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Atores do CODEX 632 revelam os segredos da rodagem do livro de José Rodrigues dos Santos

A Magazine.HD esteve à conversa com alguns dos atores que fazem parte do elenco da nova minissérie da RTP, “CODEX 632”, e revela-te todos os seus segredos.

Decorria o ano de 2005 quando José Rodrigues dos Santos publicou “CODEX 632”, o seu primeiro livro cuja personagem principal, Tomás Noronha, surge como um professor de História e criptoanalista. Através de uma revisão rigorosa da nossa História, o autor português foi-nos revelando documentos de arquivo que comprovam que o nosso passado está coberto de mistérios e que a realidade nem sempre é como a conhecemos. Desde então, foram já publicadas doze obras que contam com a perícia de Noronha, estando um décimo terceiro livro prestes a chegar às bancas. Contudo, dezoito anos após o lançamento de “CODEX 632“, a obra de José Rodrigues dos Santos chegou agora ao pequeno ecrã. Trata-se de uma minissérie homónima coproduzida pela RTP e a TV Globo que estreou no início do mês de outubro. A produção pode ser vista todas as segundas-feiras na RTP, estando também disponível na RTP Play.

“Tomás Noronha, um professor de História e especialista em criptologia, é contratado por uma Fundação italo-americana para descodificar a investigação do seu mentor, que morreu em circunstâncias pouco claras, sem saber que a investigação pode mudar a percepção que temos do nosso passado, ameaçando poderes instituídos e interesses económicos há muito instalados. E quanto mais perto da verdade, mais perigo vai correr”.

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A Magazine.HD esteve presente na antestreia de “CODEX 632”, a nova minissérie produzida por Sérgio Graciano, e teve a oportunidade de conversar com alguns dos atores que fazem parte do elenco deste novo projeto – Paulo Pires, que dá vida ao protagonista Tomás Noronha; Betty Faria, uma idosa que sofre de demência e que se torna uma chave crucial para desvendar o mistério; Ana Sofia Martins, uma professora universitária que se torna o braço direito de Tomás; Marcello Urgeghe, o chefe da Fundação que contrata Noronha para dar continuidade às investigações; Bia Wong, uma estudante universitária que acabará por seduzir o protagonista; e Leonor Belo, que dá vida à filha de Tomás. Além disso, estivemos à conversa com o autor, José Rodrigues dos Santos, que nos falou sobre o entusiasmo de ver a sua obra chegar ao pequeno ecrã.

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS

codex 632 - JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS
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Como é que é ver o “CODEX 632”, o primeiro livro sobre o Tomás Noronha, chegar à televisão?

José Rodrigues dos Santos: Naturalmente que acompanhei as filmagens, acompanhei o guião e tinha alguma curiosidade. A coisa engraçada é que, quando me perguntavam quem é que eu achava que devia ser o Tomás Noronha, eu sempre respondi, mas já há muitos anos, que se fosse uma produção internacional, seria o Tom Hanks, se fosse uma produção portuguesa, seria o Paulo Pires. Portanto, por acaso, o destino fez bem o seu caminho e levou-nos ao Paulo Pires [risos]. 

Chegaram a conversar muitas vezes sobre esta personagem?

José Rodrigues dos Santos: Não, isso é um trabalho do realizador, digamos assim. Eu estive envolvido mais no guião, porque os romances têm uma linguagem muito própria. Nós entramos na cabeça das pessoas. Na imagem, em televisão ou no cinema, não é assim, vive da ação apenas do exterior, digamos, não sei o que está na cabeça das pessoas. E, portanto, o tipo de história tem que ser diferente e teve que se alterar muito e, nesse sentido, o trabalho do guionista foi justamente usar o ponto de partida, que era a minha história, e usando as personagens, criar também uma outra história que fosse mais adequada para televisão. 

Que alterações foram essas? Deu algumas negas à equipa de produção?

José Rodrigues dos Santos: Não, não. Eu como sou da televisão, eu compreendo-os perfeitamente. Quem trabalha em rádio e quem trabalha no jornal, sabe que são linguagens diferentes, não é? Aqui é a mesma coisa, são linguagens muito diferentes. Como eu dizia, num livro eu, o leitor, entro na cabeça da personagem, no filme ou na televisão estamos a ver de fora e tudo depende da ação do que se está a passar. Eu posso dizer num romance que ele está deprimido, mas no cinema a gente não vê isso a não ser pelos seus comportamentos. E o tipo de história é diferente, requer um tipo diferente de ação. E, portanto, eu aceitei todas as mudanças sem qualquer problema. 

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O José já recebeu algumas reações do Brasil?

José Rodrigues dos Santos: Sei que no Brasil houve muito interesse. Aliás, isto é a primeira coprodução entre a RTP e a TV Globo desde que apareceu a SIC. A Globo é acionista da SIC, não é? E portanto, isto só foi possível porque a TV Globo se interessou muito, e porque já me conhecia enquanto autor. Isto foi publicado no Brasil e, portanto, isso, naturalmente, teve um peso muito grande.

Havia alguma coisa que o José queria mesmo muito que passasse para a série?

José Rodrigues dos Santos: Havia uma coisa que eu queria, mas não é possível fazê-lo. Nós temos um romance em que há ali um mistério em torno da morte de um professor e tudo isso, mas o verdadeiro tema do romance é quem era Cristóvão Colombo. É quase uma investigação sobre a História. Vamos ver quais são as provas, tal como num assassinato em que o assassino deixa indícios. Sobre o Colombo há também indícios de quem ele era, mas esta é uma investigação em arquivos. Num filme do cinema ou da televisão é impossível, porque o professor estaria sempre a ver documentos do princípio ao fim, não é? No romance, isto funciona bem, em televisão, não funciona. E, portanto, toda essa parte do inquérito ao passado a procurar quem era Cristóvão Colombo está, digamos, muito superficial num filme ou série, mas não há outra hipótese. Não é por falhanço do guionista ou do realizador, é porque a linguagem é diferente e não permite que se faça uma coisa bem feita e com interesse à volta de documento históricos. 

Gostava de ver os próximos romances do Tomás Noronha na televisão?

José Rodrigues dos Santos: Cada passo a seu tempo, não é? É possível que venham a acontecer outros ou não. Há também livros que estão no mercado internacional do Tomás, e que eu sei que há tentativas constantes de o adaptar, tanto na Bélgica como em Hollywood, como também percebi aí há duas semanas que a televisão espanhola também está interessada. Mas, fazer um livro sou eu e o computador. O cinema não é assim, nem a televisão. É preciso um produtor, é preciso financiadores, é preciso realizadores, é preciso atores. Há, por exemplo, financiamentos que se obtêm só se se conseguir este ou aquele ator, mas se esse ator está aqui ou se está na Netflix, já não é possível. Portanto, há uma cadeia de elementos que são necessários para a coisa acontecer e, por isso, é muito difícil um romance ser adaptado para a televisão ou cinema. Disse-me um grande escritor inglês, o Jeff Arthur, ‘Zé, todos os meus livros foram vendidos para Hollywood. O dinheiro entrou no meu banco, nem um filme ainda foi feito’. Porque é muito difícil! Eles compram mil direitos para mil livros, mas só fazem dez por ano. Agora, tudo dependerá da evolução que haverá com o que acontecer a seguir, mas não está nada planificado sobre o que vai ser o próximo passo, se é que haverá um próximo passo.  




PAULO PIRES – TOMÁS NORONHA

codex 632 - PAULO PIRES
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Já tinha lido o livro CODEX 632?

Paulo Pires: Não, li o livro quando achei que era obrigatório ler o livro [risos]. Porque, ser protagonista na série e estar tão dentro da história era possível fazê-lo, mas eu acho que não era honesto da minha parte e, então, li o livro.

Como é que acha que o José Rodrigues dos Santos vai reagir ao seu Tomás? 

Paulo Pires: Não sei, por acaso não sei. Eu só me encontrei com ele numa gravação e não lhe voltei a falar! Estou muito curioso para ver o que é que ele vai achar, porque nunca nenhum livro dele foi passado para o pequeno ou grande ecrã, portanto deve-lhe causar algum nervosismo. E depois é assim, vamos ver até que ponto é que ele aceita esta personagem feita por mim e definida por nós, que a personagem não é só fruto daquilo que eu achei que ela devia ser. É fruto de um trabalho que fizemos, de preparação da direção de atores e do realizador, mas é assim mesmo. A personagem quando sai do papel e começa a ser trabalhada por atores há uma outra leitura e ganha vida, pronto. Espero que ele goste!

O José disse-nos que se o Tomás ganhasse vida no pequeno ou grande ecrã, queria que fosse interpretado pelo Paulo Pires. O que é que isso significa para si? 

Paulo Pires: É uma grande honra! Sinto-me muito lisonjeado por o ouvir dizer isso. Mais uma vez, espero estar à altura das expectativas do José Rodrigues dos Santos e também daquelas pessoas que leram a história, porque há muitas. Eu, no decorrer deste projeto, havia pessoas com quem me cruzava, que me perguntavam o que estava a fazer e quando eu dizia, respondiam ‘ah, eu li essa história, a história é fantástica, adoro!’. Portanto, há muitas expectativas. Quando um livro existe, e depois ele passa para o cinema, que normalmente é mais comum passar até para o cinema do que para a televisão, mas também acontece, obviamente, e quando isso acontece, as pessoas sentem-se, muitas vezes, defraudadas e gostam mais do livro. Eu espero que aqui gostem tanto da série como do livro, seria muito bom sinal, porque o livro foi muito bem recebido e vendeu imenso, portanto, oxalá nós estejamos à altura de tudo aquilo que o livro representa. 

O maior receio é defraudar o autor?

Paulo Pires: Não, quer dizer, eu quero é que toda a gente goste, mas, claro que tenho sempre muito respeito pelos autores, porque imagino que eles, de repente, começam com uma tela em branco, desenvolvem uma teia, uma história. E, depois, uma história que não acabou de sair, que já percorreu o seu caminho. Portanto, haverá aqui umas expectativas e um olhar crítico sobre a personagem que eu espero que ele goste. 

E fazer este herói que está a desvendar um mistério, é uma personagem que se torna aliciante para o ator?

Paulo Pires: Muito aliciante! Uma das coisas que nós procurámos fazer é o seguinte… havia um caminho óbvio que era abordar esta personagem como um herói. E o que nós tentámos fazer foi tirar alguma destreza física a este homem que é um professor de História. E nós optámos que ele fosse ainda menos atlético do que eu. Não estou a dizer que sou o super homem [risos], mas, por exemplo, quando nós, nos ensaios, fazíamos uma cena de perseguição, uma das coisas que o Marco Medeiros me dizia era ‘Paulo, estás a ver que tu corres bem e sobes isto rápido? Vai um bocadinho menos, vamos fazer isto um bocadinho menos. Vamos dar-lhe este lado mais de professor’ [risos]. Eu deixei de ir ao ginásio na altura, a minha própria postura física está um bocadinho mais flácida e mais frustrada [risos]. Eu às vezes tenho a sensação de que a forma como nós o fazemos é um bocadinho cinzenta. Inclusive, eu avisei lá em casa ‘não pensem que, se calhar, devias ter mais ou mais ali’, porque nós tentámos retirar uma série de coisas. É mais difícil! Havia uma cena, por exemplo, em que ele é perseguido por um polícia e depois ele consegue ficar por cima. Como é que nós fazemos isto de forma credível? Porque um polícia é treinado para não ficar por baixo. E era preciso que isso acontecesse de uma forma credível, não foi a nossa preocupação fulcral, mas quisemos dar-lhe essa verdade, no sentido de alguém que é um professor de História não vai, de repente, para a rua e é mais forte do que um polícia. 

Gostava de continuar a ver o Tomás Noronha no pequeno ecrã?

Paulo Pires: Gostava, gostava de o ver! É uma personagem que me deu imenso prazer, adorei trabalhar com esta equipa. Fomos muito felizes a fazer este projeto! 

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Como é que foi trabalhar com a Betty Faria, a Deborah Secco e gravar no Brasil?

Paulo Pires: Extraordinário! A ida ao Brasil foi muito curta. Eu acho que fui o único ator português a ir ao Brasil e tive poucas cenas no Brasil para fazer, mas gravei algumas cenas aqui com o Alexandre Borges, a Deborah Secco e a Betty Faria. Digo isto a todas as pessoas com quem tenho privado. Foram absolutamente incríveis, foram de uma generosidade, de uma simpatia, de um profissionalismo, de um talento… Os três são belíssimos atores. Só conhecia o Alexandre, porque tinha trocado umas palavras com ele numa peça que ele fez em Portugal há uma série de anos, mas não os conhecia verdadeiramente. Adorei trabalhar com eles! Sei que, mesmo que o tempo passe, ficaremos amigos. Fomos todos muito felizes juntos. 

E foi interessante contracenar com um elenco mais jovem?

Paulo Pires: Bom, era uma condição que iria aparecer, no sentido em que, fazendo um professor há, consequentemente, alunos [risos]. Mas há, digamos, atores de todas as faixas etárias, portanto, não trabalhei com atores muito mais jovens do que tenho trabalhado noutros projetos. Foi tranquilo! É assim que eu gosto, é trabalhar com jovens, com pessoas mais velhas, como foi o caso da Betty, portanto, foi, de facto um projeto bastante feliz. 

A Betty não é uma atriz, é uma estrela…

Paulo Pires: A Betty é incrível! Eu, a primeira vez que a conheci e que me apresentei, ela estava na maquilhagem. Eu comecei a falar com a Betty e depois disse ‘Betty, eu vou deixá-la continuar a maquilhagem, porque assim a maquilhadora não consegue maquilhar. Vou-me embora’. Ele disse, ‘não, não, fica! Eu quero conversar com você’. Foi logo uma empatia muito grande logo na primeira vez que me cruzei com a Deborah [Secco], a sensação que se tem a trabalhar com ela é que passados cinco minutos parece que já fizemos um projeto com ela, portanto, é uma pessoa super acessível, super fabulosa mesmo. E o Alexandre igual! Depois, aqui os atores portugueses – a Ana Sofia, o Miguel Nunes, o Marcello Urgeghe, o Matamba Joaquim…. todos os atores com quem me cruzei… foi, de facto, muito especial, muito bom. 

Este é quase um projeto familiar dado o número de pessoas, não é?

Paulo Pires: Sim, foi um projeto onde, digamos, o núcleo Noronha não é muito grande, mas depois há vários atores que vão passando pela série também. Há outros que fazem participações mais pequenas, mas sim, é um projeto muito centrado naquelas personagens. 

E o que é que se segue?

Paulo Pires: Depois disto já se seguiu muita coisa, felizmente. Andando agora para trás, em vez de ser uma série, agora estou a fazer uma novela na TVI que é a “Cacau“. Antes da “Cacau”, tive a fazer uma peça de teatro chamada “O Filho” no Teatro Aberto, estive a fazer os “Queridos Papás“, mas pronto!

Agora o Paulo faz de avô, vai fazer de pai… chegou aquela fase da idade que dá para tudo, dá para herói, dá para avô, dá para galã… [risos] 

Paulo Pires: Sim, dá para tudo, dá para tudo e também dá para fazer de filho ainda [risos].  




BETTY FARIA – LUÍSA

codex 632 - BETTY FARIA
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Já conhecia esta obra de José Rodrigues dos Santos ou foi tudo novo quando leu pela primeira vez o argumento do “CODEX 632”? 

Betty Faria: Eu não conhecia, mas eu adorei o convite. Gostei muito da minha personagem. Achei muito interessante fazer uma personagem assim, porque ela está no começo do Alzheimer. Então, fez-me entrar nesse universo doloroso, porque quando a pessoa começa a sentir-se insegura, o que é perigosíssimo, se ela já tem Alzheimer. Mas, quando a pessoa está a começar, ela tem a percepção de que ela está doente, então é muito doloroso, passa por situações muito delicadas. Foi muito bom fazer este trabalho pré-Alzheimer e adorei filmar com o Sérgio Graciano e os atores. Eu adoro vir para Portugal, porque eu sou muito bem recebida. 

Chegou a ler o livro ou ficou-se pelo guião?

Betty Faria: Não li o livro!

Houve cenas difíceis de gravar? 

Betty Faria: Houve sim, é sempre difícil gravar dentro do cemitérioEu não posso dar spoiler da história, não posso contar o que é que ela foi lá fazer [risos]. 

E tinha que ser Portugal a desafiá-la para fazer uma personagem diferente como esta? Uma mulher que está a começar a ficar demente e que começa num jogo que depois também provoca toda esta confusão na história. Tinha que ser Portugal a desafiá-la para um projeto destes?

Betty Faria: Portugal desafia-me sempre! Eu estou mais forte agora que eu fiz o filme “Justa”, da Teresa Villaverde. Eu filmei nas aldeias da Serra da Estrela e fiquei dois meses no frio. Saí do Rio de Janeiro com 40° vim para 0° na Serra da Estrela, e ficámos quase dois meses a filmar. Acho que é o trabalho mais difícil da minha vida, porque eu pude ver e ter contacto com a tragédia que aconteceu aqui com os fogos. Eu filmei nesses lugares e isso foi tudo muito forte.  

Gostou de trabalhar com o Paulo Pires? 

Betty Faria: Claro! Além de ser bonito, é educado e agradável. Tu olhas para aquela coisa bonita e é agradável, é uma maravilha [risos]!

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Ele disse que quando a conheceu, na maquilhagem, começaram os dois a conversar e já não despegaram…

Betty Faria: Nós entendemo-nos logo, foi muito bom!

E qual é o sentimento de voltar a Portugal?

Betty Faria: Eu volto sempre [risos]! Eu sinto-me sempre muito bem-vinda! Eu fiz amigos aqui… Há muitos anos que eu aqui venho. Quando eu terminei o filme da Teresa [Villaverde], eu fiquei mais uma semana para relaxar, porque estava muito cansada. Isto foi em abril, já estamos em outubro… já estava com um monte de saudades. 

Está a preparar alguma coisa agora a nível de trabalho?

Betty Faria: Eu estou a estudar propostas, porque agora eu quero poder escolher. É uma fase ótima! Aqui eu vou, ali não vou [risos].

Procura algo em especial?

Betty Faria: Não, não estou à procura de nada! Eu acho que o importante é aproveitar um pouco a vida.

Porque é que escolheu o “CODEX 632”?

Betty Faria: O “CODEX 632” foi diferente. É o seguinte, o “CODEX 632” é da TV Globo e eu sou TV Globo. Eu sou uma veterana da TV Globo. Eu fui convidada, eles perguntaram-me se eu gostaria de ir a Portugal e eu disse ‘claro, eu gosto sempre!’ [risos]. Eu estou contratada vai fazer 12 anos já.




ANA SOFIA MARTINS – VITÓRIA NASCIMENTO

codex 632 - ANA SOFIA MARTINS
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Vamos começar por falar um bocadinho da tua personagem na série “CODEX 632″…

Ana Sofia Martins: Eu confesso que à vinda para cá tive que me relembrar da personagem, poque isto já foi filmado há tanto tempo [risos]. Mas a Vitória Nascimento é uma professora universitária de História um bocadinho, digamos, intransigente, tem um sentido de humor acutilante e é muito amiga do nosso protagonista, a personagem do Paulo Pires. Deu-me imenso gozo fazer esta personagem, sobretudo porque a Vitória pode parecer uma pessoa um bocadinho desligada até, mas está ligada a causas muito importantes, que eu agora não posso desvendar para não estar aqui a fazer spoilers. Mas, digamos que da Vitória é melhor esperar mesmo o inesperado, porque por trás daquela capa de professora universitária está uma alma rebelde [risos]. 

Como é que foi contracenar com o Paulo Pires?

Ana Sofia Martins: Foi fantástico, mas eu já o conhecia desde “A Única Mulher“, que foi o meu primeiro projeto. E já fiz vários projetos com o Paulo e é sempre um gosto, porque o Paulo é muito profissional, sabe as falas dele, as falas do outro, sabe tudo o que se passa num platô e é refrescante trabalhar com uma pessoa que está tão em controlo das suas capacidades.

Já conhecias a obra de José Rodrigues dos Santos?

Ana Sofia Martins: Não, não conhecia. Depois tivemos imensas sessões em que falámos muito da obra. Não a li totalmente, mas tínhamos imensos excertos. O Paulo Pires teve a oportunidade de estar com o José Rodrigues dos Santos e partilhou muito connosco dessa reunião que eles tiveram. Mas como a minha personagem é um bocadinho diferente, eu também não tinha que estar assim tão por dentro daquilo que se estava a passar. Mas foi uma história mesmo de mistério! Até nós quando estávamos a filmar… nós sabemos a história, então tu tens que contar a história sem contar aquilo que vai acontecer e é desafiante isso – não dar indícios que o público possa perceber o que vai acontecer a seguir – e por isso é que eu digo que é um projeto diferente para mim, porque os outros que eu fiz era um bocadinho com histórias mais simples. E é desafiante trabalhar com camadas, gostei muito! E tive a oportunidade de descobrir recantos de Lisboa que não conhecia…

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Como por exemplo…?

Ana Sofia Martins: Em Oeiras, por exemplo, eu nunca tinha visitado a Fábrica da Pólvora e o espaço é lindíssimo! Entretanto, já lá voltei – também é o meu concelho, não é? [risos] É tão o meu concelho que eu nunca lá tinha ido, mas pronto, agora já fui [risos]. E fomos também à Universidade Nova de Carcavelos. Agora parece que a fazer publicidade, mas as instalações são mesmo incríveis [risos].

Houve alguma cena desafiante? 

Ana Sofia Martins: Houve! É um bocadinho mais para a frente, mais no meio, em que tivemos de filmar à noite… o que é que eu posso dizer mais sem dizer muita coisa? [risos] Digamos que eu tive de usar os meus melhores skills de atleta… E agora olha para este corpitcho franzino e imagina uma atleta aqui debaixo disto tudo [risos]. Mas está lá! É a Vitória, não é a Sofia! Portanto, eu agora, quando voltar ao ginásio, tenho que pensar na Vitória, não é em mim [risos]. 

Que novos projetos tens para o futuro?

Ana Sofia Martins: Agora tenho muita coisa a estrear. Estreou há umas semanas, no MOTELX, o primeiro filme de terror que fiz, que se chama “Lovely, Dark and Deep”, que está maravilhoso. Tenho o “CODEX 632” no ar, tenho o “João Sem Deus” a estrear também, e para o ano estreia a “Sala a Abrir”, também na RTP. Portanto, agora é só estreias, deixa estrear tudo e mais para o final do ano, talvez tenha mais novidades para falar. 




MARCELLO URGEGHE – JOHN SAVIGLIANO

codex 632 - MARCELLO URGEGHE
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O que é que nos pode revelar sobre a sua personagem em “CODEX 632?”

Marcello Urgeghe: Eu sou o Presidente da Fundação e aquilo é uma gente horrível, só que parece tudo muito legal, tudo muito bem feito. Estão todos assanhadíssimo para reclamar a descoberta do Brasil. Então, o que nós temos é uma série em que alguém, o Paulo Pires, descobre uma coisa extraordinária, super vibrante, – que aquilo não é nada como parecia. E depois, de repente, começa a ficar mesmo perigoso, porque ninguém quer dar mão de que a descoberta do Brasil foi do Cristóvão Colombo. A Fundação da qual eu sou Presidente fará tudo até a última consequência para manter a descoberta no nome desse descobridor. 

Houve alguma preparação especial para esta personagem?

Marcello Urgeghe: Não, não requeria grandes preparações. É um ser maléfico, mas que se move pelos meios das outras pessoas normais. Portanto, não tem grande coisa, é só lermos, percebemos o que é que lá está, como é que se pode ir… E depois, nisso o Sérgio, o realizador, é muito importante porque vai dizendo ‘isso é ótimo, isso não tanto’. 

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Chegou a ler o livro de José Rodrigues dos Santos?

Marcello Urgeghe: Por acaso não li o livro porque ainda não tive tempo, é que ainda não parei de trabalhar. Mas li uma parte que me interessava sobre este trabalho. Mas vou ler o livro, claro, tenho uma pilha deles. Estou a começar agora a debulhar… agora que estou de férias [risos].

Vem aí mais algum projeto? 

Marcello Urgeghe: Pois há de vir e quando vier eu ainda não os li todos [risos]. O meu passatempo preferido é ler!




BIA WONG – ELENA

 BIA WONG
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O que é que nos podes contar da tua personagem em “CODEX 632”?

Bia Wong: Posso contar que a Elena é uma mulher muito forte, que está sempre com ar muito leve e bem com a vida, mas na verdade também tem os seus segredos, como toda a gente, e as suas inseguranças e que vai dar uma reviravolta muito interessante à história. 

O que é que nos podes revelar sobre os desafios que enfrentaste com a tua personagem? 

Bia Wong: Eu inicialmente enfrentei muitos desafios. Este foi o meu primeiro grande projeto e foi uma grande aprendizagem para mim. Tive muitos ensaios com o Marco e com o Sérgio. Foi difícil para mim, porque é uma personagem mais velha do que eu, tenho feito até agora personagens mais novas ou da minha idade, portanto, tive que encontrar aqui um equilíbrio de juventude, mas também alguma maturidade. É alguém que saiu do seu país e que já enfrentou muita coisa, portanto, foi difícil para mim encontrar a leveza nela quando eu estava tão nervosa, mas no final ficou bom, acho que ficou muito bom! A Elena é uma personagem muito confiante e que pensa em tudo o que faz e tem um ar mesmo de poderosa. E, foi muito bom poder passar isso, o quão poderosas as mulheres podem ser, mas foi difícil para mim porque estava insegura no meu trabalho.

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E o Paulo Pires ajudou-te? 

Bia Wong: O Paulo Pires ajudou muito! Ele foi a pessoa com quem eu contracenei mais e o facto de ele ser um ator tão experiente, ensinou-me muito, ele e todos os atores com quem trabalhei e que são mais experientes do que eu, portanto, ensinaram-me muito. Mas o Paulo Pires é um cavalheiro e esteve ao meu lado no processo todo e teve sempre o cuidado de me fazer sentir à vontade e de me ajudar naquilo que eu precisasse.

E agora, que outros projetos é que tu tens?

Bia Wong: Eu, agora, acabei de fazer uma novela, a “Flor Sem Tempo“, e, por enquanto, não estou a fazer nada, vou de férias daqui a umas semanas [risos]. Espero ter projetos depois quando voltar.

A “Flor Sem Tempo” foi também a tua primeira novela, não foi?

Bia Wong: Sim, foi a minha primeira novela também! Foi sair do “CODEX 632” e entrei na “Flor Sem Tempo”. Duas coisas assim seguidas, para um ator ou uma atriz, é sempre bom sinal, e também foi um grande desafio [risos]. 




LEONOR BELO – MARGARIDA NORONHA

LEONOR BELO
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Queres-nos falar um bocadinho da tua personagem?

Leonor Belo: Eu sou a filha do casal protagonista e chamo-me Margarida. Vão acontecer coisas muito boas e muita aventura! Vão gostar muito. 

Como é que foi contracenar com a Deborah Secco e com o Paulo Pires? 

Leonor Belo: Foi muito bom contracenar com eles. Foi a minha primeira série e eu adorei muito ter trabalhado com eles, porque foi muito profissional e com muita emoção.

Já tinhas feito outros trabalhos em televisão antes?

Leonor Belo: O “CODEX 632” foi a primeira série, mas estou a fazer outra agora, que se chama “Azul”, que vai dar este ano, em Novembro, na SIC, com o nosso querido Ricardo Pereira. 

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E quais é que foram os desafios da tua personagem? 

Leonor Belo: A minha personagem era tipo rapaz e rapariga ao mesmo tempo. Isso foi meio que um desafio, porque eu sou mais rapariga do que rapaz. 

A Deborah e o Paulo deram-te alguns conselhos?

Leonor Belo: Sim, a Deborah ensinou-me que aprender é fácil e que nos devemos abstrair de todos os sentimentos nervosos para podermos estar mais calmos.

E o que é que nos podes revelar sobre a tua nova série da SIC?

Leonor Belo: A série da SIC é sobre o meio ambiente, e sobre as baleias que foram extintas. Eu sou a personagem principal! Foi muito bom  trabalhar com o Ricardo [Pereira], ele é muito divertido e é muito fixe.  

TRAILER | CODEX 632 É A MAIS RECENTE MINISSÉRIE DA RTP

Acompanhaste a estreia de “CODEX 632”? Já conhecias a obra de José Rodrigues dos Santos? O que pensas do elenco escolhido para esta minissérie?

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