IDLES (foto de Tess Janssen)

NOS Alive 2019 | 9 razões porque vamos

A edição de 2019 do festival NOS Alive decorre a 11, 12 e 13 de Julho no Passeio Marítimo de Algés e tem como cabeças-de-cartaz The Cure, Vampire Weekend e The Smashing Pumpkins. Compilámos uma lista de nove concertos que nos levam ao festival (mais menções honrosas), assim como uma playlist com as nossas canções favoritas.

Sharon Van Etten | 11 Julho, Palco Sagres, 18.50

Sharon Van Etten (foto de Tristan Loper)

Inauguramos a edição de 2019 do NOS Alive com um aprazível final de tarde passado na companhia da cantautora norte-americana Sharon Van Etten, que nos vem apresentar o seu novo álbum de estúdio Remind Me Tomorrow, segundo melhor disco do ano (até agora) para a Magazine.HD. Sobre Remind Me Tomorrow, pronunciou-se assim a nossa Maria Pacheco de Amorim: “Remind Me Tomorrow descobre uma nova Sharon Van Etten, não reinventada, mas amadurecida. Se a instrumentação e forma composicional elegidas para exprimir a maturidade encontrada não são propriamente originais, são pelo menos adequadas para comunicar a força e energia que, contrariamente ao que tantas vezes se pensa, caracteriza a fase adulta da vida. Uma mudança de direcção relativamente ao esmerado e enlanguescente indie folk dos registos anteriores, que abre novas possibilidades numa estrada onde não falta espaço para crescer nem talento que o prometa.”

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Weezer | 11 Julho, Palco NOS, 19.20

Weezer (foto de David Lee)

Dezassete anos após o seu primeiro (e único) concerto em Portugal, no Super Bock Super Rock de 2002, os Weezer retornam a terras lusitanas, no âmbito da sua digressão europeia de verão. Amados por uns, odiados por outros, ninguém pode negar a relevância que álbuns de estúdio como os criticamente aclamados Blue Album (1994) e o Pinkerton (1996) tiveram, durante a década de noventa, numa geração ávida por música visceral e, simultaneamente, melodicamente contagiante. O idiossincrático quarteto de Los Angeles traz na bagagem canções memoráveis, nada politicamente corretas e, acima de tudo, merecedoras do Palco NOS, naquele que será, certamente, um dos concertos mais controversos da edição de 2019. Imperturbados por (expectáveis) opiniões negativas, Rivers Cuomo e a sua banda limitar-se-ão a fazer aquilo a que nos têm habituado: dar um espetáculo em grande, jovial, porém tecnicamente aprimorado, capaz de deliciar o público que cresceu com a sua música, assim como os novos fãs.

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Ornatos Violeta | 11 Julho, Palco NOS, 20.45

Ornatos Violeta

Para muitos portugueses, os Ornatos Violeta e os seus dois álbuns de estúdio, Cão! (1997) e O Monstro Precisa de Amigos (1999), são o retrato da indústria da música nacional, durante a década de noventa, no seu auge criativo. A banda liderada pelo excêntrico Manel Cruz volta aos palcos para celebrar o vigésimo aniversário do seu segundo disco e presentear os fãs que não tiveram oportunidade de marcar presença num dos oito concertos dados em 2010, aquando da comemoração dos vinte anos da sua formação. E que melhor presente que não uma performance integral, no Palco NOS do NOS Alive, de O Monstro Precisa De Amigos, o magnum opus dos Ornatos Violeta, quer a nível comercial, quer na recepção crítica. Mal podemos esperar por escutar ao vivo canções sempiternas como “Chaga”, “Ouvi Dizer” e “Capitão Romance (Aventuras no Mundo, Cap. I – Rumo à Verdade)”, a célebre colaboração do grupo portuense com o rosto dos Violent Femmes, Gordon Gano.

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Mogwai | 11 Julho, Palco NOS, 22.30

Mogwai

Relativamente à performance dos Mogwai na edição de 2019 do NOS Alive, o nosso único receio é o de que a acústica do palco NOS não cumpra o nível exigido pela distorção das guitarras eléctricas, as melódicas linhas de baixo, a pujante bateria e as dinâmicas musicais que caracterizaram, ao longo de duas décadas, a atmosférica sonoridade da banda escocesa de pós-rock. Sob condições favoráveis, o espetáculo ao vivo planejado pelo quarteto será, indubitavelmente, um dos destaques do festival. Um incessante balanceamento entre o céu, as paisagens sonoras serenas e enternecedoras, e o inferno, a tempestade instrumental e o ruído branco desconcertante.

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The Cure | 11 Julho, Palco NOS, 00.30

Robert Smith dos The Cure (foto de Bill Ebbesen)

A veterana e extremamente prestigiada banda britânica é cabeça de cartaz da primeira noite da edição de 2019 do NOS Alive. Liderados pelo sempre carismático Robert Smith, os The Cure preparam-se para lançar o seu primeiro disco em mais de uma década, adicionando, deste modo, um novo registo a uma respeitável e consistente carreira na indústria da música, que já dura há quarenta anos. Prevemos um inesquecível e musicalmente eclético alinhamento de cerca de duas horas, alicerçado, sobretudo, nos treze álbuns de estúdio editados pela banda até ao momento e, consequentemente, num ponto de equilíbrio entre a performance de êxitos da música pop como “In Between Days”, “Why Can’t I Be You?” ou “Just Like Heaven” e de deep cuts como “Last Dance”, “Want” ou “39”. O instrumental, ora taciturno e melancólico, ora dançável e exultante, associado às letras consternadas, existencialmente sofredoras, de Robert Smith, deleitarão todas as gerações presentes no festival, desde os miúdos aos mais graúdos, naquele que será um (possível) final de noite perdido entre a introspecção e a livre partilha de emoções. Afinal, esta é a “banda de uma vida” para muitos fãs de música.

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Vampire Weekend | 12 Julho, Palco NOS, 23.00

Ezra Koenig dos Vampire Weekend (foto de Julio Enriquez)

Os cabeças de cartaz do segundo dia da edição de 2019 do NOS Alive, a banda nova-iorquina Vampire Weekend, vêm apresentar o seu mais recente longa-duração, Father of the Bride (2019), ao público português, no âmbito da digressão pela Europa e América do Norte, não esquecendo favoritas dos fãs como “A-Punk” e “Ya Hey”, canções inolvidáveis e autênticos hinos do indie rock. Sobre Father of the Bride, sétimo melhor disco do ano (até agora) para a Magazine.HD, pronunciou-se assim a nossa Maria Pacheco de Amorim: “Em Father of the Bride, Ezra Koenig dá-nos um novo capítulo da narrativa aberta na sua anterior obra prima de 2013. Do tu acusatório à pergunta pelo tu e ao acusar-se do eu, tem sido fascinante assistir ao crescimento deste rapaz e dos seus companheiros da Ivy League. Num álbum que habita a difícil fronteira entre a paródia pós-moderna e o puro mau-gosto, as referências multiplicam-se, o pastiche e a colagem sonora crescem, nem sempre na melhor direcção, e a lírica simplifica-se, às vezes em imagens de cartão do dia dos namorados. Mas o virtuosismo, o carisma e a sinceridade dos Vampire Weekend, colocados aqui ao serviço da história do aflorar da consciência pessoal, transfiguram a matéria-prima discutível num retrato franco e comovente do quotidiano que todos somos chamados a viver.”

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Rolling Blackouts Coastal Fever | 13 Julho, Palco Sagres, 17.45

Rolling Blackouts Coastal Fever

Com o lançamento do disco de estreia Hope Downs (2018), os australianos Rolling Blackouts Coastal Fever receberam aclamação generalizada (o single “Sister’s Jeans” foi a nossa décima-oitava canção favorita de 2018) e cimentaram a posição de “banda para manter debaixo de olho”, entre outros artistas promissores originários da land down under, como Camp Cope, The Goon Sax e Tropical Fuck Storm. A sua sonoridade, assentada nos ídolos do passado, caracterizada por guitarras pós-punk reminiscentes dos Go-Betweens e uma intensa, quase poética, sensação de afastamento e consecutivo reconhecimento, da descoberta de um porto seguro perante o temeroso desconhecido, frequentemente encontrada nas canções de heartland rock, inaugurará, da melhor forma, o último dia da edição de 2019 do NOS Alive e, certamente, conquistará um merecido lugar no coração da audiência.

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IDLES | 13 Julho, Palco Sagres, 20.30

IDLES (foto de Alexander Kellner)

Desde o lançamento de Joy As An Act of Resistance. (2018) que os IDLES têm vindo a ser frequentemente apontados pelo público e crítica especializada como uma das mais relevantes bandas punk rock do Reino Unido, notável pelos seus intensos concertos ao vivo e pela forte presença de palco, como ficou demonstrado no extraordinário evento esgotado no LAV – Lisboa ao Vivo, em Novembro, e que desejamos poder voltar a viver em solo nacional, desta feita no Palco Sagres do NOS Alive. O já mencionado segundo álbum de estúdio foi nomeado, pela Magazine.HD, como o décimo-quarto melhor do ano passado (e um de nós tem-lo como o seu disco favorito de 2018). Recordando a apreciação redigida pelo nosso Diogo Álvares Pereira aquando da publicação da lista dos vinte-e-cinco melhores álbuns de estúdio de 2018: “O hype justifica-se. Joy As An Act Of Resistance (…) é um álbum crucial no panorama do mundo actual. Os punks de Bristol combatem masculinidade tóxica, os perigos da isolação pós-Brexit definida, principalmente, por gerações que não estarão presentes para testemunhar os seus prejuízos a longo prazo, xenofobia, imprensa conservadora e a constante lavagem cerebral proporcionada pelos meios de comunicação públicos. Recorrendo a motivos de guitarra rápidos, intensos e imprecisos, os IDLES trazem de volta a sonoridade insurgente que alimenta o moche. A voz e melodias de Joe Talbot, urgentes e enraivecidas, aspiram por fraternidade no meio de tanta dor. Uma mensagem positiva e esperançosa, encoberta pela brutalidade da sua música. Um colossal “fuck you” dirigido a uma sociedade nefasta, singularizado, acima de tudo, por ironia, honestidade e um alegórico abraço caloroso colectivo.”

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The Smashing Pumpkins | 13 Julho, Palco NOS, 23.30

The Smashing Pumpkins (foto de Linda Strawberry)

Os Smashing Pumpkins, lendária banda de rock alternativo de Chicago, que atingiu o seu auge comercial e criativo, durante a década de noventa, com a edição dos criticamente aclamados Siamese Dream (1993) e Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995), dispensam apresentações. Alguns dos fãs que marcaram presença no mítico espetáculo ao vivo na Praça de Touros de Cascais, em 1996 (segundo Billy Corgan, um concerto que ficou gravado e que espera poder editar no futuro: “As pessoas que lá estavam disseram que foi a noite mais mágica a que assistiram da banda. Aconteceu algo ali.”), terão agora oportunidade de reencontrar três dos membros do alinhamento original da banda (Billy Corgan, James Iha e Jimmy Chamberlin), mais o guitarrista de longa data Jeff Schroeder, no palco NOS do NOS Alive. Prevemos um concerto tecnicamente exímio, que prescinde da ousadia em palco, em prol de prudência e profissionalismo, mas, acima de tudo, uma tocante homenagem aos anos noventa e ao público que, apaixonadamente, os viveu, executada por uma das bandas mais marcantes e influentes do género musical e do próprio período histórico.

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NOS Alive | Menções Honrosas

 

Pip Blom (foto de Paul Hudson)
  • Linda Martini | 11 Julho, Palco Sagres, 18.00
  • Hot Chip, 11 Julho, Palco NOS, 03.00
  • Pip Blom | 12 Julho, Palco Sagres, 17.45
  • Primal Scream | 12 Julho, Palco NOS, 19.50
  • Grace Jones | 12 Julho, Palco Sagres, 00.00
  • Cut Copy | 12 Julho, Palco Sagres, 02.40
  • Bon Iver | 13 Julho, Palco NOS, 21.20
  • Thom Yorke | 13 Julho, Palco Sagres, 00:00
  • The Chemical Brothers | 13 Julho, Palco NOS, 01.30

NOS Alive | Playlist

Diogo Pereira

Ex-Farmacêutico que envergou pela rota da Sétima Arte. Cinema, Música, Literatura e Filosofia são as minhas áreas de eleição (excepto quando joga o Sporting). Devaneador por natureza, abraço a ideia de que as grandes viagens se desenrolam no cerne do ser.

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