A realizadora Chloé Zhao na antestreia drive-in de "Nomadland", em setembro de 2020 |©Searchlight Pictures

Óscares 2021 | Realizadoras na corrida, presente e futuro do cinema no feminino

As nomeações aos Óscares 2021 aludem a uma potencial alteração estrutural em Hollywood.  Duas realizadoras competem pelo galardão na respetiva categoria e o cinema no feminino ganha visibilidade. 

No epicentro da discussão encontramos a urgência de uma maior representatividade em diversas frentes, a qual tem vindo a ser apregoada ao longo dos últimos anos. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tem conseguido responder ao sinal dos tempos. As matérias de género são um exemplo pertinente desta evolução positiva.

Celebramos, por isso, as artistas atrás da câmara que se têm vindo a afirmar numa atividade cuja estrutura de produção (e capacidade de decisão) sempre esteve do lado do homem. Salientamos os ventos de mudança e refletimos acerca do papel que as mulheres terão daqui para a frente na máquina de sonhos de Hollywood.

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2020/2021 – UMA TEMPORADA DE PRÉMIOS ATÍPICA COM VÁRIOS TRUNFOS

Nomeações aos Óscares 2021 Nomadland
Óscares 2021 realizadoras: Frances McDormand e a realizadora Chloé Zhao no set de “Nomadland” | © NOS Audiovisuais

O ano cinematográfico é, por norma,  marcado por um percurso longo de festivais que culmina em distinções atribuídas por diversos círculos de críticos e múltiplas Academias, até chegar à Academia que mais poder tem na indústria cinematográfica (quiçá a nível global) –  a Academy of Motion Picture Arts and Sciences de Hollywood, que todos os anos entrega os cobiçados Oscars.

Entre cancelamentos, adiamentos e edições incomuns, os tão importantes festivais de cinema conseguiram sobreviver e ainda assim produzir concorrentes de peso para esta edição dos Óscares. Por exemplo, uma das “fábricas de indie darlings“, o norte-americano Sundance Film Festival escapou ao início do caos COVID e estreou, em janeiro de 2020, “Minari”, de Lee Isaac Chung,  (filme nomeado a seis estatuetas) e também “Uma Miúda com Potencial“, de Emerald Fennell (que chega aos Óscares com 5 indicações).

Nomadland – Sobreviver na América”, de Chloé Zhao (6 nomeações), chegou a 11 de setembro de 2020 a edições inventivas do canadiano TIFF e do lendário Festival de Cinema de Veneza ( o mais antigo festival cinematográfico do mundo). Pé ante pé, o mundo do cinema reajustou-se uma e outra vez a um ano verdadeiramente devastador para a indústria.

Nesta temporada cinematográfica de 2020/2021 os grandes filmes de estúdio foram em parte retirados da equação. A Netflix ganhou terreno nos Oscars, é verdade (se ganhou, com 35 nomeações),  mas ao longo dos vários meses de corrida, num ano em que tudo se atrasou para tentar compensar a crise pandémica, houve espaço para deixar entrar novo talento (seja ele junto da equipa artística ou técnica).

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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