"Raiva" (2017) de Sérgio Tréfaut é um deslumbrante retrato a preto e branco de um Portugal dos anos 50 |©Faux

10 Realizadores portugueses a conhecer

Celebramos o  dia 10 de junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas – com uma breve lista que pretende colocar em destaque algum do nosso talento nacional. Aqui ficam 10 realizadores (e realizadoras) portugueses a conhecer! 

Em Portugal tem sido visto mais cinema. Não tendo em consideração o recente percalço originado pela crise da Pandemia do COVID-19, a verdade é que o cinema em Portugal bateu recordes de espectadores em 2019. Contudo, ir mais ao cinema não significa necessariamente ver mais obras criadas por realizadores portugueses. Existe em Portugal um nível de rejeição interiorizado face às obras nacionais, que desejamos que se venha cada vez mais a esbater. Neste feriado procuramos apresentar alguns dos realizadores e realizadoras nacionais que, através de sensibilidades artísticas distintas, procuram elevar a produção cinematográfica nacional.

Sem ordem ou qualquer espécie de hierarquização – senão a organização alfabética –  aqui ficam 10 talentos nacionais que operam em registos fílmicos distintos e que, de momento, elevam a qualidade do cinema nacional e colocam a nossa 7ª arte nas bocas do mundo. Descubram connosco a sua obra e quiçá alguns novos títulos para ver neste feriado de 10 de junho  – Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

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GABRIEL ABRANTES (1984)

Diamantino estreias 2018
Carloto Cotta em “Diamantino” de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt |©NOS Audiovisuais

Damos início a esta galeria sobre os atuais talentos da realização nacional com Gabriel Abrantes. O realizador português de 36 anos de idade nasceu na Carolina do Norte, nos Estados Unidos da América, e por lá estudou na nova iorquina “The Cooper Union”. Contudo, é na Europa e através de diversas co-produções internacionais que tem vindo a desenvolver o seu trabalho. Conta com mais de 20 créditos de realização, entre múltiplas curtas-metragens que tocam temas como a inteligência artificial, a identidade do género e os temas queer ou a ambiguidade dos sonhos. Abrantes tem vindo a construir um universo bastante próprio, repleto de criações misteriosas e sui generis, onde o Freudiano se casa com um humor próprio e irreverente.

Destaque para o amor por contar a História através de outras histórias, para a paixão por drones e pela exploração do conceito de “self”. Recordamos curtas-metragens como a misteriosa “Palácios de Pena” (2011 – criada a meias com Daniel Schmidt), a invulgar e excêntrica “Ennui ennui ” (2013)  ou “Freud und Friends”, a divertida paródia criada para o projeto coletivo “Aqui, em Lisboa – Episódios da vida da cidade”,  nomeada ao Urso de Ouro de Melhor Curta no Festival de Berlim. 

Todos os símbolos e temas recorrentes na obra de  Gabriel Abrantes podem ser encontrados em “Diamantino” (20018), a sua primeira longa-metragem, a qual foi filmada em Portugal e criada a meias com o norte-americano Daniel Schmidt, seu colaborador de longa data. Este filme foi “vendido” como uma paródia a Cristiano Ronaldo mas é muito, muito mais. Uma absurda paródia ao ídolos e ao patriotismo exacerbado, “Diamantino” tem um ponto de vista concreto e inegável mas nunca se atreve a doutrinar. Esta comédia arrojada, ancorada por um sensacional e memorável Carloto Cotta, não passou despercebida na edição de 2018 do Festival de Cannes, tendo vencido o Grande Prémio da Crítica, a Palma Canina do Prémio do Júri e tendo sido ainda nomeada à Palma Queer pela sua arrojada representação das fronteiras entre masculinidade e feminidade.

Se não conhecem a obra de Gabriel Abrantes e as inúmeras convenções que esta adora transgredir, está então na hora!

Onde conhecer a obra: “Diamantino” está disponível para venda na FNAC.

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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