ArteKino ’18 | Grande vencedor e considerações finais

O Festival ArteKino, que este ano disponibilizou gratuitamente 10 filmes europeus na sua plataforma online, já anunciou qual foi o filme que as suas audiências escolheram para ganhar o Prémio do Público.

A mais recente edição do Festival ArteKino foi marcada por histórias de jovens a tentar encontrar rumo nas suas vidas, mulheres a enfrentarem escolhas impossíveis e cineastas com coragem para tomar riscos, diluir as barreiras entre documentário e ficção e os limites do cinema enquanto espaço para o discurso pessoal e político. Este é um festival muito especial, por várias razões, pelo que o seu gosto por realizadores capazes de tomar riscos não é de admirar.

Trata-se de um festival decorrido inteiramente numa plataforma online, que disponibiliza gratuitamente os seus filmes e deixa ao público o poder do voto para sua maior honra. Este ano, as audiências mostraram preferência por uma das propostas mais polémicas do festival, “24 Weeks”, uma obra alemã que, em 2016, conquistou a admiração da própria Meryl Streep, mas cuja temática sobre o aborto em estados avançados da gravidez, gerou controvérsia e impediu o filme de ser amplamente distribuído fora do seu país de origem.

Para além da honra do prémio em si, a realizadora Anne Zohra Berrached e a distribuidora do filme Beta Cinema vão receber 30 000 euros da parte do festival. Quem tiver interesse em ver ou rever o filme terá ainda todo o mês de janeiro para o fazer. Ainda gratuitamente, o Festival ArteKino vai disponibilizar “24 Weeks” na sua plataforma online e app. Aliás, o festival já anunciou que continuará a decorrer ao longo de 2019, com um novo filme disponibilizado todos os meses. É uma oportunidade a não perder.

festival artekino 24 weeks crater
Os filmes favoritos da equipa MHD foram 24 WEEKS e CRATER.

Aqui pela Magazine HD, onde foi feita uma cobertura intensiva do festival, “24 Weeks” foi também um dos claros favoritos, especialmente devido ao complexo retrato da sua protagonista. O outro filme a merecer grande destaque pela positiva foi “Crater”, uma das obras que mistura documentário e ficção em técnicas meio neorrealistas com atores não-profissionais a interpretarem versões de si mesmos.

Outras obras se destacaram com elementos individuais merecedores de aclamação. “Flemish Heaven” e “Those Who Are Fine” brilharam pelo aprumo da sua fotografia e virtuosismo formal. “Pin Cushion” e “For Some Inexplicable Reason” usaram estilização para moldar histórias criativas cheias de sinceridade, de dor num caso e de crescimento no outro. Por seu lado, “Mug” foi um murro no estômago de raiva política cujas ambições nem sempre foram suportadas pela execução.

No futuro, tentaremos estar novamente atentos às próximas edições desta fantástica iniciativa para cinéfilos europeus. Quem sabe se não encontramos aqui uma ou duas obras-primas ou surpresas tão inspiradoras como “Crater” ou “24 Weeks”. Para leres a nossa cobertura completa do festival, incluindo as análises do filme e entrevistas, clica nos links abaixo.

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COBERTURA MHD DO FESTIVAL ARTEKINO ’18:

Fica sempre atento à nossa cobertura de festivais. Desde a grandiosidade de Cannes até à pequenez promissora do ArteKino, a Magazine HD traz-te sempre o melhor do circuito internacional e nacional de festivais de cinema.

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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