©José Vieira Mendes

Festival de Veneza 2022: Adivinhem que vai à Mostra?

Rei morto, rei posto ou melhor festival morto, festival posto. Ainda agora ‘enterrámos’ o Festival de Cinema de Cannes 2022, já se fazem as previsões sobre os filmes que poderão estrear no Lido e os potenciais candidatos ao Leão de Ouro do Festival de Veneza 2022. Aqui estão as nossa previsões….

Para já e ao que consta são as produções ‘made in Netflix’ — como se sabe insistentemente rejeitadas pelo programadores do Festival de Cannes  que vão estar em força nos grandes ecrãs, diga-se, do festival do Lido de Veneza, que se realiza de 31 de Agosto a 10 de Setembro. A começar por ‘Bardo’, uma comédia do premiado realizador mexicano Alejandro González Iñárritu (The Revenant: O Renascido, 2012) além de ‘White Noise’, do notável e sensível cineasta norte-americano Noah Baumbach (‘Mariage Story-História de um Casamento’ 2019), agora com um filme protagonizado por Greta Gerwig e Adam Driver; ‘The Swimmers’, da galesa de origem egípcia Sally El Hosaini (‘My Brother the Devil’, 2012) conta a história de um refugiado sírio e por último ‘The Wonder’, filmado num cenário irlandês pelo chileno Sebastian Lelio (‘Gloria Bell’, 2018), um cineasta agora radicado no Reino Unido, num filme com Florence Pugh. Também o thriller psicológico ‘Don’t Worry Darling’, da actriz-realizadora Olivia Wilde (O Caso de Richard Jewell, 2019) — ela própria pensou ser a protagonista mas optou por ser uma secundária — com Harry Styles e Florence Pugh da Warner Bros, parece que também estará a caminho ou melhor ‘navegando’ para o  Lido de Veneza.

Festival de Veneza 2022
Depois das limitações sanitárias nas edições anteriores, quem vai levar o Leão de Ouro 2022,? ©José Vieira Mendes

A lista de filmes de cineastas-autores norte-americanos ou com origem nos EUA, é vasta e pode incluir ainda ‘Tar’, de Todd Field — dezasseis anos depois de ter estreado ‘Pecados Íntimos’, 2006) — com um filme produzido pela sempre atenta a dramas sensíveis, Focus Features, protagonizado por Cate Blanchett, e numa história da relação de Lydia Tár, uma brilhante compositora, com a sua filha adoptiva, de origem síria. Sarah Polley (‘Histórias Que Contamos’, 2012), a atriz que se tornou realizadora, tem praticamente pronto o drama coral no feminino ‘Women Talking’, com Frances McDormand, Rooney Mara e outras, mais Ben Wishaw, embora o Festival de Toronto — que se realiza quase em simultâneo — possa ser a aposta mais óbvia para a canadiana, estrear ‘em casa’, este seu novo filme. Mas Veneza é sempre e primeiro uma forte hipótese! Apontados para Cannes mas afinal estão agora a caminho de Veneza são, ‘The Eternal Daughter’ de Joanna Hogg (‘The Souvenirs’, 2019 e  e ‘The Souvenirs: Parte 2’, 2021) protagonizado desta vez pela sua própria mãe: Tilda Swinton; ‘Pinóquio’, de Guillermo del Toro (Nightmare Alley – Beco das Almas Perdidas, 2021) e ‘Asteroide City’, de Wes Anderson (Crónicas de França do Liberty, Kansas Evening Sun, 2021). 

Festival de Veneza 2022
Tilda Swinton, vai estar num grande ecrã do Lido de Veneza, num filme Joanna Hogg. ©José Vieira Mendes

Alberto Barbera, o diretor artístico da Mostra de Veneza, parece também contar com alguns dos seus ‘habituais’ e sempre selecionáveis: Emanuele Crialese tem ‘L’immensità’  pronto, um filme ambientado nos anos 1970, protagonizado por Penelope Cruz, e ‘No Bears’, um drama romântico de Jafar Panahi, que é tido igualmente em linha de conta, aliás como o novo filme de Luca Guadagnino, intitulado ‘Bones and All’, protagonizado pelo seu fiel Timothee Chalamet — por curiosidade, está em preparação, uma sequela de ‘Chama-me Pelo Teu Nome’  do qual a MGM, propriedade agora da Amazon, detém a maioria dos direitos. Relativamente às produção dos estúdios da industria de Hollywood, a Sony Pictures Classics pode vir a estar no Lido, com ‘The Son’, o novo filme de Florian Zeller (‘O Pai’), protagonizado por Hugh Jackman, Anthony Hopkins e Vanessa Kirby; enquanto ‘The Whale’, de Darren Aronofsky, com Brendan Fraser, é mais um forte candidato a entrar na selecção oficial de Veneza 79, o mais antigo dos maiores festivais internacionais de cinema da Europa e que ultimamente abre as portas para muitas nomeações aos Óscares. 

Festival de Veneza 2022
A tradicional imagem grafica do cinema no contexto da Biennale de Arte de Veneza. ©José Vieira Mendes

Igualmente vindos dos EUA, poderão estrear na Mostra 2022, ‘Tuesday’, de Daina O. Pusic, um conto de fadas sobre uma mãe e uma filha, com Julia Louis-Dreyfus, bem como ‘Disappointment Blvd’, de Ari Aster, com Joaquin Phoenix. Outra ‘passagem de regresso’ ao Lido, parece estar reservada para Martin McDonagh, que está a finalizar ‘The Banshees of Inisherin’, um filme protagonizado por Colin Farrell e Barry Keoghan. Nos títulos e obras internacionais e do ‘cinema do mundo’, que são falados para estar na Mostra 2022, incluem-se ‘The Happiest Man In The World’,  um drama da realizadora da Macedónia, Teona Strugar Mitevska, ‘Saint Omer’, a nova estreia de ficção da realizadora francesa Alice Diop e ‘She Said’, da actriz, argumentista e realizadora alemã Maria Schrader (‘Sou o Teu Homem’ 2020), agora num filme baseado na história da investigação do New York Times, que derrubou produtor Harvey Weinstein; ‘Eureka’, do realizador argentino Lisandro Alonso, com Viggo Mortensen, ‘Siccità’, do italiano Paolo Virzì, com Monica Bellucci, ’Hanging Gardens’ de Ahmed Yassin Al Daradji, e ‘Queens’ um road movie de Yasmine Benkiran, são obras que estão prontas e portanto potenciais selecionáveis. Da Coreia do Sul, vem o filme ‘Smuggle’ de Ryoo Seung-wan, uma história passada em 1970, que é também um dos nomes vindos do cinema asiático, selecionáveis, depois de ter apresentado, o seu ‘The City of Violence’, numa sessão da meia-noite, em Veneza 2006.

Festival de Veneza 2022
Voltamos ao ‘novo normal’ e com a ‘lotação normal’ nas salas de cinema do Lido de Veneza. ©José Vieira Mendes

Dois filmes do programa Ukraine In Focus vindos do Marché du Film de Cannes, também estão apontados à selecção: ‘Lapalissade’, a estreia de Philip Sotnychenko e ‘Rock. Paper. Grenade’, de Iryna Tsilyk. Em outras secções, que não as principais, mas com filmes relacionados com a Ucrânia, poder-se-ão incluir um documentário de guerra, intitulado ‘Company of Steel’, de Yulia Hontaruk e ‘Iron Butterflies’, de Roman Liubyi, um híbrido documentário-ficção, sobre a queda do voo 17 da Malaysia Airlines. Dos países nórdicos são falado para entrar igualmente na selecção ‘Memory of Water’, um eco-thriller finlandês de Saara Saarela e ‘Opponent’, uma co-produção Suécia-Noruega, de Milad Alami, a história de um exilado iraniano na Escandinávia. Quanto aos filmes portugueses, levantam-se ainda várias hipóteses e na linha de participação nas várias secções e não apenas na Competição  de Veneza 79: à cabeça há rumores sobre ‘Great Yarmouth-Provisional Figures’, o novo de Marco Martins, rodado em Inglaterra, com Hugo Bentes, que quase de certeza vai estar no Lido depois da consagração de ‘São Jorge’ e de Nuno Lopes na secção Orizzonti, em 2016;  há também hipóteses para ‘Mal Viver’, de João Canijo, que já está pronto, com Anabela Moreira, Rita Blanco e Nuno Lopes, sobre as tensões numa família que gere um hotel na praia de Ofir; quase prontos e caminho de Veneza vimos — excertos deles, na semana passada nos 7º Encontros de Cinema Português, — ou antes de outros festivais internacionais próximos estão ‘O Pior Homem de Londres’, de Rodrigo Areias, com Albano Jerónimo e a adaptação de ‘A Sibila’ de Agustina Bessa-Luis, pela mão de Eduardo Brito e com Maria João Pinho no principal papel. Veremos se efectivamente teremos uma boa representação em Veneza 79, na linha do que aconteceu em Cannes 75. De qualquer modo, o Festival de Cinema de Veneza ou melhor a Mostra Cinematográfica Internacional de Veneza 2022, realizada no contexto da tradicional Biennale de Arte Contemporânea, tem lugar de 31 de Agosto a 10 de setembro, como é habitual anunciará a sua programação no final de julho. Até lá vamos acompanhando e estando atentos às novidades.

JVM

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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