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The Idea of You, a Crítica: Anne Hathaway encanta na comédia romântica do ano

“The Idea of You”, a nova longa-metragem da autoria de Michael Showalter preenche todos os requisitos essenciais de uma comédia romântica de qualidade. Numa era em que o género parece algo gasto e desencantado, é agradável assistir a uma espécie de renascimento anunciado em 2024. 

Acabado de chegar à Prime Video da Amazon no início de maio de 2024, “The Idea of You” rapidamente se tornou no filme mais visto na plataforma – tanto nos Estados Unidos da América como em Portugal.  Não é surpreendente, ao fim de contas, a protagonista Anne Hathaway tem feito um trabalho exímio a promover um filme com uma máquina de PR pouco usual para uma estreia direta no streaming.

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Além disso, “The Idea of You” baseia-se no romance homónimo de Robinne Lee. Lançado no pico da pandemia de COVID-19, em 2021, depressa este livro se tornou um dos mais populares e um guilty pleasure amplamente reconhecido. E por mais ensaios defensores do direito das mulheres às suas histórias, uma causa legítima e mais importante do que possa parecer no decurso de uma discussão superficial, é inegável que “The Idea of You” é realmente uma história baseada em fan fiction – ficção escrita por fãs, publicada em fóruns online e disseminada pelo tecido de grupos de fãs de artistas pop.

Amazon Studios The Idea of You
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Ora, o livro de Robinne Lee evoca de forma descarada o fenómeno dos One Direction e, mais especificamente, Harry Styles. Claro, aqui chamam-se August Moon e Harry torna-se Hayes Campbell, mas a ideia está lá. E não obstante as origens desta história, assente na fantasia de escapismo para o mundo dos ricos, famosos e das estrelas da pop, Michael Showalter (responsável por comédias meritórias e com foco nas personagens como  “Olá, O Meu Nome é Doris” e “The Big Sick”) e a sua co-argumentista Jennifer Westfeldt conseguiram converter a ideia ligeiramente apatetada de “The Idea of You” numa comédia romântica robusta, uma das mais robustas dos últimos anos.


E já que dei uma oportunidade ao livro, em antecipação da estreia do filme na Prime Video, aproveito para traçar um brevíssimo jogo de comparações. O filme “The Idea of You” bem pode pedir emprestada a premissa base da história – a banda é a mesma e os detalhes específicos semelhantes, mas em tudo o texto escrito para cinema se eleva em relação à narrativa base.

Sem dúvida, uma comédia romântica sobre uma mulher de meia idade que se apaixona pelo vocalista de uma boy band depois de o conhecer num meet and greet nunca será a base para uma obra prima da 7.ª arte. Mas “The Idea of You” não precisa nem tenta ser nada disso, é apenas uma comédia romântica honesta, com duas personagens centrais carismáticas e atraentes e com a capacidade de nos fazer rir e chorar.

Há muitas liberdades criativas que funcionam a favor de quem vê o filme: Hayes Campbell (Nicholas Galitzine) é mais velho nesta versão da história, tendo 24 anos em vez de 19, uma diferença brutal no desconforto provocado (ou não) pela relação de amor entre uma mulher divorciada e uma estrela da música popular. Além disso, a própria filha de Solène (Anne Hathaway) é também ela uma adolescente em vez de uma criança (e os August Moon já não são a sua banda favorita, são antes “tão sétimo ano e por si ficava no concerto de St. Vincent e até dispensava o meet and greet comprado por um pai desfasado em relação aos gostos da filha). Assim, ganha-se maturidade e perde-se desconforto.

the idea of you prime video
Mãe e filha no novo filme de Michael Showalter © Prime Video

Além disso, Showalter e companhia dão à recém-divorciada Solène e ao seu cantor de eleição a oportunidade de não se conhecerem simplesmente no encontro entre fãs e banda, mas de uma forma mais privada, especial e digna das melhores comédias românticas. Já para não falar de que, sem revelar muito, o final da história é inteiramente alterado e torna-se muito mais empolgante.


Entre fãs, caos e muitos números musicais recriados e canções criadas e interpretadas especificamente para o filme, “The Ideia of You” beneficia de um argumento sólido e que nos faz crer na relação apaixonada entre estes dois amantes improváveis. Nicholas Galitzine, talvez mais conhecido até à data pelo romance queer “Red, White & Royal Blue”, é encantador na pele de uma estrela que bebe dos maneirismos, visual e até das inflexões vocais de Harry Styles. Não obstante, e felizmente para o filme, acreditamos na sua personagem como algo mais do que um mero decalque do antigo membro dos One Direction.

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Todavia, a grande estrela brilhante e graça do filme é mesmo Anne Hathaway. Ao longo da tour promocional longa deste filme, Hathaway tem defendido o seu direito a protagonizar uma comédia romântica sem grandes aspirações de grandeza. A atriz deixou bem claro que o seu estatuto de oscarizada não a irá impedir de escolher um papel pelo simples facto de o argumento lhe agradar. E conseguimos perceber o quanto Anne se entregou à sua Solène, dando-lhe uma profundidade e uma emotividade que, sejamos honestos, estão muitas vezes ausentes neste tipo de filme.

Há uns meses o sucesso de bilheteira “Anyone But You”, com Glen Powell e Sydney Sweeney foi anunciado como um regresso à forma da comédia romântica. Por aqui, achamos que “Anyone But You” é formulaico, vazio e povoado por personagens pouco credíveis e plásticas. Já este “The Ideia of You”, com todo o absurdo e fantasia do seu enredo, uma mulher comum, uma estrela pop muito mais nova e a sua paixão forte e profunda, consegue fazer-se sentir muito mais palpável.

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O que faríamos de diferente? Talvez o filme seja um pouco extenso de mais, talvez a montagem musical em câmara lenta, enquanto Solène e Haynes passeiam pela Europa, seja excessiva e prolongada, mas em geral esta longa-metragem é muito hábil no que diz respeito a cumprir a sua raison d’être.

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Além disso, “The Idea of You” entrega-nos uma modesta e bem-vinda reflexão para lá do romance de fan fic. Solène, uma mulher de 40 anos traída pelo marido, encontra de novo o amor próprio perdido ao longo desta sua jornada fílmica. E, curiosamente, se não ignorarmos o paralelismo com a sombra da inspiração forte em Harry Styles, conhecido por namorar mulheres mais velhas, conseguimos rever brevemente a jornada real de Olivia Wilde neste filme.

Wilde, em tempos namorada de Harry Styles, também passeou pela Europa durante uma das digressões do cantor, e também foi ela acusada de ser uma má mãe distante durante o seu processo de divórcio. A certa altura é proferida a frase: “Não sabias? As mulheres felizes são odiadas”. E, embora superficialmente, “The Idea of You” não se esquece de honrar estas mulheres. Estas pessoas que merecem atenção, carinho, diversão e leveza de espírito para lá das suas obrigações como educadoras e trabalhadoras. Este filme, por leve que seja, respeita a sua audiência, respeita as suas personagens, e sabe como vingá-las na ficção, onde por vezes o mundo real lhes falha.

TRAILER | The Idea of You na Prime Video

The Idea of You, a crítica
Amazon Anne Hathaway 2024

Movie title: The Idea of You

Movie description: Baseado na célebre história de amor contemporânea com o mesmo nome, "The Idea of You" centra-se em Solène (Anne Hathaway), uma mãe solteira de 40 anos que começa um romance inesperado com Hayes Campbell (Nicholas Galitzine), de 24 anos e vocalista dos August Moon, a boy band mais cobiçada do mundo.

Date published: 5 de May de 2024

Country: EUA

Duration: 117'

Author: Michael Showalter, Jennifer Westfeldt

Director(s): Michael Showalter

Actor(s): Anne Hathaway, Nicholas Galitzine, Ella Rubin

Genre: Comédia Romântica, Drama

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  • Maggie Silva - 80
80

CONCLUSÃO

“The Idea of You” não é nenhuma obra prima, claro está, mas é incrivelmente capaz nos seus desígnios. É uma comédia romântica inebriante, sensual, com vários momentos capazes de puxar a gargalhada, outros genuinamente emotivos, e que une tudo na perfeição através de dois protagonistas exímios capazes de elevar o texto.

Pros

  • As prestações centrais de uma atriz consumada e oscarizada e de um ator em ascensão capaz de suportar o peso de estar ao lado de uma Anne Hathaway que se recusa a não dar 200% a uma história leve mas sincera;
  • As alterações do livro para o filme capazes de pegar num texto original medíocre e torná-lo bem mais especial;
  • A musicalidade inerente a toda a longa.

Cons

  • Um pouco longo de mais e até com alguma repetição de ideias.
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