"Buffy, A Caçadora de Vampiros" © The WB Television Network

As 10 séries adolescentes mais viciantes

O Século XXI introduziu maravilhas como as gravações automáticas e os serviços de streaming. Com eles chegou o binge watch. Aqui ficam algumas das séries adolescentes que merecem sempre ser vistas (e revistas) nesta nova era de ouro da televisão! 

Series de adolescentes, para adolescentes (e não só) e protagonizadas por jovens são um pilar imprescindível da cultura popular. Já assim o é desde a década de 90 (pelo menos), e é uma tendência que nunca nos abandonou. Até Portugal não escapou a esta “moda”. Seja a emissão de novelas centradas na juventude, como Malhação ou As Chiquititas, ou o estrondoso sucesso de Morangos com Açúcar, inclusivamente exportada para fora de Portugal, há que destacar que o teen show faz parte da fibra da ficção dentro e além fronteiras.

Aqui, centro-me nas séries adolescentes que definiram o género norte-americano, com uma pitada da televisão britânica à mistura.

 GILMORE GIRLS (2000 – 2007 ) 

GILMORE GIRLS
Gilmore Girls | ©Warner Bros. Television

É “Gilmore Girls” uma série adolescente? Centrada na relação simbiótica entre mãe e filha, Lorelai e Lorelai Gilmore (Rory), este conteúdo é uma referência absoluta na cultura pop. Considerando que uma das protagonistas é uma adolescente (se excluirmos a Rory adulta de “A Year in the Life”), que passa o seu tempo na escola, na loja de antiguidades da sua melhor amiga e a namoriscar com outros adolescentes, podemos enquadrar a série dentro do género. Não corresponde propriamente a cada cânone típico, mas mostra-nos sem dúvida o que é crescer.

Lê Também:
Red Hot | 20 filmes sobre sexo na adolescência (Parte 1)

Neste caso, mostra-nos o que é crescer em estilo, com diálogos inteligentes, sarcásticos, repletos de referências a cinema, televisão, entretenimento em geral. Em inglês, dir-se-ia que a série é witty. É , sim, repleta de carácter, munida de uma identidade muito própria, que se manifesta do início ao fim.

“Gilmore Girls” viu muitas casas. Começou como uma série da WB network, nos tempos áureos em que a Warner Brothers não só tinha produção televisiva como criou imensos conteúdos que resistiram (até agora, pelo menos) à prova do tempo. Quando terminou, em 2007, tinha já migrado para o canal de séries teen por excelência, a CW. Em 2016, regressou com uma sequela tardia – “A Year in the Life”, agora na Netflix.

Tendo esta continuação terminado com um cliffhanger, é muito provável que a história desta série, que já conta com 19 anos, não esteja ainda terminada. O seu período áureo já passou, sem dúvida alguma, mas Star Hollows é um local imaginário onde é sempre mágico voltar.




THAT ’70S SHOW(1998 – 2006) 

70s show
That ’70s Show  | © 20th Century Fox

“That ’70s Show” é uma autêntica pérola no formato da sitcom. Um pedaço de nostalgia, um throwback para um outro tempo que já leva uns bons anos mas que continua igualmente divertido e refrescante.

O que pode ser dito? Este conteúdo televisivo parece marcar por uma certa liberdade da qual as séries de jovens e para jovens já não parecem usufruir. O facto de os protagonistas passarem o tempo a fumar marijuana sem qualquer pudor parece ser indicador deste facto.

Lê Também:
TOP MHD | Melhores Séries de 2018

Foram sete anos gloriosos, infelizmente um pouco arruinados no final quando Topher Grace decidiu abandonar a série para virar estrela de Hollywood. Todos nós sabemos como acabou essa expectativa. Grace é um b-lister e a série viu-se condenada sem ele, mas foi (bem) boa enquanto durou.

Claro que o seu maior trunfo foi apresentar superstars ao mundo, entre elas Mila Kunis e Ashton Kutcher. Apesar de nunca ter chegado a leading man, Topher conquistou também o seu lugar e Laura Prepon veio a tornar-se uma atriz de televisão bastante respeitada. Um conteúdo para ver e rever, e bastante “binge watchable“, como esta lista pretende defender.




THE VAMPIRE DIARIES (2009 – 2017) 

The Vampire Diaries
The Vampire Diaries | © The CW

Vamos colocar os pontos nos “is”. Não, não estou a dizer que “The Vampire Diaries” é uma série de qualidade superior. Mas estou, com absoluta firmeza, a dizer que este fenómeno é incontornável. Demonstrável pelo destaque que o conteúdo continua a ter dois anos após o seu final. Na plataforma portuguesa da HBO, por exemplo, é um dos conteúdos mais vistos. Porquê? Porque é uma das séries mais populares de sempre da CW.

Lê Também:
TOP MHD | Melhores Séries Estreadas em 2018

Neste canal, os conteúdos relacionados com o sobrenatural sempre foram os que se deram melhor. Prova disso é a sua galinha dos ovos de ouro – “Sobrenatural”, uma série que parecia ameaçar durar para sempre. Quanto a esta série de vampiros, veio na altura ideal. Trata-se de uma adaptação de uma obra literária infanto-juvenil e centra-se num triângulo amoroso entre uma rapariga algo banal (mas nem tanto) e dois pretendentes com “habilidades” especiais.

Familiar? Sim, especialmente na “hora H” do sucesso de “Twilight”. Assim, é possível constatar que a história de Elena, Stefan e do rebelde Damon foi uma aposta bem calculada que aproveitou uma janela temporal onde as histórias de vampiros dominavam o pequeno (“True Blood”, por exemplo) e o grande ecrã. Sem grandes expectativas, não deixa de se apresentar como uma experiência de entretenimento agradável.




DAWSON’S CREEK (1998 – 2003)

Dawson's Creek Sony Pictures Television
Dawson’s Creek | © Sony Pictures Television

Dawson’s Creek, a série juvenil da Warner Bros é inaugural para este género. Numa pequena vila, acompanhamos Dawson e o seu grupo de amigos. Os seus dramas passam muito pouco por antagonismos externos, e muito mais pelo tumulto da adolescência e as suas angústias inevitáveis. De “Dawson’s Creek” retemos o emblemático genérico “I Don’t Want to Wait”, precisamente sobre a ansiedade e frenesim da juventude e do amor.

A história de Dawson, Pacey, Joey, Jen e mais tarde Jack é essencial. Essencial devido às estrelas que catapultou para a fama, com especial destaque para a hit girl Katie Holmes e o furacão da crítica Michelle Williams. Ambas ainda hoje no spotlight, por razões muito distintas. Dawson serviu de modelo para muitas séries que se lhe seguiram, e teve momentos importantes para a história da televisão. Particular ênfase para uma cena protagonizada por Jack – o primeiro beijo gay em televisão pública norte-americana.

No final, e em portugal numa versão dobrada algo manhosa, tivemos direito a muito drama e à concretização de algumas das aspirações de Dawson. Depois de um penoso triângulo romântico , esta história fica para a posteridade. Prova disso é que acabou já há uns bons anos, mas nunca foi esquecida, longe disso.




SKINS (2007 – 2013) 

Skins
Skins | © Channel 4

Saltamos agora, por uns momentos, o conteúdo televisivo norte-americano e vamos até ao Reino Unido para descobrir o que tornou “Skins” tão especial para uma geração inteira, em todo o mundo.

Desde já, houve uma tentativa de recriar a fórmula nos Estados Unidos. O que aconteceu? Não passou da primeira temporada, e foi um falhanço total mesmo durante o curto espaço de tempo em que durou. Inglaterra não sofre do puritanismo dos americanos, e ganha muito com isso. “Skins” não tinha limites, desde drogas, sexo, inuendos entre estudantes e professores ou o roubo de um caixão prestes a chegar a um funeral, a série do Channel 4 não poupou meios para o seu fim – quebrar as expectativas das séries adolescentes.

Lê Também:
Red Hot | 20 filmes sobre sexo na adolescência (Parte 2)

Pelo caminho, criou personagens memoráveis – Sid, Tony, Cassie, Chris, Effy, Cook, entre tantos outros. Ousou falar de questões reais, como anorexia e bulimia sem a habitual capa protetora que encontramos nas produções americanas. Misturou géneros, evocou por vezes o ridículo, por vezes o musical, por vezes a comédia e muitas, muitas vezes o drama. Chegou a ter alguns plot points  algo risíveis devido à sua incompatibilidade com um storytelling que se fazia querer realista, mas colmatou sempre estas falhas com os seus personagens fortes.

Esta produção britânica foi, à semelhança de outras teen series, uma fábrica de produzir estrelas. Neste caso, estrelas que migraram até para as produções de Hollywood. Kaya Scodelario (Effy)  e o seu irmão no pequeno ecrã, Nicholas Hoult (Tony) , bem como Dave Patel (Anwar) , foram sem dúvida os que melhor conseguiram chegar ao estrelato. Contudo, intérpretes como Hannay Murray (Cassie) e Joe Dempsie (Chris) conseguiram assegurar papéis secundários, com alguma relevância, no mega-sucesso “Game of Thrones”.

A primeira geração é a mais marcante, e é a esta que faço alusão direta nesta lista. Contudo, para os propósitos de binge watch, recomenda-se toda a série. Até porque “Skins” não é “Skins” sem chegar a uma Efffy com mais protagonismo, algo que só acontece na segunda geração. Uma pérola, sem dúvida alguma.




VERONICA MARS (2004 – )

Veronica Mars
Kristen Bell | © 2014 Warner Bros. Entertainment

“Veronica Mars”, um neo noir adolescente que resiste ainda hoje ao teste do tempo . Uma influência clara para muitas séries que vieram depois. Por exemplo, “Riverdale”, da CW, é a cara chapada deste ambiente, e até tem um enredo de homicídio com bastantes paralelos, na primeira temporada. Apesar de baseada nos Archie Comics, é incrível a sua proximidade. Por isso, e por ser um produto fácil de devorar, pertence a esta lista.

Lê Também:
Top 30 melhores séries segundo o Metacritic

Tal como muitas outras produções, Veronica Mars vê novamente luz verde nesta era de regresso a séries do passado. Talvez não faça sentido dar continuação a um conteúdo sobre uma adolescente que faz trabalho de detetive nos tempos livres. Contudo, esta produção continua a ver novos desenvolvimentos desde o seu final em 2006. Os escritores continuaram a escrever, desta vez na forma de livros e o romance profundo entre o problemático Logan e Veronica viu nova vida com um filme financiado com crowdfunding, e estreado em 2014.

Agora, já este mês na realidade, no dia 26 de julho,  iremos assistir ao regresso das aventuras de Veronica através da Hulu. Relembro, spoilers, spoilers, que Veronica, que tinha uma vida adulta “normal” decidiu voltar a resolver pequenos crimes na sua cidade natal, e, por isso, lá nos faz algum sentido (apenas algum) voltar às suas aventuras.

Veronica Mars criou uma enorme, gigantesca estrela de televisão. Uma das pessoas favoritas de Ellen Degeneres, e por isso uma presença constante num talk show de day time tv, Bell deu voz à protagonista de “Frozen”, à eterna “Gossip Girl” e é atualmente a protagonista da inventiva e maravilhosa produção “The Good Place”, entre muitas outras aparições especiais em comédias e papéis centrais nalguns filmes. Só por isso, já vale a pena Veronica Mars ter acontecido.




BUFFY, THE VAMPIRE SLAYER (1997 – 2003)

buffy the vampire slayer whedon
Buffy, A Caçadora de Vampiros | @The WB Television Network

Joss Whedon, o criador de fenómenos de culto, estreou em 1997 “Buffy, The Vampire Slayer”. Talvez seja, até, o clássico mais inegável desta lista. O meu colega nerd do trabalho, fixado em Buffy e Whedon, diz que Buffy não é um teen show. Precisamente por ser muito mais que um teen show. Contudo, também defende que as metáforas dos monstros se podem associar aos dramas do crescimento, por isso o termo série adolescente parece encaixar-se. A também falta de agressividade dos confrontos leva-nos a defender, inclusive, que este se possa moldar como um conteúdo infanto- juvenil.

Infanto-juvenil ou não, Buffy marcou o género do sobrenatural, as séries e filmes de vampiros para sempre. Mais, o rapazinho que representa Stefan em ” The Vampire Diaries” é a cara chapada de Angel (David Boreanaz) e até passa por um arco incrivelmente semelhante, quase pastiche, de perda da alma com killing spree à mistura.

Lê Também:
As Melhores Séries de 2017

Buffy é mais um produto icónico, entre os muitos, da WB Television Network, extinta mas nunca esquecida. Faz parte do imaginário da televisão, e é característico da viragem do milénio. Moldou também uma visão muito particular de uma miúda comum extraordinária. Buffy é apenas humana, nada mais, mas é também alguém com uma força e determinação extra-humanas, o que a torna uma personagem complexa, cativante e, palavra-chave aqui – viciante.

Para não variar, cobrimos ainda a secção “o que lhes aconteceu depois do final da série, e durante”. Sarah Michelle Gellar, a nossa Buffy, nunca se desprendeu inteiramente do papel, um vício frequente com protagonistas icónicos. Contudo, participou ainda em filmes bastante badalados junto do público como “Sei o Que Fizeste o Verão Passado” e “Scooby Doo”. David Boreanaz teve direito ao seu próprio spin off no universo de Buffy, “Angel”, e seguiu depois, logo no ano seguinte ao fim de Angel, para uma nova aventura – muitos anos a dar vida a Seeley Both, em “Bones”. 

Alyson Hannigan é, contudo, a que melhor se saiu. Entre a saga “American Pie” e “How I Met Your Mother”, Hannigan manteve-se bem no spotlight ao longo dos anos. Sim, estou a bater no ceguinho, mas nada atesta o sucesso de uma série como a longevidade da carreira dos seus protagonistas. Se nunca viste Buffy, como eu até ao ano passado, está na hora de corrigir esse erro – o mais depressa possível. 




90210 (2008 – 2013)  / 90210 – Beverly Hills (1990 – 2000)

90210
90210 | @The CW Network

Por “90210”, entenda-se que me refiro essencialmente à versão de 2008. Como criança da viragem do milénio, este período corresponde à minha adolescência. Por outro lado, ainda não era nascida quando “90210 – Beverly Hills”, o produto original, era exibido na televisão norte-americana. Portanto 2+2 fácil de compreender.

Porque é que coloco um conteúdo tão fraquinho como “90210” quase no topo desta lista? Porque é o estereótipo absoluto da série de adolescentes. É isso uma coisa boa? Não necessariamente, mas é importante no contexto desta lista destacar séries que se enquadram de forma absoluta na temática.

Lê Também:
HBO Portugal em julho | As séries que recomendamos

Não criou grande estrelas, ou nenhumas, e apesar de muito popular, também não há de ficar para os cânones. Contudo, vale pela marca, pelo geral, pela extensão de um universo que se originou na década de 90. Inclusive, alguns membros do elenco original vieram dar o ar da sua graça nesta nova adaptação, e existem diversos pontos de contacto temáticos.

“91210” cometeu diversos erros fulcrais. Lidou pessimamente com todas as temáticas sensíveis com as quais procurou envolver-se. Retratou para lá de mal uma doença mental, com Silver, e tornou um personagem gay de um dia para o outro sem qualquer lógica de continuidade. É capaz de ser uma má série, ponto final. Ainda assim, destaco um universo coerente com o que aqui procuramos. Não garanto que consigam ver todas as temporadas, mas que tal dar uma espreitadela ao original, para efeitos de comparação?




GOSSIP GIRL (2007 – 2012) 

Gossip Girl
Gossip Girl | © The CW Network

Suspende-se agora a “objectividade”, ou a tentativa que aqui se tenta praticar nesta lista. “Gossip Girl” “is my jam”. Como criança do início dos anos 90, 2007 foi um período áureo para a absorção de conteúdo direcionado a adolescentes, consumindo assim o que de melhor a CW tinha para oferecer. Viram muita CW e WB nesta lista (que é a mesma coisa praticamente). Por alguma razão é, era este o seu público alvo e verdade seja dita, para um canal tão criticado (CW), foi consistente na produção de conteúdos capazes de se tornarem verdadeiros fenómenos.

“Gossip Girl” tinha múltiplas virtudes. Desvirtuou muito para o fim,  mas a sua premissa inicial era entusiasta, baseada num livro e envolta numa aura de mistério com alguma devassidão à mistura. Devassidão q.b, claro, é a CW, mas ainda assim foi um conteúdo que chateou algumas associações de pais, por isso já marca pontos. GG lançou uma estrela bem brilhante, que considero que ainda se encontra no seu processo de ascensão – Blake Lively. Como Serena, pouco mostrou para além da sua graça e beleza, mas em filmes como “A Cidade”, “A Idade de Adeline” ou “Águas Perigosas”, mostrou já ser bem mais do que uma cara laroca, especialmente neste último thriller de terror com um tubarão à mistura, onde partilha o ecrã durante poucos minutos e aguenta o filme às costas com toda a graça.

Lê Também:
YOU, primeira temporada em análise

Deixemos, contudo, Blake de parte por um momento. O que é que “Gossip Girl não tinha”? Intriga familiar, traições amorosas, um shift de protagonismo interessante a certa altura, que colocou o romance tórrido e tóxico de Blair (Leighton Meester) e Chuck (Ed Westwick ) no epicentro da narrativa.

Entre os sonhos românticos de Blair, dominados por glamorosas evocações a “Breakfast at Tiffany’s” e outras referências à idade de ouro de Hollywood, entre a extravagância das festas e brunches do Upper East Side, entre o maravilhoso guarda-roupa, a intriga e os jogos de poder, “Gossip Girl” está sempre em voga.

Os seus criadores, Josh Schwartz e Sephanie Savage, especialmente o primeiro, são nerds que injectaram em “Gossip Girl” tudo o que faltava num típico teen show como 90210. E o que foi isso? As referências a cultura pop, claro, e a criação de personagens que não esquecem o seu arco narrativo, com desenvolvimento claro. Isto com excepção do final da série, quando tudo começa a desmoronar, mas não vale a pena entrar por aí. “Gossip Girl” é e será uma referência do género, de forma legitima. Nunca Manhattan, nem as escadas do MET, esquecerão o drama que a série lhes injectou.




THE O.C (2003 – 2007) 

The O.C
The O.C ©The CW/ The WB Network Television

É “The O.C “necessariamente a melhor ou mais viciante série de adolescentes de “sempre”? Não, é provável que não. Contudo, de forma subjectiva, coloco-a no topo desta lista devido ao local especial que ocupa no meu coração. Talvez não tenha sido tão marcante como a outra  grande série adolescente criada por Josh Schwartz – Gossip Girl, mas não deixou de marcar muito a cultura pop.

Lê Também:
Red Hot | 20 filmes sobre sexo na adolescência (Parte 3)

É, desde já, o produto que personifica a união entre a televisão da Warner Brothers e a CW. “The O.C ” apanhou precisamente o período de transição. É capaz de não ter acabado muito bem servido com esta troca, pois a série, muito popular na altura, acabou cancelada depois de uma curta quarta temporada. A este cancelamento acrescentamos uma razão ainda mais forte – Misha Barton saiu, e com ela as dinâmicas da série transformaram-se de forma drástica. Na minha perspectiva para melhor, Seth e Summer ganharam muito protagonismo e o melodrama foi, em grande parte, substituído por storylines mais cómicas. E caramba, Chris Pratt, ainda na sua versão gorducha,  foi um personagem recorrente, que mais podemos querer?

Talvez não a teen series mais influente de sempre, mas sem dúvida uma das. “The O.C” forjou inclusive um termo que entrou no léxico do quotidiano norte-americano, à semelhança do que “Parks and Recreation” fez com o Gallentine’s.  Chrismukkah, uma fusão do natal e Hanukkah, foi um termo criado pelo personagem Seth Cohen (Adam Brody) para aludir às suas tradições com um pai judeu e uma mãe protestante.

Para além disso, Adam Brody foi na altura uma figura de furor, popularizando a figura do nerd fofo, sexy, com as quais as miúdas podiam fantasiar, e o qual não deixava de apresentar uma aura algo inofensiva – cute, não hot. Antes de “The O.C”, esta figura estava algo ausente na cultura popular, pelo menos num papel central. Contudo, o judeu cromo que criou a série inverteu o paradigma. Abriu assim caminho para que séries como “Chuck” (também da sua autoria), como “The Big Bang Theory” , e para carreiras de anteriores outcasts no star system, como, por exemplo Michael Cera.

Lê Também:
Os Piores Casais de Séries de TV

Já Misha foi também muito popularizada durante estes anos. Não fossem os seus demais problemas, nomeadamente com drogas, espelhando os da sua personagem, talvez fosse ainda hoje uma grande estrela. Quanto aos atores que deram vida a Ryan Atwood (Ben Mckenzie) e Summer (Rachel Bilson), nunca se tornaram grandes super-estrelas mas conseguiram assegurar protagonismo nas suas próprias séries. McKenzie com “Gotham” e Rachel Bilson com “Hart of Dixie”, uma outra produção da CW Network que perpetua a sua comum reutilização de atores.

O.C fez-nos rir, chorar, criou personagens memoráveis e dois romances centrais que se equilibravam na perfeição. De um lado Marissa e Ryan, problemáticos e repletos de drama, do outro lado Seth e Summer, uma espécie de alívio cómico adorável.  E assim entrego a Josh Schwartz a coroa do conteúdo adolescente. “The O.C”, ao contrário da maioria das séries da lista, não está disponível na cabo nacional ou em serviços de streaming portugueses, mas merece, sem margem para dúvida, um belo binge. Que tal uma busca pela Amazon?

 

Por aí, quais são as séries de temática adolescente incontornáveis da vossa vida? 

Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

Maggie Silva has 492 posts and counting. See all posts by Maggie Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.