5 Pesadelos Essenciais de Wes Craven

 

Wes Craven faleceu ontem, aos 76 anos, mas o seu legado de continuará a povoar os nossos mais intensos pesadelos. As pernas vão continuar a tremer, os nervos vão estar à flor da pele e a voz vai permanecer rouca… porque o seu espírito vai continuar a querer ouvir-nos gritar.

Sem nenhuma ordem particular, eis os cinco filmes obrigatórios da filmografia de um dos nossos maiores Maestros do Terror.

 

RED EYE (2005)

redeye

Começamos no seio de controvérsia – Red Eye é manifestamente uma obra divisiva. Com quase tantas críticas negativas quanto positivas, o thriller do séc. XXI de Wes Craven merece reconhecimento por várias valências que se exibem a seu favor. Com 85 minutos e uma ausência notada de efeitos visuais (o que é atualmente praticamente impensável), Red Eye é incrivelmente pragmático e económico. Mas sobretudo, é diferente. Longe vão os assassinos espalhafatosos com marcas distintas. Aqui trata-se de uma exploração profunda do peso do jogo psicológico e daquilo que nos amedronta na vida real. E quando o medo se personifica na figura do fenomenal (e sempre subestimado) Cillian Murphy, não temos como recusar o convite.

 

OS OLHOS DA MONTANHA (1977)

hills

Quando uma família segue viagem a caminho da Califórnia, algo inesperado acontece: o carro avaria e subitamente encontram-se perdidos numa zona do deserto do Nevada habitada por um peculiar clã de selvagens violentos. É este o setting do segundo filme de Wes Craven, que veio a tornar-se, como tantos outros, um absoluto clássico de culto. Apesar de ser possivelmente o filme desta lista que pior envelheceu (e que, ousamos dizer sem medos, talvez tenha ganho pontos em diversas frentes práticas com o remake de 2006 de Alejandro Aja), é ambicioso e de ideias fortes, colhendo inspiração estilística (e bem sangrenta) d’ O Massacre do Texas (1974) de Tobe Hooper. Exibindo orgulhosamente o crachá da ultraviolência do cinema de terror dos anos 70, Os Olhos da Montanha é uma alegoria irónica e imperdível na obra do realizador.

 

GRITOS (1996)

scream

Não abras a porta. Não saias de casa. Não atendas o telefone. Mas sobretudo… não grites. Foi assim que Gritos se apresentou ao mundo, vindo de algum lugar que começávamos a esquecer que existia. Como já o tinha feito antes, Wes Craven reinventou o sub-género slasher e gerou uma implosão dentro da cultura pop. Aqui estava um filme de terror tão pronto a esventrar jovens vítimas como a desconstruir e satirizar o próprio género. Autoconsciente e disposto a fazer referência a tantos outros clássicos, Gritos não só foi incrivelmente inteligente e estrategicamente divertido, como verdadeiramente aterrorizador. Edificando com a ajuda de Neve Campbell a Ellen Ripley das sobreviventes dos filmes de terror, foi também o grande responsável do ressurgimento do terror mainstream em meados dos anos 90.

 

A ÚLTIMA CASA À ESQUERDA (1972)

lasthouse

Assumidamente inspirado pel’ A Fonte da Virgem (1960) de Ingmar Bergman e pelas barbaridades cruas da Guerra do Vietname, Wes Craven deu o pontapé de saída na sua carreira de realização com um brutal murro no estômago das audiências insuspeitas. Com a colaboração de Sean Cunningham (que mais tarde viria a criar o icónico Sexta-Feira 13) e com um orçamento baixo e uma natureza ultraviolenta, A Última Casa à Esquerda é um dos inequívocos clássicos do terror de exploitation e a prova viva de que as observações político-sociais sempre interessaram ao realizador.

 

PESADELO EM ELM STREET (1984)

wes craven

Não havia verdadeiramente outra forma de concluir esta lista. Foram quase duas décadas de sucesso explosivo e inesperado do cinema de terror mainstream. Com Exorcista, Alien, Tubarão, Massacre no Texas, Halloween, Suspiria, Sexta-Feira 13, Evil Dead, Poltergeist e tantos outros, parecia que todos os nossos medos tinham sido, de alguma forma, cobertos pela sétima arte. Mas mergulhando nas profundezas dos temores mais escondidos, Wes Craven almejou mais do que o habitual salto da cadeira e atacou de frente o berço do medo: os pesadelos. Assim nasceu Freddy Krueger, um dos mais icónicos monstros do terror, tão marcado pelas cicatrizes do fogo que o formaram como pela personalidade teatral e distinta de todos os outros serial killers do género. É, sem grande margem para dúvidas, o filme mais importante da carreira do realizador, mas também o maior responsável por muitas noites mal dormidas deste lado. Obrigadinha pelos pesadelos, Wes.

 

Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *