Viúva Negra | © Marvel Studios 2021

Viúva Negra, em análise

Foi preciso a saga de Vingadores acabar para a história de Viúva Negra ser conhecida no grande ecrã. Valerá a pena? Ou será uma aposta perdida da Marvel? 

Parece vir fora de tempo e apesar de se apresentar como o primeiro filme da Fase 4 do MCU, “Viúva Negra” é mais um fecho do capítulo anterior. Pelo menos é essa a nossa visão, já que ele próprio tem lugar, em termos de timeline, entre “Capitão América: Guerra Civil” e “Vingadores: Guerra do Infinito”, ainda que acabe com uma ponte que nos vai levar, mais do que aos filmes, às séries originais da Marvel que já começaram a chegar à Disney+ (e prometem continuar).

Viúva Negra (Black Widow)
Scarlett Johansson regressa uma vez mais para ser Natasha Romanoff/Viúva Negra | © Marvel Studios 2021

[NOTA: A partir daqui poderão existir spoilers]

Como qualquer boa história de origem, a de Natasha Romanoff, interpretada novamente por Scarlett Johansson, remete-nos à sua infância, mas a verdade é que pouco revela sobre como se tornou efectivamente a Viúva Negra. Ainda que a jornada individual não seja focada, o argumento não deixa nada ao acaso e explica ao longo do filme a origem da organização que a “criou”, assim com as restantes Viúvas, uma elite de assassinas treinadas, e o duro treino a que elas estão sujeitas (dando assim uma ideia do percurso de Natasha).

Mas “Viúva Negra” não é apenas um filme de origem, já que tem uma história com um foco maior na vertente humana desta, e na complicada teia que conseguem ser as relações familiares.

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“Viúva Negra” apresenta-nos a primeira família de Natasha, antes dos Vingadores.  Num cenário aparentemente perfeito, com uma irmã mais nova e dois pais dedicados, percebemos desde cedo que ela é um peão de uma empresa com interesses sombrios. Mas a introdução é breve, já que rapidamente somos levados ao “presente”, para os momentos após a fuga dos Vingadores num pós-Acordos de Sokovia, em que Viúva Negra e Capitão América se encontram em fuga.

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No entanto, há de realçar que o filme nos dá as respostas a algumas perguntas levantadas ao longo de vários filmes. Percebemos finalmente como é que Natasha chegou à S.H.I.E.L.D., os seus motivos e até um insight sobre o famoso momento de Budapeste tantas vezes referido entre ela e Hawkeye. Mas, talvez por serem apontamentos dados ao longo do filme, é importante perceber que a história dela é contada por via da interação com as outras personagens mais secundárias, que ajudam em muito a avançar com a acção do filme.

Black Widow Viúva Negra
Yelena, Alexei (Red Guardian) e Natasha Romanoff | © Marvel Studios 2021

E como é que as personagens secundárias ganham protagonismo? Pelos diálogos, pelo tempo de ecrã e pelo exímio casting que lhes permitiu incorporar as personagens, trazer uma nova dinâmica à Marvel e darem a entender aos olhos do público que já estão cá muito tempo.

O modo como Florence Pugh, Rachel Weisz e David Harbour entram em cena como Yelena, Melina e Alexei/Red Guardian é de importante relevo porque conseguem dividir tempo de ecrã com Scarlett Johansson e puxar para si grande atenção. Seja pelas piadas, pelo modo de estar, sem soarem pretensiosos ou super-heróis (nem mesmo a personagem de Red Guardian), e por serem tão “humanos” e relacionáveis.

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E, ainda que este filme seja de Scarlett, há que destacar a performance de Florence Pugh. Também ela uma Viúva, Yelena, é impetuosa, reactiva e, na sua essência e coração, uma Vingadora que tem no seu íntimo valores estabelecidos e sonhos a alcançar, ainda que seja uma assassina profissional. Mas é a sua credibilidade no papel que eleva Florence Pugh como a grande surpresa do filme e talvez o maior destaque. Ninguém fica indiferente à sua presença e não, ela não sai daqui recordada como a “irmã mais nova” de Natasha, mas como a próxima Viúva em destaque.

Black Widow
Florence Pugh já conquistou os fãs da Marvel | © Marvel Studios 2021

Afastando-nos porém da vertente humana, há que destacar que a realizadora, Cate Shortland, não se esqueceu da acção inerente a um filme Marvel; fomos presenteados com sequências de acção tão bem pensadas como executadas e coreografadas. E se as cenas de luta de Scarlett Johansson foram um vislumbre para os olhos, também as que envolveram Taskmaster (que nós aqui não iremos revelar de todo a sua identidade) foram um deleite para os fãs do género, ou não fossem visíveis as breves homenagens a vários super-heróis do MCU. Esses easter eggs, juntamente com outros do final, como a roupa de Natasha Romanoff e o novo corte de cabelo, uma alusão directa ao seu regresso em “Vingadores: Guerra do Infinito“, acabam por ser as peças essenciais para enquadrar a história numa já longa jornada de filmes.

Viúva Negra
Taskmaster | © Marvel Studios 2021

“Viúva Negra” sempre teve potencial e melhor que saber isso é perceber que a Marvel não deixou esse potencial fugir mesmo com o término da saga dos Vingadores. Enquanto um dos membros originais do grupo, este filme era-lhe há muito devido e serve para concluir um legado que começou com “Homem de Ferro 2”. Natasha Romanoff é uma super-heroína pela sua perseverança, sem nenhum poder e com um coração que muitos não têm. O seu filme a solo consegue estar ao nível do universo Marvel, mesmo sem a presença de nenhum super-herói já conhecido.

[Alerta Spoiler] CENA PÓS-CRÉDITOS

Black Widow
“Viúva Negra” é uma passagem de testemunho de Scarlett Johansson para Florence Pugh | © Marvel Studios 2020

A única ligação que encontramos para a Fase 4 é a cena pós-créditos. Com Florence Pugh em destaque como Yelena, a cena é a despedida “formal” à personagem de Natasha Romanoff/Viúva Negra, um adeus sentido e ao qual nunca tivemos direito em “Vingadores: Endgame” (e que a própria Scarlett Johansson já afirmou em entrevistas ser o final que precisava). Mas, a despedida passa para segundo plano quando vemos Valentina (Julia Louis-Dreyfus), a mesma personagem de “Falcão e o Soldado de Inverno” e cuja aparição original seria apenas neste filme. A verdade é que a forma como foi filmado não alterou em nada o sentido mas volta a realçar a importância deste universo – nesta altura, se não virmos os filmes não percebemos as séries mas também, se não deitarmos um olho às séries parece-nos que vamos começar a perder referências dos filmes. No entanto a pergunta é.. qual o significado desta cena? Bem, à partida tudo parece indicar que as portas estão abertas para mais Florence Pugh como Yelena, e que há um possível rumo de novos inimigos dos Vingadores (Valentina nomeadamente). Para além da clara alusão à próxima série Marvel/Disney+, “Hawkeye“.

Já viste “Viúva Negra”? Ficaste surpreendido(a) ou desiludido(a)?

Viúva Negra, em análise
Viúva Negra

Movie title: Viúva Negra

Movie description: Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra, terá de confrontar as partes mais sombrias da sua história quando surge uma conspiração perigosa ligada ao seu passado. Perseguida por uma força que não vai parar enquanto não a destruir, Natasha vai ter que lidar com o seu passado como espiã e com as relações que deixou para trás muito antes de fazer parte da equipa dos Vingadores.

Date published: 8 de July de 2021

Country: EUA

Duration: 2h15

Director(s): Cate Shortland

Actor(s): Scarlett Johansson, Florence Pugh, David Harbour, Rachel Weisz, O-T Fagbenle, Ray Winstone, William Hurt

Genre: Acção, Aventura, Super-heróis, Espionagem

  • Marta Kong Nunes - 80
  • Maggie Silva - 65
  • Inês Serra - 80
75

CONCLUSÃO

Ainda que não afecte de todo o que já conhecemos do MCU, “Viúva Negra” destaca-se não apenas por ser uma história de origem mas também uma história mais focada na “parte humana”. Natasha Romanoff não é uma super-heroína por um poder em particular; ela é produto de trabalho, de treino e de mentes “vilãs” à falta de melhor expressão. E o filme pretende retratar isso mesmo: a pessoa que Natasha é, ao invés da super-heroína dos Vingadores, e como é que as dinâmicas familiares têm impacto nas escolhas individuais. É uma história de origem diferente, mais real e mais perto do coração de alguns, mas ao mesmo tempo um ponto de partida para uma nova geração da Marvel com a introdução de uma nova Viúva.

Pros

  • A forma como contextualizaram o passado de Natasha/Viúva Negra
  • Os easter eggs de situações apontadas ao longo dos filmes e que nunca haviam sido explicados (p.e.: o que aconteceu em Budapeste) ou referências subtis a outros super-heróis
  • A dinâmica da “família” de Natasha Romanoff
  • A introdução de Florence Pugh ao universo MCU

Cons

  • Ter sido apresentado “tão fora” de tempo dos outros filmes dos Vingadores
  • Uma história de origem que explicou o que aconteceu mas não mostrou, focando-se nas memórias e no diálogo
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Marta Kong Nunes

Fanática de cinema e séries por pura paixão, sou da geração Disney mas também das Tartarugas Ninjas, Motoratos e afins. Já passei pela obsessão de vários géneros de cinema e apesar de me considerar eclética, nada me tira o gozo de um bom filme de acção (por muito irrealista que seja). Séries também se devoram por cá, mas a magia de um filme, será sempre a magia de um filme!

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