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Shogun, a Crítica | Hiroyuki Sanada e Anna Sawai protagonizam o grande épico do ano na Disney+

“Shogun” é uma minissérie absolutamente imperdível de 10 episódios que já está disponível no Disney+.

Adaptada do romance de James Clavell, a minissérie de 10 episódios “Shogun” decorre no Japão no ano de 1600, acompanhando o início de uma guerra civil que define o século. Yoshii Toranaga (Hiroyuki Sanada) luta pela vida quando os seus inimigos no Conselho de Regentes se unem contra ele. Por sua vez, John Blackthorne (Cosmo Jarvis), o capitão inglês de um barco abandonado numa aldeia piscatória próxima, traz consigo segredos que podem ajudar Toranaga a pender a balança do poder e devastar a influência dos padres jesuítas e dos comerciantes portugueses.

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Assim, os destinos de Toranaga e Blackthorne ficam indissociavelmente ligados à intérprete Toda Mariko (Anna Sawai), uma nobre cristã e a última sobrevivente de uma linhagem que caiu em desgraça. Enquanto serve o seu senhor no meio deste cenário político agitado, Mariko tem de conciliar a sua aproximação a Blackthorne, o compromisso com a fé que a salvou e o dever para com o falecido pai. Ao contrário de muitas produções centradas na guerra, “Shogun” não busca glorificar o conflito, mas sim explorar os eventos que o antecedem.

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“Shogun” mergulha assim os espectadores nestes tumultuosos eventos do Japão do século XVII, sem ter grandes necessidades de explicar cada ligação e cada contexto dos seus personagens. É uma série inteligente que confia no seu público, proporcionando assim uma experiência televisiva rica e interessada em desafiar as convenções do género em que se insere e subverter as próprias expetativas que o público nela coloca.

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Por isso mesmo, é importante esclarecer que em nenhum momento, “Shogun” pretende ser a próxima “Game of Thrones”. Esta é uma comparação que tem sido sistematicamente feita e que já valeu um esclarecimento pela parte de um dos realizadores da série, Jonathan van Tulleken. Para ele, a produção retrata “um mundo perigoso onde a violência pode surgir do nada, mas o perigo real está nas maquinações. Uma conversa pode ser tão perigosa quanto qualquer outra coisa”. Van Tulleken defende ainda que uma comparação melhor seria com “Succession” ou “House of Cards”.




SHOGUN NÃO É A NOVA GAME OF THRONES

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E sim, para aqueles que esperam épicas batalhas e momentos explosivos a toda a hora, “Shogun” será certamente uma desilusão. Já que a série adota um ritmo deliberadamente lento e contemplativo, investindo tempo na construção dos personagens e nas consequências das ações de cada um. É um épico que dedica mais tempo às guerras pessoais e internas e à beleza poética do que ao conflito sangrento em si.

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No centro da trama estão três personagens essenciais: Yoshii Toranaga, John Blackthorne e Toda Mariko. Toranaga é o tipo de personagem omnipresente, que mesmo tendo menos tempo em cena do que é esperado, torna-se a peça fundamental de tudo o que acontece na série. A todo o momento, o espectador questiona-se sobre a verdade daquilo que é dito e visto, porque Toranaga está envolvido num jogo de xadrez interno em que toda a gente é um pião disponível para ser usado e manipulado.

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Na pele deste astuto líder está o veterano Hiroyuki Sanada, que tem a oportunidade de brincar com o tipo de papel que habitualmente representa nos filmes americanos e mostrar a dimensão do seu alcance dramático. Raramente levanta a voz, contendo todo o seu poder e ameaça num olhar ou na forma como dramatiza as falas. É um desempenho carismático que justifica muito bem porque é que os personagens se deixariam envolver assim no jogo de Toranaga.

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Por sua vez, John Blackthorne, é uma subversão do arquétipo de herói. É o contrário de Toranaga, barulhento, resmungão e sempre pronto para entrar no barco e começar uma guerra. É aqui também que “Shogun” trabalha as nossas expetativas, já que o receio inicial é que Blackthorne seja mais um exemplo de “white saviour”. Porém, a história do personagem afasta-se disso, ao mostrar um homem que fica integrado numa cultura e preso a ela. Cosmo Jarvis diverte porque sabe exatamente qual é o seu propósito na série e encarna aquela figura canastrona do herói clássico na perfeição.




ANNA SAWAI: A REVELAÇÃO DE SHOGUN

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Para terminar o trio principal, está aquela que é talvez a grande estrela da série, Toda Mariko, uma mulher influente que não tem um motivo para viver. Mariko apenas quer poder juntar-se aos seus familiares e honrar o complicado legado da sua família. Toranaga sabe isso e vê nela o trunfo perfeito para o seu plano. Assim, Anna Sawai tem nas suas mãos uma figura que vive constantemente dividida, um conflito que ela transmite com a naturalidade e o magnetismo das suas expressões faciais.

Para além do núcleo duro, a série apresenta um leque de personagens variados interpretados por um elenco todo ele muito bem oleado e coeso. É de salientar Tadanobu Asano na pele de Yabushige, um lorde sem qualquer espinha dorsal que tenta navegar entre as suas obrigações para com Toranaga e a sua intenção em manter-se vivo e no poder, após Toranaga receber o seu fim. Asano vende muito bem a ideia de um homem numa corda bamba em quem não se pode confiar, mas que os personagens acabam por fazê-lo porque o seu sorriso e a sua atitude são irresistíveis.

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No fim de tudo, o que fica sobre “Shogun” é um épico de guerra sobre o antes do conflito e como cada decisão impacta o destino de cada pessoa. Tudo se resume na citação de Toranaga, “Por que é que só aqueles que nunca lutaram numa batalha é que estão tão ansiosos para participar numa?”. Estamos perante um épico que é sobre guerra, mas raramente faz dela o espectáculo principal.

TRAILER | SHOGUN JÁ DISPONÍVEL NA DISNEY PLUS

E tu, já viste “Shogun” na Disney+? 

Shogun, a Crítica
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Name: Shogun

Description: Quando um misterioso navio europeu é encontrado abandonado numa vila de pescadores próxima, Lord Yoshii Toranaga descobre segredos que podem inclinar a balança do poder e devastar os seus inimigos.

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  • André Sousa - 100
100

CONCLUSÃO

“Shogun” oferece uma narrativa envolvente que mergulha nas intricadas teias políticas e pessoais do Japão do século XVII, sem perder de vista o que a torna realmente especial: a profundidade dos seus personagens. Ao desafiar as expectativas do público e subverter os lugares comuns do género, a série apresenta-se como um épico contemplativo, poético e extremamente belo.

Pros

  • Confia no público e não cai na armadilha da exposição e da estupidificação do material;
  • Apresenta um elenco todo ele afinado, especialmente o trio principal;
  • Não tem medo de ir contra ao que o público espera e tirar o pé do acelerador.

Cons

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