Game of Thrones

Game of Thrones: Desilusão ou Final Épico?

A oitava e última temporada de "Game of Thrones" tem gerado revolta e discórdia entre os fãs. A dois episódios do fim, procurámos identificar as causas deste fenómeno, tentando perceber se a série da HBO vai desiludir ou deixar-nos uma última impressão poderosa.

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I. Síndrome Star Wars

Game of Thrones - Stark
Game of Thrones

Só existe um produto na atualidade cultural capaz de ser comparado a “Game of Thrones” em termos de popularidade. Um semelhante fenómeno que alimenta e alimentou teorias online, motivando análises fotograma a fotograma de trailers – uma história de uma galáxia muito, muito distante, “Star Wars“.

Tal como a saga originalmente criada por George Lucas, GoT sofre de algo que na verdade não é culpa de ninguém. Porque ninguém tem culpa de ter imaginação. Muito pelo contrário. O 1º livro das “Crónicas do Gelo e do Fogo” foi publicado em 1996, e o último em 2011. Desde então, os fãs esperam ávidos por “The Winds of Winter” e “A Dream of Spring”. Foi também em 2011 que a série ganhou vida e desde então, entre fóruns, Reddit, Youtube etc., várias teorias cresceram e cresceram. Algumas, por fazerem tanto sentido, começaram a viver no imaginário dos espectadores como certezas. Bran era o Night King, Bran era Bran the Builder, Bran ia controlar um dragão como warg, Jaime ia matar Cersei, Arya ia matar Cersei com a cara de Jaime, Tyrion ia trair Daenerys, Tyrion também era um Targaryen, entre Daenerys e Jon um ia sacrificar o outro em nome da paz, os irmãos Clegane iam lutar até à morte, Azor Ahai ia pôr fim à escuridão…

“Game of Thrones” e “Star Wars” partilham uma mística especial, tratando-se de narrativas pontuadas e perfumadas por profecias. Levaram os fãs a investigar todas as pistas que na verdade não o eram, a interpretar à exaustão sinais, a tentar montar um puzzle com peças que viriam na Hora H a mudar de forma. Por tudo isto, “Star Wars: Episódio VIII – Os Últimos Jedi” e o terceiro episódio desta temporada têm muito em comum. Por assumirem um caminho diferente, subvertendo dogmas, hipotecando teorias e desejos alimentados por uma gigante hidra construída por quem criou ilusões e, por isso mesmo, se veio depois a desiludir.

PS.: “Game of Thrones” tem cortado algumas cenas, habitualmente envolvendo Bran. Em quase todas as situações com o intuito de adiar (?) revelações ou intensificar o mistério. Mas custará sempre não termos assistido ao momento em que Jon contou a Arya e Sansa a sua ascendência. Não era informação nova, mas há redundâncias que ultrapassam sensibilidades e frustações gratuitas.

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Miguel Pontares

Licenciado em Comunicação Empresarial, estudou ainda Escrita de Argumento para Cinema e Televisão. É um dos autores do blog Barba Por Fazer.

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