música, nunca pensei que poderia vir a acontecer, portanto, estou a viver isto de uma forma quase infantil. É uma emoção!

E o que é que bos podes contar sobre o significado da música?

Cristina Clara: Pronto, eu eu escrevi a letra do tema e a música é do John Luz, que é um compositor cabo-verdiano por quem tenho uma enorme admiração. Acho que é um dos mais interessantes e criativos da contemporaneidade. Fizemos um trabalho de exploração um bocadinho das sonoridades do fado e da morna e das afinidades que têm entre si. Portanto, acho que esta música vem daí, dessa exploração com essas influências e com as nossas identidades também. A letra, como o Nuno Galopim costuma dizer, o Festival acaba sempre por espelhar um bocadinho o contexto pessoal e cultural em que vivemos. No momento, até político! E acho que esta música espelha bem não só o meu momento pessoal, como também um inverno que vivemos de várias formas no mundo presentemente, mas sempre com a esperança de que, ainda que em condições inóspitas, possamos florir e que esse florir possa acrescentar valor ao mundo.

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Já sabes como é que vais apresentar esta canção ao público?

Cristina Clara: Claro que já [risos], mas não ainda não posso desvendar porque é algo que eu queria guardar mesmo. Temos que guardar surpresas para a apresentação ao vivo, mas posso adiantar que não estarei sozinha e que todas as peças que vão estar comigo têm um simbolismo forte.

Qual é a tua expectativa para este Festival?

Cristina Clara: Na verdade, as expectativas já têm vindo a ser cumpridas, que é conhecer imensa gente, imensos artistas que eu não conhecia e que agora tive a oportunidade de conhecer e de conhecer o trabalho, que a minha música chegue a mais gente que a minha forma de ver a música e os parceiros com quem trabalho possam ser conhecidos por mais gente e também que daqui surjam novas parcerias, novas possibilidades, porque não?

Tirando o Festival da Canção, já tens outros projetos em vista?

Cristina Clara: Sim! Provavelmente, este ano vou começar a gravar o meu segundo álbum que virá um pouco na continuidade desta exploração entre o que é o contexto da música popular em Lisboa, muito influenciado pela música tradicional portuguesa, cabo-verdiana e do Brasil, que são assim três eixos em que me movimento bastante, e espero no final do ano já ter novidades!




IOLANDA – “GRITO”

Festival da Canção Iolanda
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Como é que é estar no Festival da Canção?

Iolanda: Olha, como é que está no Festival da Canção? É uma surpresa enorme. Eu não fazia ideia nenhuma que ia ser convidada. Ia mandar uma canção de livre submissão. Estava mega preparada para isso, porque queria muito fazer parte, queria participar, queria tentar a minha sorte. Portanto, está a ser inacreditável, tipo, fui convidada e recebi um voto de confiança da RTP. É sempre muito fixe, principalmente porque é um programa e uma festa imensa de celebração da música em Portugal. Portanto, estou super entusiasmada.

E era esta a música que ias submeter?

Iolanda: Na verdade, quando eu comecei a fazer esta música, que foi há talvez um ano e meio, tinha até uma ideia parada. Aí eu comecei a fazer em casa da minha avó, do lado do meu pai, que já não está connosco, e eu pensei sempre em trazer algo que me identificasse e que tivesse um amor para mim, para que eu pudesse transportar isso para os outros. E então, olha, foi desde o primeiro momento que eu ouvi esta demo que quis trazer esta canção. Portanto, tudo se alinhou e acho que é assim que tem que ser, para mim, faz sentido ser assim.

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Quais é que foram as tuas inspirações para esta canção?

Iolanda: Várias! Eu queria muito introduzir alguns elementos portugueses, sem dúvida. Eu toquei cavaquinho durante muitos anos, desde muito pequenina, portanto, fui buscar essas referências do meu grupo de cavaquinhos, onde eu toquei na minha aldeia. Fomos buscar alguma eletrónica, porque define o meu percurso desde o início, desde que comecei a lançar temas. Queria uma coisa épica, sempre quis fazer uma cena épica e não imaginava nenhum sítio melhor que o Festival para trazer uma canção deste género. Portanto, alinha-se tudo, tanto a canção como a vibe que eu quero trazer. A canção significa, na verdade, transformação e é isto que eu quero na minha carreira e na minha vida, sempre renovar e transformar.

E tens muitas expectativas para esta experiência?

Iolanda: Super, estou muito entusiasmada! Tenho muitos amigos aqui a concorrer comigo e isso é muito fixe porque sinto que somos uma família. Nunca estive cá, portanto, não faço ideia, mas é inacreditável a vibe que se vive e a energia de todos. Portanto, acho que vai ser só bom, acho mesmo.

Já sabes como é que vais apresentar a tua canção ao público?

Iolanda: Já tenho algumas ideias e já estamos a trabalhar no palco e na performance toda. Podem esperar uma performance, eu diria, forte e impactante. Talvez elegante também, mas sempre com os pés muito bem assentes na terra




JOÃO BORSCH – “… PELAS COSTURAS”

Festival da Canção João Borsch
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Como é que é estar no Festival da Canção?

João Borsch: É muito entusiasmante, acima de tudo. Acho que é um evento que eu vejo com muito prestígio, e participar é uma grande responsabilidade, mas também me deixa muito feliz. Acho que tem tudo a ver com aquilo que eu quero fazer, e que eu tenho feito com a minha música. Por isso, acho que esta foi uma junção bastante adequada. Deixa-me bastante ansioso poder fazer toda a atuação e todo o processo, no fundo.

E esta canção que nos trazes, o que é que nos podes dizer sobre ela?

João Borsch: Ela é uma canção bastante energética, acho que vem muito na linha daquilo que eu faço. Uma música bastante energética, bastante dançável. É quase de rave, vamos dizer assim, mas muito pop, muito catchy, e acho que é muito divertida e muito misteriosa, muito sexy. Estou muito satisfeito com esta canção. Foi uma canção que eu acabei por fazer para o propósito, foi mesmo feita depois de ter o convite, e fiquei muito satisfeito com ela, estou muito satisfeito por ela ter saído, finalmente.

E quais foram as tuas inspirações?

João Borsch: Neste caso, a música é ouvida com muitos extremos, ou seja, vai a muitos sítios – vai muito ao transe, ao techno, ao metal até. Há uma artista que eu estava a ouvir muito quando fiz esta canção, que era a Sophie, e acho que quem conhece o trabalho dela vai reparar a influência.

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Já tens uma ideia de como é que queres apresentar ao público a tua canção?

João Borsch: Completamente! Eu logo que tinha a canção comecei logo a pensar nisso. Isso é uma parte que me move imenso, eu gosto muito de pensar nessa profundidade visual e teatral da canção. Eu não quero revelar muito, porque eu acho que vale a pena a espera, mas nós estamos a fazer uma coisa muito cuidada, muito bem feita, e acho que vai ser muito bom.

Qual é a expectativa para esta experiência?

João Borsch: Eu tenho expectativa que toda a gente que passa pelo Festival me diz que é uma experiência super divertida. O pessoal é super porreiro, criam-se ótimos laços cá, por isso, acima de tudo, é isso que eu espero. E também, acima de tudo, espero poder mostrar a ainda mais pessoas a minha música. Acho que esse é o melhor que eu posso fazer.

Que outros projetos musicais tens para o futuro?

João Borsch: Acima de tudo, o meu próprio projeto que tenho a solo e toco com uma banda ao vivo. Acima de tudo, dar concertos pelo país é o que eu mais quero. Adoro dar concertos, adoro tocar com a minha banda e acho que os nossos concertos são sempre muito divertidos [risos].




LEFT. – “VOLTO A TI”

LEFT
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Como é que é estar no Festival da Canção, ainda por cima por livre submissão?

LEFT.: É muito mau, é horrível [risos]. Estou a brincar! É muito fixe, é incrível, é uma sensação brutal, principalmente estando estes anos todos a acompanhar e a estar associado indiretamente, a produzir e assim. É muito fixe finalmente ter a oportunidade de pisar o palco.

E o que é que nos podes dizer sobre a tua canção? O que é que ela significa?

LEFT.: É uma música um bocado fora do que eu costumo fazer, porque costumo fazer coisas mais mexidas e mais eletrónicas, principalmente. Mas este tema é muito pessoal e fala sobre um coração partido, que é o meu ou era [risos]. E fala sobre quase uma sensação nostálgica de estar agarrado a essa relação e não querer deixar ir. E depois o feeling de finalmente conseguir largar.

Há alguma razão para teres escolhido trazer esta temática para o Festival?

LEFT.: Não necessariamente! Achei a canção forte e achei que muita gente se poderia relacionar.

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Como é que foi o processo de te candidatares por livre submissão, escrever a música, submeter o tema, etc.?

LEFT.: Foi, na verdade, bastante fácil. Percebi que este ano era o ano, estava a sentir com pica para isto, e depois foi o processo mais de perceber qual era a canção que eu queria enviar. Ela já estava escrita e meio que tive que olhar para a panóplia de canções que tinha disponíveis e pensei, ‘esta é a certa’. E pronto, tive a sorte de entrar!

Já sabes como é que vais apresentar a tua canção?

LEFT.: Posso revelar que quero fazer uma coisa diferente e não quero estar só a cantar para a câmara. Quero trazer o meu universo para o palco.

Qual é a tua expectativa para esta experiência?

LEFT.: A Suécia [risos].




MARIA JOÃO – “DIA”

Festival da Canção Maria João
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Primeiro que tudo, como é que é estar no Festival da Canção?

Maria João: Eu já cá tinha estado como júri, não é? E é um frenesim, mas é uma honra e uma felicidade para mim. E como eu resolvi dedicar a maior quantidade possível da minha vida a fazer música, isto é mais uma oportunidade, obviamente. Mas é muita responsabilidade [risos], então estou com imensa expectativa, mas eu gosto da música que nós fizemos, representa-nos, portanto, eu estou orgulhosa dela e bora lá!

Podem partilhar connosco um bocadinho sobre o significado desta canção?

Maria João: Fala do dia-a-dia… está cantada em quatro línguas – português, em inglês, um bocadinho numa língua que ainda se fala em Moçambique, e numa língua que eu criei também. É muito fora, eu sei [risos]. Nós fizemos uma música que nos representasse, é isso.

Portanto, criaram a música de propósito para o Festival?

Maria João: Sim, só que a coisa pior, para nós, foi mesmo encaixar tudo em três minutos mas é possível. Isso é terrível, pois nós é que ficamos sempre com os cabelos brancos [risos]. Isso é um desafio, de facto. As músicas têm sempre quatro, cinco ou seis minutos [risos], tem que haver espaço para tudo. Isso foi a maior dificuldade, mas agora estou contente por estar aqui, acho que estou orgulhosa do que fizemos.

E como é que foi o processo de escrever esta música?

João Farinha: Foi um processo muito colaborativo, ou seja, fomos trabalhando em conjunto e partilhando ideias, comentando coisas e fomos encontrando as partes que gostávamos mais e começámos a construir a partir daí.

Maria João: Foi muito improvisado, foi estar junto e fazer, não foi um processo de escrever do género ‘agora escrevo aqui em casa…’, eu nem sei fazer isso, mas ele [João Farinha] sabe [risos]. Eu não sei fazer! As coisas que eu escrevo são todas improvisadas na altura.

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Já sabem como é que vão apresentar esta canção?

Maria João: Na semifinal, sou só eu! Vou só eu e a roupa, e o resto não posso dizer [risos].

Como é que surge esta ideia de criar uma outra língua só sua?

Maria João: Porque o meu amor principal, antes do significado das palavras, é o som das palavras. E este som leva-nos para tantos sítios diferentes e também para Moçambique, aquela a sonoridade, por exemplo das línguas de Moçambique, é maravilhosa e cheia de assobios. É muito bonito, então claro que, a partir daí, com todo o improviso que se pode fazer, acaba por se criar a sua própria forma de se dizer as coisas.

João Farinha: Sim, é uma coisa que já faz parte de ti desde sempre.

Maria João: Sim, eu crio sempre, agora assumidamente! Mas vai ter legendas para que as pessoas vejam o que é que eu estou a dizer [risos].

Qual é a expectativa para esta edição do Festival da Canção?

Maria João: Eu ambiciono mesmo fazer o melhor que eu posso e não me atrapalhar, porque isto cria nervoso para nós todos [risos] ir para lá e em três minutos tentar mostrar as coisas que queremos mostrar. São três minutos realmente complicados. A minha expectativa é mesmo poder mostrar que a música não mainstream pode ser tão alegre, tão joyful, tão feliz, tão dancing como qualquer música mainstream. Essa foi uma coisa que eu pensei depois de fazer a canção.




MELA – “ÁGUA”

MELA
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Como é que é estar no Festival da Canção?

MELA: É surreal, eu sinto que ainda estou a viver um sonho desde que me disseram pela primeira vez que a minha canção tinha sido selecionada. Eu sinto que ainda estou a sonhar e a imaginar que isto está tudo a acontecer. Parece todo um filme na televisão e eu sou uma personagem desse filme. Sinto que ainda não estou em mim.

Foi a primeira vez que submeteste uma canção?

MELA: Sim, foi a primeira vez que submetia uma canção. Submeti mesmo à última da hora. Muita vontade já tinha, mas tinha muito medo, muito receio da rejeição, como todos os artistas têm, que não é bem uma rejeição, mas simplesmente se não entrasse era porque não era para ser. Mas, afinal, era para ser [risos] e afinal entrei e aqui estou eu!

Como é que foi o processo de escrita da canção?

MELA: Esta canção foi escrita a 31 de agosto de 2022, portanto, foi uma canção que já foi escrita há bastante tempo. Eu ainda estava na Madeira, estava de férias, e aconteceu uma situação na minha vida profissional e pessoal que me fez repensar tudo e eu só me lembro de olhar para o mar e pensar, ‘isto era claro como água que nunca ia funcionar, que não era para ser’. E, a partir daí, fiz o que faço melhor que foi ir para casa, sentar-me ao piano e escrever e cantar o que não conseguia dizer. E daí nasceu a “Água” que cura as feridas, cura tudo. E, para mim, foi um processo de cura a escrita desta canção e daí a razão para ter escolhido este tema. É uma música que, parecendo que não, fala sobre amor, mas amor próprio, que é o que nos falta muito e nós muitas vezes esquecemos e esquecemos que precisamos de sofrer para conseguir sermos felizes, porque a vida é feita de etapas. Às vezes vamos abaixo, mas precisamos de ir abaixo para ir acima e esta música exatamente sobre encontrar o equilíbrio no que me aconteceu, ou no que se passou e renascer disso e tornar-me na pessoa que eu deveria ser. Tudo o que aconteceu foi necessário para chegar onde eu estou agora.

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Já sabes como é que vais transpor esse amor para a apresentação da canção?

MELA: Eu posso dizer que será muito energético, muito vibrante. Vai ter muita coisa a acontecer, porque a música assim o pede. Não posso dizer muito mais, mas será muito verdadeiro a mim e à canção e ao que ela pede.

Estás com muitas expectativas?

MELA: Estou! Não necessariamente em termos competitivos, não necessariamente em passar à final e ganhar, mas em mostrar o que eu quero mostrar – sou capaz de uma excelente performance e de fazer justiça à canção como ela é e trazer a energia que estão a ouvir para a televisão e para o visual. E, portanto, tenho expectativas exatamente disso e em me mostrar ao país como artista e o que consigo fazer em cima do palco.




NENA – “TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO”

Festival da Canção Nena
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Como é que é estar no Festival da Canção?

Nena: Olha, estar no Festival da Canção é absolutamente incrível. Estou aqui numa sala rodeada de pessoas super talentosas, e poder estar aqui no meio de todas estas pessoas é mesmo inacreditável. É também inacreditável a possibilidade de poder representar Portugal na Eurovisão! Quem sabe? Vamos ver o que é que acontece, se as pessoas gostam da música ou não.

O que é que a tua música significa? Qual é foi a tua inspiração?

Nena: Então, a minha música chama-se “Teorias da Conspiração” e é uma música, eu diria, muito feliz, muito romântica… e fala assim um bocadinho sobre um casal que tem de enfrentar as adversidades do dia-a-dia em conjunto, com força, e fazer frente às teorias da conspiração.

Escreveste a música de propósito para o Festival?

Nena: Escrevi para o Festival, sim!

Como é que foi este processo de participação no Festival desde que foste convidada?

Nena: Então, eu fui convidada e depois tinha um prazo de uma música para entregar e estava a ser um bocadinho complicado ao início, porque, normalmente, a inspiração vem ter comigo e eu escrevo, ou estou num período da minha vida em que sinto que preciso de escrever. Mas acho que esta foi das primeiras vezes que eu me obriguei mesmo, tipo ‘tens de escrever’. E foi engraçado, porque decidi mesmo ‘hoje vou escrever e escrevi’! A música aconteceu assim e foi inacreditável tentar procurar essa inspiração e essa inspiração encontrar-se comigo a meio do caminho.

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Alguma razão para trazeres este tema para o Festival da Canção?

Nena: Olha, não sei. Acho que foi uma música que eu mal escrevi, senti-a, senti a cena. E, não sei, há sempre aquela ideia de que às vezes tem que ser mais festivaleiro ou menos… pronto, há várias opiniões, obviamente, mas eu simplesmente achei que era a música certa e estou orgulhosa.

Já encontraste a tua inspiração para preparares como é que vais apresentar a tua música?

Nena: Já preparei, sim. Já temos algumas ideias. Podem imaginar assim num palco um universo como muitas estrelas… Acho que isto já dá assim um cheirinho [risos].

Estavas a dizer há pouco que poder ir à Eurovisão também seria um sonho. O que é que pretendes retirar desta experiência no Festival da Canção?

Nena: Olha, eu acho que tal como iniciei aqui esta entrevista, acho que uma das coisas mais maravilhosas é poder conhecer tantos artistas. Por isso, espero levar amizades daqui e divertir-me acima de tudo, tipo aproveitar o bom que é ser-se convidado para uma coisa destas.

Tirando o Festival, que outros projetos musicais é que já tens em vista?

Nena: Por enquanto, vou lançar agora algumas canções, eu já tenho algumas canções programadas para lançar este ano e vou ter também um concerto grande no Porto, dia 18 de Maio, no Super Bock Arena. Deixo aqui o convite também para quem gostar de vir [risos]. E acho que vai ser assim um ano com muita música e muitos concertos que é o que se quer!




NOBLE – “MEMORY”

Noble Festival da Canção
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Como é que te sentes ao ter a oportunidade de participar no Festival da Canção?

Noble: É muito entusiasmante! Eu acho que é um formato que agrada a qualquer artista, porque, para além de nos dar a oportunidade de mostrarmos a nossa canção, dá-nos a oportunidade de mostrar a nossa canção a muita gente, por isso é bom poder fazer parte do Festival da Canção e, principalmente, estar na edição dos sessenta anos que é tão especial e que vai ser tão celebrada. É muito bom!

Podes-nos falar um bocadinho sobre a tua canção?

Noble: Posso, posso! A minha música “Memory” é uma música que eu acho que está muito dentro daquilo que eu tenho feito até agora no repertório. É uma balada, uma canção muito tradicional. Fala sobre o amor de um filho por um pai que perdeu a memória e sobre o amor, expondo as pessoas que gostamos, é o amor incondicional e o quão trágico é deixarmos de nos rever nas pessoas que gostamos. É sobre isso que fala, portanto, é bastante emocional para mim. Eu espero que as pessoas se identifiquem com a mensagem e que chegue ao sítio certo

Quais é que foram as tuas inspirações para esta canção?

Por acaso, vieram de dentro de casa, da relação que o meu pai tinha com o meu avô e foi sobre isso que eu escrevi. O meu avô perdeu a memória no final da vida e o meu pai tomava conta dele e todos os dias ia lá a casa. Houve uma noite que o meu pai chegou a casa a chorar porque o meu avô disse-lhe que não sabia quem ele era, mas que lhe agradecia muito por aquilo que estava a fazer por ele. Então, isso foi uma das grandes inspirações para esta canção.

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Já tens alguma ideia de como é que vais apresentar a tua canção?

Noble: Mais ou menos, eu vou estar sozinho em palco. Também não posso revelar muito, porque eu próprio também não sei muito [risos]. Mas vamos fazer valer pela canção, pela interpretação, pelo significado da letra, e tentar dar uma apresentação mais emocional e é isso que nós queremos fazer.

Tu trazes uma canção em inglês. Consegue expressar-te melhor nessa língua?

Noble: É mais fácil, porque uma coisa tão emocional como as coisas que eu digo nesta canção, se fossem em português, se calhar eu ia me conter um bocadinho. Eu não ia ter coragem de dizer tudo tão abertamente. O inglês ajuda-me bastante a ser mais frontal.

Qua é a tua expectativa para o Festival da Canção?

Noble: Na verdade, eu quero-me divertir, acima de tudo. Quero conhecer os meus colegas de televisão, que até agora não tive grandes oportunidades de o fazer, e acho que este é o momento ideal para conhecer pessoas e para nos conectarmos. Acima de tudo, quero dizer ao público português que eu sou português, apesar de cantar em inglês. Acho que vai ser uma grande oportunidade para mostrar às pessoas que eu sou português. Eu gosto do nosso país, gosto da nossa língua, eu gosto de ser português e espero que vocês saibam isso. Apesar de eu cantar em inglês e tentar levar a minha música para fora de Portugal.




PERPÉTUA – “BEM LONGE DAQUI”

Perpétua
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Primeiro que tudo, como é que é estar no Festival da Canção?

Beatriz: É incrível, é um privilégio e é o concretizar de um sonho. Desde pequeninos a ver o Festival e, de repente, estamos aqui. Parece que ainda não é credível. E foi uma oportunidade incrível!

Qual é que é o significado da vossa canção?

Diogo: Bem, é uma música muito mexida, vamos buscar muitas referências – vamos ao city pop do Japão, vamos ao disco também. É uma direção que nós procurámos muito. É uma canção sobre o ritmo acelerado em que todos vivemos e que toda a gente consegue perceber que existe. E, para além disso, é sobre esta constante adaptação, o evoluir para voltar sempre e esta ambivalência que existe nas nossas vidas. Acho que vai ser interessante.

Como é que se desenvolveu o processo de criação da canção para chegar até ao Festival?

Beatriz: A música, já à partida, ia ser para o nosso segundo álbum, que vai ser lançado este ano. E nós sentimos que nos representava muito bem e que era muito adequada ao contexto do Festival. É uma música super energética e achámos que era a ideal, portanto adaptámos um bocadinho também a questão da minutagem, etc. Mas achámos que era a melhor música que nós podíamos colocar neste contexto.

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Quais são as expectativas para esta experiência?

Diogo: A maior expectativa é precisamente ganharmos experiências. Nós enquanto pessoas, enquanto banda, vamos fazer o nosso melhor. Acreditamos na nossa música e esperamos que os portugueses e as portuguesas gostem do que vão ouvir.

Já têm uma ideia de como é que vão apresentar a vossa canção?

Beatriz: Estamos a preparar isso, estamos em processo. Mas está a ser muito divertido!

VÍDEO | IOLANDA É UMA DAS CONCORRENTES DO FESTIVAL DA CANÇÃO

Costumas assistir ao Festival da Canção? Quem mereceria vencer o concurso e representar Portugal na Eurovisão?

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