Rachel Weisz em "A Favorita" (2018)| © Fox Searchlight Pictures

Rachel Weisz, os filmes essenciais

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Rachel Weisz, uma das melhores intérpretes da sua geração, completou ontem, a 7 de março de 2020, 50 primaveras!

A atriz britânica – naturalizada norte-americana- começou a sua carreira na televisão, no início dos anos 90, e desde então construiu um invejável historial no cinema com papéis marcantes em longas-metragens como “O Fiel Jardineiro” (2005) ou “A Favorita” (2018).

Rachel Hannah Weisz nasceu em Londres, a 7 de março de 1970. É filha de uma terapeuta austríaca de raízes italianas e de um inventor húngaro de origem judaica. Os seus pais chegaram a Inglaterra no período imediato pré-Segunda Guerra Mundial, enquanto crianças, com o intuito de fugir ao regime nazi.

Aos 14 anos, Weisz começou uma carreira enquanto modelo e foi-lhe oferecido o papel de filha em “O Rei David”, sobre David, o segundo Rei da Israel unificada, em 1000 A.C. A jovem acabou por recusar o papel no filme de 1985 protagonizado por Richard Gere, o que atraiu atenção mediática para si.

Foi durante os seus estudos na Universidade de Cambridge – onde estudou Inglês e se formou com louvor- que colocou em prática a sua paixão pelas artes teatrais. Em Cambridge, co-fundou a companhia de teatro “Talking Tongues”, a qual viria a vencer um prémio no Edinburgh Festival Fringe  – um proeminente festival artístico. Apesar da sua longa jornada no cinema, Rachel Weisz continua a marcar presença no teatro como uma parte essencial do seu corpo de trabalho.

Ao longo da sua carreira cinematográfica, representou mulheres fortes e auto-determinadas, e nos últimos anos tem reforçado uma filmografia fora da norma e que intercala filmes de estúdio com papéis num circuito mais alternativo – trabalhando constantemente com realizadores de referência e escolhendo, com cada vez mais acentuada minúcia, as personagens a quem dá vida.

Hoje, comemoramos o seu aniversário com a recuperação dos filmes essenciais que marcam a sua carreira!

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BELEZA ROUBADA (1996) 

Beleza Roubada Rachel Weisz
Rachel Weisz em “Beleza Roubada” (1996) |©Fox Searchlight Pictures

Na primeira metade dos anos 90, Rachel Weisz iniciou a sua carreira com pequenos papéis em séries televisivas. Entre elas, séries de época como “The Advocates” (1991) ou “Scarlet and Black” (1993). O papel que mais notoriedade inicial lhe conferiu foi a interpretação teatral no West End da personagem Gilda, numa nova versão da peça “Design for Living” de Noël Coward (1995).

No cinema, o seu primeiro pequeno  papel foi no filme de terror britânico “Death Machine” (1994) – uma homenagem ao género e aos seus criadores.

Foi com “Stealing Beauty”, ou “Beleza Roubada”, de 1996, que começou a obter atenção por parte da crítica especializada. O filme do falecido Bernardo Bertolucci (“O Último Tango em Paris, “O Último Imperador”), protagonizado por Liv Tyler e Jeremy Irons, narra a história de uma jovem  que viaja para Itália à procura de respostas após o suicídio da sua mãe. Aqui, Rachel Weisz dá aqui vida a uma  personagem  secundária chamada Miranda.

Esta obra nomeada à Palma de Ouro inclui-se aqui não como grande interpretação de Weisz, mas antes como uma marca dos seus primeiros passos na ficção cinematográfica.


SWEPT FROM THE SEA (1997) 

Rachel Weisz em Swept from the Sea (1997)
Rachel Weisz em “Swept from the Sea “(1997) |©Pheonix Pictures

Ainda em 1996, depois de aparecer na obra de Bertolucci, Rachel Weisz participou, com um papel com mais peso, no filme de acção e ficção científica “Perseguição Diabólica” – no qual contracenou com Keanu Reeves e Morgan Freeman. 1997 foi um ano repleto, tendo sido co-protagonista da comédia dramática “Going All the Way” e dado vida a uma pequena personagem no drama histórico “Bent”.

1997 é, contudo, marcado pelo seu primeiro papel de protagonista em “Swept From the Sea”,  romance dramático de Beeban Kidron (“O Novo Diário de Bridget Jones). A narrativa, situada no final do século XIX, conta a história de um amor tórrido entre um emigrante russo misterioso e Amy Foster (Weisz), uma criada, numa história sobre preconceito munida de alguma magia A obra baseia-se no conto “Amy Foster”, de Joseph Conrad  – cuja obra inspirou também o magnífico “Apocalypse Now”. O filme conta ainda com prestações de grandes atores nos restantes papéis: Vincent Perez como o co-protagonista Yanko Gooral e os titãs Ian McKellen e Kathy Bates em papéis de apoio. 


A MÚMIA (1999) 

Rachel Weisz in The Mummy (1999) (1)
Rachel Weisz em “A Múmia” (1999) |©Universal Pictures

Depois de co-protagonizar, em 1998, “Mulheres em Tempo de Guerra” e no mesmo ano protagonizar o drama musical britânico “Laços Fatais”, e ainda a comédia desportiva inglesa “My Summer with Des”, Weisz tornou-se conhecida do grande público através da sua participação em “A Múmia”  – aventura de acção fantástica realizada por Stephen Sommers (“A Lenda do Livro da Selva”).

“A Múmia” não é um grande filme, mas é uma animada fantasia sobre um arqueólogo, Rick O’Connell  – interpretado por Brendan Fraser, que aqui desempenha o seu mais célebre papel – que acidentalmente acorda uma múmia –  Imhotep –  que semeia destruição enquanto procura a reencarnação do seu amor perdido. Weisz dá vida a Evelyn Carnahan, uma audaz e aventureira bibliotecária, que se torna o interesse romântico do protagonista da saga.  Em 2001 retomou o papel em “O Regresso da Múmia”, mas foi substituída por Maria Bello no capítulo de 2008 quando recusou o papel por falta de interesse no argumento. Uma decisão mais do que compreensível – e acertada- se considerarmos o reconhecimento crítico que a atriz tinha já conquistado nesta altura.


SUNSHINE (1999) 

Sunshine István Szabó
Ralph Fiennes e Rachel Weisz em “Sunshine” (1999)|©InterCom

Ainda em 1999, Rachel Weisz estabeleceu par romântico no grande ecrã com Ralph Fiennes pela primeira vez. O romance histórico dramático “Sunshine” estreou em setembro desse ano no influente Toronto International Film Festival. O filme é da autoria do primeiro realizador Hungaro a vencer um Óscar pelo drama histórico “Mephisto” – István Szabó. “Sunshine” foi nomeado a três Globos de Ouro, incluindo Melhor Drama, e narra a história de uma família judaica que reside na Hungria ao longo do século XX – ao longo de três gerações.

Esta narrativa acompanha a família dos seus princípios mais humildes, até à conquista de riqueza e poder, passando pela queda do império Austro-Hungaro como pano de fundo e pelas consequência do Holocausto. Esta co-produção épica, de três horas de duração, entre a Alemanha, Áustria, Hungria e Canada é um exemplo perfeito do equilíbrio entre cinema de autor e de grande estúdio que se concilia na perfeição ao longo da carreira de Rachel Weisz.


ERA UMA VEZ UM RAPAZ (2002) 

Era uma Vez um Rapaz
Hugh Grant e Rachel Weisz em “Era uma Vez um Rapaz” (2002) |©Universal Studios

Depois de “Sunshine”, Weisz participou numa comédia britânica pouco apreciada e em mais um drama histórico – “Inimigo às Portas”, do conceituado realizador francês Jean-Jacques Annaud (“Sete Anos no Tibete”).

Em 2002, entrou em “Era uma Vez um Rapaz”, ou “About a Boy” no original, uma bem amada comédia dramática britânica nomeada ao Óscar de Melhor Argumento Original, a qual conta a história de um fanfarrão irresponsável (Hugh Grant) que vai aprender muito com um menino com quem trava amizade (um maravilhoso Nicholas Hoult de 12 anos), o qual sofre com a depressão da sua mãe (uma memorável Toni Collette). 

Rachel dá vida a Rachel, interesse romântico de Will Freeman (Grant). Não sendo um dos três papéis centrais da narrativa, Weisz não deixa de marcar através da sua forte presença de ecrã, não nos permitindo esquecer a sua inclusão nesta bem intencionada narrativa.


CONSTANTINE (2005) 

Constantine 2005
Keanu Reeves e Rachel Weisz em “Constantine” (2005)| ©Warner Brothers

Depois de alguns papéis de co-protagonista em duas comédias e um thriller menos sonantes, Rachel Weisz deu vida à Detective Angela Dodson na fantasia de terror “Constantine”, realizada por Francis Lawrence (Saga “Hunger Games”, “Eu Sou a Lenda”). “Constantine” marca o regresso de Weisz aos grandes filmes de estúdio repletos de efeitos especiais. Neste conto negro, interpretou não uma mas duas personagens e teve a oportunidade de mostrar ao grande público uma nova faceta, embora os seus papéis de maior prestígio estivessem ainda por chegar.


O FIEL JARDINEIRO (2005) 

Ralph Fiennes e Rachel Weisz em The Constant Gardener (2005)
Ralph Fiennes e Rachel Weisz em “O Fiel Jardineiro” (2005) |©Focus Features

A década dos 00’s do século XXI foi sem dúvida determinante para a carreira da nossa aniversariante, especialmente a segunda metade. Com “O Fiel Jardineiro”, do afamado realizador brasileiro Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”), Rachel Weisz destacou-se e obteve a sua primeira nomeação e vitória nos Óscares. Para além de ter vencido Melhor Atriz Secundária na principal noite de Hollywood, venceu ainda o Globo de Ouro e o Screen Actor Guild Award na mesma categoria, entre inúmeras outras premiações.

O thriller dramático “The Constant Gardener” baseia-se no romance de John le Carré, e recupera a história de uma viúvo, Justin Quayle, interpretado por Ralph Fiennes, que procura desvendar a conspiração corporativa que se esconde para lá do homicídio da sua esposa, Tessa Quayle, magnificamente interpretada por Rachel Weisz.

Aqui se começa a traçar o historial de mulheres fortes e auto-determinadas que Weisz continuaria e continuará a interpretar nos anos vindouros.


O ÚLTIMO CAPÍTULO (2006) 

Rachel Weisz in The Fountain (2006)
Rachel Weisz em “O Último Capítulo” (2006) |©Warner Bros.

Em 2006, Rachel Weisz partilhou o grande ecrã com Hugh Jackman na nova obra do sempre polémico  Darren Aronofsky – na altura seu companheiro romântico. “The Fountain” é uma obra de ficção científica arrojada que dividiu público e crítica aquando do seu lançamento, mas que, passados alguns anos, se foi fundamentando como fenómeno de culto.

Aqui, a nossa homenageada entrega mais um papel marcante como Isabel Creo, desdobrando-se novamente em mais do que uma personagem numa narrativa que acompanha três histórias – uma no passado, outra no presente e uma terceira no futuro. Uma história sobre a busca de eternidade no amor. Mais uma proposta distinta da parte do génio tresloucado de Aronofsky, com um elenco capaz de suportar uma complexa teia de ideias e temporalidades. Weisz demonstra uma profundidade e inteligência emocionais notáveis neste papel.


VISTO DO CÉU (2009) 

Visto do Céu
Rachel Weisz em “Visto do Céu” (2009) |©Paramount Pictures

Em 2007, Weisz desempenhou um papel de apoio, mas marcante, na obra romântica melancólica de Kar-Wai Wong – “My Blueberry Nights – O Sabor do Amor” – protagonizada por Jude Law e Norah Jones.

Em 2008, continuou a prestar-se a algumas incursões no género da comédia romântica com “Para Sempre, Talvez…” e nesse mesmo ano fez parte do filme de elenco “Os Irmãos Bloom” – uma comédia de vigaristas realizada por Rian Johnson (“Knives Out”). No ano seguinte protagonizou “Agora”, aventura histórica situada na época do Império Romano. 

Ainda em 2009, chegou a sua interpretação poderosa num filme com um argumento fraco mas intérpretes exímios. “The Lovely Bones” ou “Visto do Céu”, em Portugal, conta a história de uma menina assassinada (Saoirse Ronan numa fase de ascensão pós “Expiação”)  que guia os seus pais a partir do além. Neste filme de Peter Jackson (“O Senhor dos Anéis”), Weisz dá vida à mãe, Abigail Salmon, num papel contido mas envolvente.


O PROFUNDO MAR AZUL (2011) 

O Profundo Mar Azul (2011)
Rachel Weisz em “O Profundo Mar Azul (2011)” |©Music Box Films

Depois de mais dois dramas criminais, um deles novamente com Meirelles e algumas participações televisivas, Rachel iniciou a segunda década do Século XXI com um dos seus papéis mais aclamados. “O Profundo Mar Azul”, um sucesso crítico e no circuito de festivais, onde a atriz brilha de forma inegável. O realizador, Terrence Davis (“Vozes Distantes, Vidas Suspensas”) procurou Weisz para o papel de Hester Collyer depois de a ter visto na obra “Swept from the Sea “, onde a reconheceu como um “incrível talento”.

“The Deep Blue Sea”, um filme pesado e sufocante, assenta na magnífica prestação de Weisz enquanto Collyer, a mulher de um juiz britânico que se vê envolvida numa paixão destrutiva com um piloto da Força Aérea. Apesar de assente numa premissa que pouco lisonjeia a figura feminina, o trabalho de Weisz é ainda assim assinalável.

Por este papel, a atriz foi nomeada para o Globo de Ouro na categoria de Melhor Atriz de Drama.


A LAGOSTA (2015) 

Weisz the lobster
Rachel Weisz em “The Lobster “(2015) |©Film 4

Depois de mais uma incursão no universo dos thrillers de acção com “O Legado de Bourne” (2012), Weisz co-protagonizou uma nova interpretação do mundo do Feiticeiro de Oz com “Oz: O Grande e Poderoso”, em 2013. O seu próximo grande papel chegaria, contudo, em 2015, com “A Lagosta” – obra que marca a sua primeira colaboração com o excêntrico Yorgos Lanthimos. A obra, uma visão fantástica e distópica de um futuro próximo, define um universo no qual as pessoas solteiras são obrigadas a encontrar um parceiro romântico em 45 dias ou submeterem-se a ser transformadas em animais selvagens e abandonadas nos bosques.

Esta hilariante e criativa comédia negra sobre a rigidez das normas sociais, protagonizada por  Colin Farrell, conta com Weisz num delicioso papel -“Short Sighted Woman”. Ela simboliza um sopro de irreverência e uma influência decisiva no destino da narrativa. Uma interpretação algo tosca – de forma intencional –  que veio consolidar, uma vez mais, a natureza camaleónica de Weisz. Nunca o surreal caiu tão bem…


A JUVENTUDE (2015) 

Rachel Weisz Youth
Rachel Weisz em “A Juventude” (2015) |©Indigo Film/ NOS Audiovisuais

Rachel Weisz continua a sua incursão de obras notáveis, trabalhando com alguns dos melhores realizadores no mercado cinematográfico – oriundos de toda a parte. Depois de trabalhar com o grego Lanthimos no seu primeiro filme em língua inglesa, entra na filmografia do também surreal  Paolo Sorrentino, um irreverente criador italiano – autor de “La Grande Bellezza” (2013).

“Youth” é um introspectivo drama musical, nomeado ao Óscar de Melhor Canção Original pela belíssima composição “”Simple Song #3”“. Nesta história sobre as férias nos Alpes de um condutor de orquestra reformado, Weisz é Lena Ballinger – filha do protagonista neste conto reflexivo sobre o peso do envelhecimento.


A LUZ ENTRE OCEANOS (2016) 

Rachel Weisz em A Luz Entre Oceanos
Rachel Weisz em “A Luz Entre Oceanos” (2016) |©DreamWorks

Em 2016, Weisz partilha o ecrã com Michael Fassbender e Alicia Vikander no drama romântico de época “The Light Between Oceans” – uma criação de Derek Cianfrance, autor do melancólico “Blue Valentine – Só Tu e Eu” (2010), um retrato impiedoso do final de um casamento. 

Neste “A Luz entre Oceanos”, adaptação do romance de  M.L. Stedman, a nossa aniversariante dá vida a Hannah Roennfeldt. Representa aqui, com naturalidade e intenção, uma figura marcada pela dor e pelo trauma. Uma vez mais, é no elenco deste melodrama que se encontra o seu maior trunfo. E se Weisz não é a interprete que mais nos consome neste filme, a sua presença nesta narrativa sobre uma ilusória vida idílica a dois é imprescindível.


MY COUSIN RACHEL (2017) 

Rachel Weisz e Sam Claflin em My Cousin Rachel (2017) (1)
Rachel Weisz e Sam Claflin em “My Cousin Rachel”(2017) |©Fox Searchlight Pictures

Ainda em 2016, Weisz protagonizou mais uma narrativa histórica , “Negação”, sobre Deborah Lipstadt, uma historiadora norte-americana incumbida da árdua tarefa de se envolver numa batalha jurídica contra David Irving – um negador ativo do Holocausto.

Já em 2017, entregou duas fortíssimas prestações que a começaram a singularizar cada vez mais na indústria cinematográfica (especialmente a segunda). Começamos por falar sobre o romance gótico “My Cousin Rachel“, não estreado nas salas de cinema nacionais. Aqui dá vida a Rachel Ashley, a personagem titular e personificação de uma “viúva negra”. Conta-se a história de um jovem orfão, Philip, um cavalheiro inglês. O seu primo morreu de forma misteriosa, e Philip procura responsabilizar a bela mulher do falecido por este crime. Contudo, acaba por se ver enfeitiçado pelos seus encantos.

Este romance de época peca pela coerência, mas refugia-se na dinâmica entre Rachel Weisz e o seu co-protagonista Sam Clafin (“Os Jogos da Fome”).


DISOBEDIENCE (2017) 

Disobedience
Rachel Weisz e Rachel McAdams em “Disobedience” (2017) |©Queer Lisboa

Do grande Sebastián Lelio (“Gloria”, Uma Mulher Fantástica”), chegou-nos “Disobedience”. Um imenso romance LGBTI sobre uma fotografa nova-iorquina, Ronit Krushka (Rachel Weisz), que regressa a casa para um funeral onde encontra uma velha amiga de infância, Esti Kuperman (Rachel McAdams).

Esti nunca abandonou o antigo lar de ambas, uma comunidade ortodoxa judia, opressiva e preconceituosa. Ronit regressa a este universo com laivos de culto, onde se move de forma cautelosa face à animosidade daqueles que deixou para trás. Por lá, recupera a paixão intensa que sentira por Esti na sua juventude. “Disobedience”, que por aqui apenas estreou em sala no festival Queer Lisboa, assinala um dos melhores papéis tanto da carreira de Weisz como de McAdams.


A FAVORITA (2018) 

A Favorita
Rachel Weisz e Olivia Coleman voltam a brilhar com Lanthimos depois de “A Lagosta” |©Big Picture Films (2018)

“Disobedience, a primeira obra em língua inglesa de Lelio, foi um dos melhores papéis da carreira da atriz que aqui homenageamos, mas esta interprete suplantou-se no ano seguinte com “A Favorita” – a sua segunda colaboração com  Yorgos Lanthimos, e onde voltou a encarnar uma personagem LGBTI, desta vez uma repleta de ecos cómicos.

“The Favourite”, uma subversão histórica da corte da Rainha Anne, no início do século XVIII, é uma celebração irreverente dos meandros da sexualidade e assertividade feminina (e como bónus recupera a fixação de Yorgos por coelhos).

Este é um filme com um protagonismo dividido magistralmente a três entre Olivia Coleman, Rachel Weisz e Emma Stone – todas elas indicadas ao Óscar pelas suas prestações notáveis. Contudo, Stone está uns tiros abaixos e a dinâmica entre a Rainha de Coleman e a Lady Sarah de Weisz é o mais forte trunfo dentro deste calidoscópio de cor, vivacidade e angulares arrojadas.


FUTURO: MARVEL E ELIZABETH TAYLOR (2020-    ) 

Rachel Weisz Viúva Negra
Rachel Weisz como Melina Vostokoff |©NOS Audiovisuais

Com meio século acabado de festejar, Rachel Weisz, uma força da natureza, senhora da versatilidade no cinema, prepara-se para enfrentar novos desafios, e não parece perto de abrandar – antes pelo contrário. Muito em breve poderemos vê-la no filme Marvel “Viúva Negra”, protagonizado por Scarlett Johansson, que tem dado vida à personagem nos diversos filmes da saga “Vingadores”. Esta produção da MCU assenta na realização da autora indie Cate Shortland, e num elenco feminino forte, que para além de Weisz conta com outras grandes intérpretes como Kristen Wiig ou a nova paixão de Hollywood – Florence Pugh (“Mulherzinhas”, “Midsommar – O Ritual”). Em “Black Widow” Weisz dará vida à personagem Melina Vostokoff.

Em breve será também a protagonista de “A Special Relationship“, um projecto ainda em desenvolvimento e sem data prevista de estreia, no qual dará vida à diva Elizabeth Taylor. Aqui terá mais uma oportunidade para brilhar e quiçá para ser, uma vez mais, indicada a premiações. Representar um ícone é uma tarefa árdua, mas Weisz está sem dúvida à altura do desafio.

A britânica fez de tudo um pouco: comédias românticas, dramas históricos e outros demais,  thrillers criminais, obras de acção…incursões rumo ao surreal e ao realismo. Todos estes papéis com a mesma entrega, quer como protagonista, quer em papéis de apoio. Uma verdadeira artista do palco e frente às câmaras e não uma mera persona famosa, assim é Rachel Weisz.

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Desse lado, partilhem connosco a vossa obra favorita da atriz e não deixem de acompanhar o (muito) que ainda tem a oferecer após trinta anos no mundo do cinema!

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