LEFFEST ’17 | O que não podes perder no festival

 

O Lisbon & Sintra Film Festival, que se realizará de 17 a 26 de novembro, já divulgou a sua programação e a Magazine HD selecionou alguns dos seus maiores destaques a não perder.

 

Depois de o ano passado ter celebrado uma década de existência, o LEFFEST está de regresso e pronto a deliciar a cinefilia lusitana. Esta 11ª edição marca também uma crucial mudança de nome e localização naquele que antes se chamava Lisbon & Estoril Film Festival e agora é Lisbon & Sintra Film Festival. Pela primeira vez, o festival originalmente concebido por Paulo Branco não vai marcar presença no Estoril, mas Sintra e sua coleção de estupendos espaços e atmosfera cultural será certamente um bom substituto.

Antes ainda de referirmos a programação de filmes, dentro e fora de competição, convém mencionar que este é um festival que estende o seu olhar a outras artes que não a sétima. Em Sintra, por exemplo, irá realizar-se um evento especial em volta da leitura bilingue de diários pessoais e correspondência entre três importantes escritores anglófonos do início do século XX após uma visita a Sintra. Quem sabe, talvez um dos convidados ilustres desta edição, que inclui alguns dos melhores atores do cinema atual como Isabelle Huppert e Robert Pattinson, possa participar e emprestar a sua voz a esta leitura pública.

 

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David Cronenberg, o presidente do júri do LEFFEST ’17

 

Para além de literatura, também teatro, música, fotografia e artes plásticas estão em destaque nesta programação multifacetada, mas, como sempre, é o cinema que está no meio das festividades. Este ano, o júri da competição oficial que irá atribuir alguns dos maiores prémios do festival, será presidido pelo incomparável cineasta canadiano David Cronenberg. A acompanhar o realizador de clássicos tão perturbadores como “A Mosca” e “Crash” está uma coleção de outros importantes nomes do panorama da arte. Eles são a poetisa e romancista grega Ersi Sotiropoulos, a escritora libanesa Hanan al-Shaykh, a célebre pianista japonesa Momo Kodama, a encenadora portuguesa Mónica Calle e a realizadora húngara Ildikó Enyedi.

 

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A maior parte dos membros do júri estará ainda envolvido noutras atividades e iniciativas englobadas no projeto do festival. Cronenberg, por exemplo, está incluído numa conversa e discussão pública sobre a máfia, Calle irá apresentar uma versão atualizada do seu mais recente sucesso “Ensaio para uma Cartografia” no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra e Enyedi estará presente para uma homenagem ao seu trabalho, que inclui a antestreia nacional do filme que lhe valeu, este ano, o Urso de Ouro na Berlinale.

 

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“Ensaio para uma Cartografia” de Mónica Calle

 

Ao todo, serão exibidos mais de 180, muitos deles com a presença de atores e realizadores com quem o público poderá dialogar, assim como uma espetacular miríade de outras propostas culturais. Para teres acesso a toda essa informação, visita o site oficial do LEFFEST, onde também poderás já começar a comprar bilhetes para as festividades. Pela nossa parte, a Magazine HD irá realizar, mais uma vez, a cobertura do festival e deixamos aqui uma seleção dos 10 grandes eventos, iniciativas, filmes ou secções que não podes mesmo perder nesta 11ª edição de uma das mais luminosas celebrações da sétima arte em território português.

Podes ler as nossas recomendações especiais nas próximas páginas, usa as setas para navegares ao longo do artigo sem dificuldade.

 




Retrospetiva ISABELLE HUPPERT

 

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A atriz francesa mais celebrada da atualidade, que inclusive foi nomeada para um Óscar este ano, Isabelle Huppert é a convidada principal do 11º LEFFEST. Em sua honra, será feita uma mostra fotográfica intitulada WOMAN OF MANY FACES no Museu das Artes de Sintra, onde serão expostas mais de cem fotografias e vídeos da atriz.

Para além disso, vai ser feita uma grande retrospetiva dos seus filmes, onde se incluem cerca de 25 títulos. Alguns deles são clássicos como “Uma Questão de Mulheres” de Claude Chabrol, outros são triunfos mais obscuros como “Saint-Cyr” de Patricia Mazuy, e outros ainda são filmes recentes que ainda não tinham anteriormente chegado aos cinemas portugueses. Esses dois títulos inéditos são “Souvenir”, um filme de Bavo Defurne em que Huppert interpreta uma antiga diva da Eurovisão, e “A Câmara de Claire”, uma das três delícias cinematográficas com que o coreano Hong Sang-soo veio a dominar os festivais de cinema europeus deste ano.

Huppert estará presente durante vários dias do festival e irá participar em Q&As no seguimento de alguns visionamentos, apresentará outros e talvez ainda se envolva noutras atividades do festival. Outras retrospetivas planeadas para o 11ª LEFFEST incluem homenagens a Abel Ferrara, Julian Schnabel, Alain Tanner, João Mário Grilo, José Vieira e Peter Brook.

 

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Os êxitos de CANNES chegam a Portugal

 

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Como já é tradição do LEFFEST, o festival de Paulo Branco traz a Portugal alguns dos maiores sucessos dos grandes festivais de cinema que deliciaram a cinefilia europeia durante o resto do ano. Como sempre, a presença da seleção de Cannes é de particular destaque, tanto dentro como fora da competição oficial deste festival português.

Dentro da secção competitiva temos sete títulos. “O Dia Seguinte” de Hong Sang-soo esteve mesmo na competição principal da Croisette mas saiu do festival francês sem nenhum prémio. Em contraste, “Lerd” e “Tesnota” foram dois dos grandes vencedores da secção paralela Un Certain Regard, e o italiano “A Ciambra” ganhou o prémio Label Europa Cinemas. “Frost”, “Western” e “How to Talk to Girls at Parties” são outros títulos de Cannes que conquistaram a crítica e agora vão competir pelos principais prémios do LEFFEST.

Fora da Competição incluem-se muitos outros títulos estreados originalmente em Cannes, mas o grande destaque é, sem dúvida, “O Quadrado”. Este filme do sueco Ruben Östlund valeu-lhe a tão desejada Palme d’Or e será brevemente distribuído comercialmente no nosso país. Para além disso, esta acídica sátira do mundo da arte e dos museus foi escolhida pelo seu país para competir pelo Óscar de melhor Filme Estrangeiro e muitos especialistas já o apontam como um dos favoritos a ser nomeado.

 

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“LUCKY” e o adeus a Harry Dean Stanton

 

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A morte de Harry Dean Stanton este ano marcou uma imensa perda para a sétima arte, sendo que o ator era um dos mais importantes nomes na história do cinema independente e de autor americano das últimas quatro ou cinco décadas. “Lucky” é um dos seus derradeiros filmes e um bom tributo ao seu legado.

Na verdade, o filme parece ter sido quase criado como uma reflexão sobre a morte do ator, refletindo sobre temas pesados como a mortalidade, ao mesmo tempo que referencia algumas imagens icónicas dos filmes de Stanton, como alguns westerns revisionistas, as loucuras desérticas de David Lynch e a América através dos olhos de Wim Wenders em “Paris, Texas”.

Para além de tudo isso, este filme marca a estreia do ator John Carrol Lynch atrás das câmaras e foi um dos filmes mais aclamados na edição deste ano do Festival de Locarno, onde competiu pelo Leopardo de Ouro. Tal como todos os filmes em competição do LEFFEST, “Lucky” vai ser apresentado tanto em Lisboa, no Cinema Medeia Monumental, como em Sintra, no Centro Cultural Olga Cadaval.

 

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Foco ILDIKÓ ENYEDI

 

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Ildikó Enyedi tem sido uma das mais fascinantes vozes do cinema da Europa de Leste desde que se estreou no panorama das longas-metragens em 1985. É certo que o seu percurso não tem sido muito mediático, mas a cineasta húngara tem na sua filmografia algumas verdadeiras obras-primas que merecem ser redescobertas.

Dos seus trabalhos mais antigos, o LEFFEST vai exibir dois filmes. “O Meu Século XX” ganhou a câmara de Ouro no Festival de Cannes de 1989 e continua a ser Magnum Opus desta realizadora, apesar de ter vindo a ser muito injustamente ignorado e menosprezado ao longo dos anos. “Simon, mágus”, originalmente apresentado em Locarno em 1999, é uma reveria surrealista e provavelmente a obra mais ambiciosa da cineasta.

“Corpo e Alma” é uma história de amor com um bizarro pano de fundo – um matadouro. Trata-se também do maior sucesso da realizadora até ao momento e da obra que lhe valeu o Urso de Ouro na Berlinale deste ano.

 

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Futuros filmes dos ÓSCARES

 

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Alguns dos filmes que os especialistas têm estado a prever como favoritos para os Óscares do ano que vem vão marcar a sua estreia em território português no LEFFEST. Tratam-se de alguns dos projetos mais falados do ano no panorama do cinema de prestígio e certamente irão conquistar grandes admiradores em Lisboa e Sintra.

“A Hora Mais Negra”, por exemplo, é o filme que muitos já veem como o imparável vencedor do Óscar de melhor Ator graças à prestação camaleónica e muito vistosa de Gary Oldman como Winston Churchill. O LEFFEST também tem o prazer de apresentar um dos grandes favoritos aos Óscares de Melhor Atriz, Ator Secundário e até filme, “Três Cartazes à Beira da Estrada”. Este drama com rasgos de comédia negra e violência lacerante é uma montra para os talentos de Frances McDormand e já arrecadou um prémio pela excelência do seu Argumento no festival de Veneza.

Outros títulos a salientar como possíveis filmes dos Óscares incluem a primeira colaboração entre Woody Allen e Kate Winslet, “Roda Gigante”, a estreia de Aaron Sorkin na cadeira de realizador, “Jogo da Alta Roda”, e o mais recente sucesso humanista de Richard Linklater, “Last Flag Flying”.

 

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“CALL ME BY YOUR NAME” de Luca Guadagnino

 

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Por falar em esperançosos dos Óscares de 2018, “Call Me By Your Name” de Luca Guadagnino tem sido um dos filmes mais aclamados do ano desde a sua estreia no festival de Sundance em janeiro. Esta adaptação do romance homónimo de André Aciman é apontada como um possível favorito numa série de categorias, algo que seria impensável antes do triunfo de “Moonlight”. Afinal, este é um romance entre dois homens que inclui cenas tão arriscadas como uma instância em que o protagonista se masturba com um pêssego.

Acima de tudo, é um soberbo filme, uma exploração sensualista do fulgor do primeiro amor, sua glória, intensidade e melancolia inerente à lembrança tão dolorosa quão preciosa. Os atores, em particular, navegam os jogos de desejos silenciosos do texto com impressionante destreza e, quando a situação assim exige, desfazem-se em epítetos de vulnerabilidade calcinante.

Por muito exemplar que Armie Hammer seja no papel de um charmoso estudante universitário americano, Timothée Chalamet e Michael Stuhlbarg protagonizam o melhor momento do filme, uma inesperada conversa entre pai e filho sobre a preciosidade da emoção. Desafiamos os nossos leitores a verem e experienciarem esta obra sem nunca uma lágrima lhes humedecer a vista.

 

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Filmes Restaurados: PRESERVAR A MEMÓRIA DO CINEMA

 

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Como já demos a entender, quando referimos as várias retrospetivas do LEFFEST, o cinema recente não é o único a ser celebrado neste festival. Aliás, alguns dos títulos que mais farão a delícia de cinéfilos devotos encontram-se numa secção especial de filmes restaurados em 4K que vão ser projetados ao longo das festividades.

No total são seis filmes que vão ser apresentados e aqui gostaríamos de destacar dois. Primeiro, temos “A Bela de Dia”, cuja projeção irá contar com a presença do seu argumentista, o célebre escritor e intelectual francês Jean-Claude Carrière. “O Sol do Marmeleiro” é o outro título merecedor de especial destaque pois trata-se da terceira longa-metragem de um dos maiores cineastas de Espanha, Victor Érice. É também um filme que, até agora, tem apenas estado disponível em edições DVD e películas bastante danificadas e de qualidade criminalmente baixa, quando consideramos que esta é uma obra em parte sobre o êxtase do trabalho de um pintor e sua cuidadosa observação da luz.

“1900” de Bernardo Bertolucci, “Blow-Up” de Michelangelo Antonioni, “Break-Up” de Marco Ferreri e “O Exorcista” de William Friedkin são os restantes títulos desta secção especial do LEFFEST ‘17.

 

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PETER BROOK no D. Maria

 

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O britânico Peter Brook é uma das vozes mais importantes na história do teatro do último século, para além de ser também um extraordinário cineasta, cujo trabalho merece ser reapreciado e redescoberto. Os seus filmes vão ser todos apresentados numa retrospetiva, enquanto o seu mais recente projeto teatral vai ser apresentado em Lisboa.

No teatro Nacional D. Maria II, Brook vai encerrar a digressão mundial de “Battlefield”, apresentado somente nos dias 23 e 24 de novembro, pelas 21h00. O espetáculo marca o regresso do encenador ao poema épico indiano “Mahabharata”, que já esteve na base de uma encenação de nove horas de 1985, assim como de um filme que também será exibido no LEFFEST ’17.

Como já havíamos previamente mencionado, “Battlefield” não é o único espetáculo teatral do LEFFEST. “Ensaio para uma Cartografia” de Mónica Calle estará no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, nos dias 17 e 18 de novembro.

 

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CINEMA PORTUGUÊS em competição

 

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Verão Danado” é o único filme português na competição oficial desta edição do LEFFEST e é uma obra que já vem premiada do Festival de Locarno deste ano. Trata-se do primeiro filme, não só do realizador Pedro Cabeleira, como de muitos dos atores e outros profissionais que nele colaboraram.

Seguindo Chico, um protagonista jovem e sem rumo na vida, o filme leva os espetadores numa viagem à euforia amorosa e hedonismo psicadélico das noites da Lisboa contemporânea, onde uma geração se sem expetativas se anestesia através da constante rendição epicúria.

A cidade de Lisboa também estará em destaque noutros filmes do LEFFEST, nomeadamente em “A Cidade Branca” do suíço Alain Tanner, que será exibido com apresentação de Paulo Branco no último dia das festividades.

 

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Simpósio Internacional: PODE A ARTE SER AINDA SUBVERSIVA?

 

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Com movimentos como o futurismo, o dadaísmo, surrealismo, entre outros, o século XX fez da subversão uma parte quase essencial da expressão artística. No entanto, será que hoje em dia a arte ainda pode ser subversiva? É essa a questão proposta pelo simpósio internacional desta edição do LEFFEST.

Com curadoria de Marie-Laure Bernadac, encarregada da arte contemporânea do Museu do Louvre, e do crítico de arte e professor de Estética Bernard Marcadé, o simpósio terá lugar no Centro Cultural Olga Cadaval nos dias 24 e 25 de novembro. Os restantes convidados serão o músico Adolfo Luxúria Canibal, o fotógrafo Antoine d’Agata, a cineasta Bette Gordon, a fotógrafa e artista de performance Deborah de Robertis, o crítico Donatien Grau, a filósofa e historiadora Geneviève Fraisse, a jornalista e produtora Laure Adler, o escritor e ator Noel Godin e a atriz e encenadora Raquel André.

Para complementar o simpósio, será apresentada uma cuidada seleção de filmes relacionados com a questão principal proposta por esta iniciativa.

 

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Fica atento para não perderes nada da cobertura do LEFFEST ’17 pela Magazine HD! O festival começa já no dia 17 deste mês, sexta-feira. 

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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