Nuno Lopes em "Causa Própria" (2022) ©Arquipélago Filmes

Causa Própria, primeiras impressões

Depois da incrível estreia da série policial “Sul”, a RTP continua o excelente trabalho ao nos trazer a série judicial “Causa Própria”. Com o protagonismo de Margarida Vila-Nova e Nuno Lopes, João Nuno Pinto na realização e a escrita dos autores de “Sul”, esta série promete ser um caso de televisão com drama e mistério de nos deixar a perseguir respostas semanalmente.  

A RTP continua a apostar em material nacional de qualidade e em 2022 tem planeado o ambicioso objetivo de estrear 12 séries de ficção. “Causa Própria” é a primeira dessas estreias, uma série de drama e crime, que estreou a 5 de Janeiro na RTP1, com antestreia na RTP Play um pouco mais cedo nesse mesmo dia.

A ideia para a série surgiu de um guião de Edgar Medina (“Cartas da guerra“) e Rui Cardoso Martins (“Herdade”, “A Espia”), e inspirou-se no livro de Martins, “Levante-se o Réu”. Nesta obra, recupera-se uma antiga crónica para o jornal Público e contam-se as histórias compiladas com pessoas reais e de crimes verdadeiros, que passaram pelos tribunais portugueses. Os dois escritores já tinham colaborado na série de sucesso “Sul”, estreada em 2019 também na RTP1, revelando assim experiência na narrativa criminal. De fato, “Sul” foi reconhecida nacional e internacionalmente pela crítica, ganhou o Prémio Sophia de Melhor Série portuguesa desse ano e foi equiparada às séries de topo produzidas mundialmente. Os elogios dessa série focaram-se nas conquistas tanto técnicas como narrativas, afirmando-se mesmo como “um marco no audiovisual português”.

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O realizador escolhido foi João Nuno Pinto, vencedor de prémios na realização pelos seus trabalhos em “Mosquito” e “América”. Com a produção ao encargo da Arquipélago Filmes e a distribuição, como já referido, pela RTP. A banda sonora foi definida pelo norte-americano Justin Melland, que já tinha colaborado com Nuno Pinto em “Mosquito”. Margarida Vila-Nova e Nuno Lopes lideram o elenco, que incluem ainda as estrelas Ivo Canelas, Maria Rueff, Catarina Wallenstein, Adriano Carvalho, António Fonseca, Afonso Laginha e Sílvia Chiola.

Ao longo de 7 episódios, lançados semanalmente, “Causa Própria” tentará encontrar o culpado do homicídio violento, que veio abalar uma pequena cidade (com filmagens no concelho das Caldas da Rainha) e que confrontará uma juíza (Margarida Vila-Nova) com difíceis decisões que poderão afetar a sua família ou opor-se à Justiça.

Causa Própria, RTP
“Causa Própria” (2022) ©Arquipélago Filmes

Após uns minutos iniciais de aparente banalidade a série começa a ganhar ritmo e a trocar-nos as voltas, ao mesmo tempo que nos cativa e envolve. Com uma narrativa empolgante, que constrói um bom drama, envolto em mistério e suspense, a série consegue ainda introduzir alívio cómico, utilizando um humor subtil e refinado. Existe um foco no sistema judicial e criminal, mas as temáticas abordadas são várias e multifacetadas, trazendo uma grande riqueza à história. Bullying, homofobia, estereótipos e discriminação com base na aparência são alguns dos exemplos que a série explora.

A cinematografia é bela e cuidada, com filmagens que nem necessitam de falas para transmitir tudo o que se quer. Como afirma o ator Nuno Lopes, em relação aos paralelos entre os projetos nacionais e internacionais: “Começa a notar-se cada vez menos a diferença”.

Causa Própria, RTP
Nuno Lopes e Catarina Wallenstein em “Causa Própria” (2022) ©Arquipélago Filmes

Surgindo como uma mistura entre “True Detective” e o antigo programa de “O Juíz Decide”, a nova série criminal da RTP também evoca semelhanças com “Your Honor”, “Mare of Easttown” ou “Big Little Lies”. Todas estas séries disponíveis na HBO Portugal e que foram devoradas pela atriz Margarida Vila-Nova como preparação para “Causa Própria”.

Jogando contra a criação de Medina e Martins, está um certo desequilíbrio ao nível das performances de representação e uma expectativa, desejamos que infundada, de que o desenrolar do enredo seja uma repetição de tantas outras histórias do género.

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Esperamos assim que “Causa Própria” consiga estender bem a sua teia com subenredos interessantes e que o produto final nos surpreenda, enquanto somos entretidos ao longo do resto da temporada.

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Emanuel Candeias

Graduado em Hogwarts, foi head-boy de Ravenclaw. Aventurou-se durante uns tempos pela Middle-Earth e por Westeros, tendo feito grandes amizades na House Stark e com os elfos de Lothlórien. De forma a aprofundar os seus conhecimentos contactou grandes mentes como Doctor Banner, Doctor Strange e chegou mesmo a viajar com Doctor Who. Dedicou-se durante uma temporada a fortalecer a sua espiritualidade em Konoha, onde aprendeu com os mestres Goku e Naruto. Neste momento encontra-se perdido no Matrix. O seu sonho é vir a ingressar na Starfleet.

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