Parasitas (2019) |©Alambique

Óscares 2020 | As maiores supresas e snubs entre os nomeados

Foram hoje anunciados os nomeados à 92ª edição dos Óscares, que este ano acontece mais cedo, a 9 de fevereiro em 2020. Procuramos descobrir agora quais foram as maiores surpresas, e quem foram os grandes esquecidos entre os nomeados deste ano!

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Hoje, às 13h18 (5h18 nos EUA), foi iniciada a emissão oficial do canal de Youtube dos Óscares, sendo assim revelados os nomeados às 24 categorias que concorrem às estatuetas douradas em 2020. Celebra-se o melhor do ano cinematográfico de 2019, numa cerimónia que, baseada nas nomeações, será certamente indicada como um retrocesso no que diz respeito à “política” de diversidade que a Academia tem vindo a tentar implementar.

Entre algumas surpresas e alguns grandes “snubs” (esquecidos), que se têm vindo a desenhar ao longo da temporada de prémios, muito do que foi avançado hoje era já previsível. A corrida é liderada por “Joker”, de Todd Phillips,  com 11 nomeações, seguido de “1917”,  de Sam Mendes, que conquistou 10 nomeações e por “Era Uma Vez… em Hollywood”, de Quentin Tarantino, que segue também com 10 indicações. Os três encontram-se também indicados na categoria de realização.

“Joker” pode seguir à frente, “1917” pode ter vencido nos Globos de Ouro e “Era Uma Vez em …Hollywood” pode concentrar em si todos os elementos auto-referenciais sobre Hollywood que a Academia admira, mas a verdade é que, neste corrida, e neste momento, antes de serem anunciados os vencedores de inúmeras premiações, não existe um claro favorito à vitória, embora Tarantino vá bem encaminhado.

Ao fim de contas, muitos peritos continuam a apostar em Martin Scorsese e no seu “Irlandês”, embora o fantasma da distribuição Netflix se imponha fortemente. Por outro lado, “Parasitas” está a ser alvo de elogios sem fim junto da comunidade de Hollywood. Quem sabe abra a porta para uma surpresa na corrida?

Talvez com os PGA (Producer’s Guild Awards), Prémios dos Podutores de Hollywood, possamos chegar a alguma clareza. Faltam três dias para a cerimónia, que acontece no próximo dia 18 de janeiro. Talvez aí consigamos obter um claro vencedor provável, numa corrida certamente mais renhida do que em alguns anos passados.

Já a diversidade racial, étnica e de género é diminuta nesta lista de nomeados, o que iremos escrutinar de seguida. Fica a questão no ar, será que a Academia procurou, de facto, uma restruturação, ou apenas a aparência da mesma? Reinam o clássico filme de gangsters, obras relacionadas com guerra e alguns dos blockbusters do ano. Mas o que ficou pelo caminho?

Vamos então descobrir quais as surpresas entre quem foi (ou não) nomeado!

PARASITAS – O PRIMEIRO FILME COREANO NA CORRIDA AOS ÓSCARES 

Parasitas Óscares
“Parasitas” (2019) |©Alambique

É uma surpresa e ao mesmo tempo nem por isso. “Parasitas” tem vindo a ganhar imensa popularidade ao longo da temporada de prémios, foi nomeado por muitos dos sindicatos que compõem também, em grande parte, os votantes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, mas ainda assim, a Palma de Ouro de 2019 (a primeira para um sul-coreano) alcançou resultados verdadeiramente respeitáveis. Nomeado para seis estatuetas: Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Argumento Original, Melhor Filme Internacional, Melhor Design de Produção e Melhor Edição.

Não é comum, para um filme de língua não inglesa, ser nomeado em tantas categorias. Na história dos Óscares, apenas “Z” em 1969, “A Vida é Bela”, em 1998, “O Tigre o o Dragão”, em 2000, “Amor” em 2012 e no ano passado “Roma” tinham sido nomeados tanto na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira como na categoria principal de Melhor Filme. Assim, este passa a ser apenas o 6º filme na história dos Óscares a conseguir este feito.

Embora todos os filmes mencionados acima tenham vencido na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, agora renomeada Melhor Filme Internacional, nenhum deles levou para casa a estatueta principal da noite. Será que “Parasitas” poderá fazer história e ser o primeiro a vencer a noite? Provavelmente não, mas era interessante ver esta obra-prima triunfar…




SCARLETT JOHANSSON  – DUPLAMENTE NOMEADA 

Jojo Rabbit
Jojo Rabbit | © Big Picture Films

Scarlett Johansson alcança, este ano, um feito de louvar. É nomeada em duas categorias distintas de representação. Em 1937, foram entregues pela primeira vez os Óscares de Melhor Ator Secundário e Melhor Atriz Secundária. Passados 83 anos, Scarlett Johansson junta-se a um clube bastante exclusivo, sendo a 9ª atriz a ser indicada tanto na categoria de Melhor Atriz, por “Marriage Story” como para Melhor Atriz Secundária, por “Jojo Rabbit”, no mesmo ano. Já tinha recebido esta dupla nomeação em outras cerimónias. Por exemplo, está nomeada para dois BAFTAS pelas mesmas prestações mas nos Óscares é, normalmente, mais difícil chegar à dupla nomeação.

A atriz de 35 anos tem já uma carreira bastante longa em Hollywood, mas está a ter um ano exemplar e um momento particularmente marcante na sua carreira. Ao fim de contas, esta é a primeira vez que é nomeada aos Óscares, e é nomeada em duplicado. Com o filme em nome próprio da “Viúva Negra” prestes a estrear, a 30 de abril, Scarlett tem uma presença notória nos filmes de estúdio, através desta colaboração com a Marvel, mas prova agora que a sua presença em cinema de autor é igualmente viável. Isto sem desconsiderar os louvores que recebeu no passado por filmes como  “O Amor é um Lugar Estranho” (2003) ou “Match Point” (2005) , entre outros.

Mas será a dupla nomeação indício suficiente de que Scarlett terá a oportunidade de “roubar” o Óscar a Renée Zellweger, a atriz mais premiada desta temporada de prémios? Possivelmente não, mas este pedaço de história ninguém lho tira.




NETFLIX BEM PRESENTE COM 24  NOMEAÇÕES 

o irlandês óscar 2020
“O Irlandês” | ©Netflix

Se o ano passado (temporada de 2018/2019) foi já bastante relevante para a Netflix em termos de entrada na lógica da temporada de prémios, com o sucesso enorme do seu “Roma”, em 2020 solidificam muito mais a sua posição, e a Academia começa a suavizar a sua posição no que diz respeito ao gigante de streaming.

A Netflix está presente em todas as categorias principais, desde Melhor Filme, a Melhor Realização, passando por Representação, Documentário e até Animação. Se antes só víamos a Netflix espreitar na categoria de Documentário, agora é apenas uma nomeação entre muitas. Resta saber como será em termos de vitórias. Ao fim de contas, a Netflix partia em vantagem para os Globos de Ouro, e de lá saiu praticamente de mãos a abanar.

Neste caso, 2 dos nove filmes indicados a Melhor Filme são produções Netflix: “O Irlandês” e “Marriage Story“. Só os dois juntos somam 16 nomeações. No total, a Netflix soma 24 nomeações, mais do que qualquer outro estúdio, e coloca-se assim numa posição bem distinta. Será ainda o “underdog” quando chegar a hora de anunciar os vencedores?




MARTIN SCORSESE – CAMPEÃO ENTRE OS NOMEADOS A REALIZAÇÃO 

Óscares 2020 Martin Scorsese
Martin Scorsese nas gravações de “O Irlandês” (2019) |©Netflix

Com a nomeação por “O Irlandês”, Martin Scorsese torna-se o realizador vivo com mais nomeações para Melhor Realizador, obtendo com este filme a sua nona nomeação. Eclipsa as oito nomeações de Billy Wilder (“O Apartamento”, “Sunset Boulevard”)  na categoria de Realização. O realizador faleceu em 2002, mas até agora estavam empatados no número de nomeações. Contudo, se o colocarmos em comparação com outros artistas já falecidos, William Wyler, realizador de “Ben-Hur”, arrecadou 12 nomeações antes de morrer em 1981, o ano em que Scorsese foi nomeado pela primeira vez. Seguem-se Woody Allen e Steven Spielberg com sete nomeações cada.

Ao longo da sua carreira, Scorsese foi assim nomeado 9 vezes, hoje por “O Irlandês”, em 2014, mais recentemente, por “O Lobo de Wall Street”, em 2012 por “Hugo”, em 2007 por “The Departed – Entre Inimigos”, em 2005 por “O Aviador”, em 2003 por “Gangs de Nova Iorque”,  em 1991 por “Tudo Bons Rapazes”, em 1989 pelo atribulado “A Última Tentação de Cristo” e, pela primeira vez, em 1981, por “Touro Enraivecido”.

Apenas levou a distinção uma vez, por “The Departed”, por mais estranho que pareça. Será que é desta que vence uma vez mais?




REALIZADORAS FORA DA CORRIDA….NOVAMENTE 

Mulherzinhas
“Mulherzinhas”, de Greta Gerwig © Big Picture Films

Este ano, 9 filmes entraram na corrida para Melhor Filme, apenas um destes realizado por uma mulher, Greta Gerwig e as suas “Mulherzinhas”. Este é apenas o 13º filme realizado por uma mulher nomeado a Melhor Filme, e apenas o terceiro realizado, escrito e produzido (produtora principal) apenas por mulheres a receber esta nomeação. E, por isso, deixa ainda assim a sua marca nos “números” dos Óscares.

Uma narrativa que tem sido alvo de muitos artigos de análise nos media norte-americanos é a que defende que o público masculino é incapaz de se afeiçoar, ou antes, dar sequer oportunidade a este filme sobre quatro irmãs, baseado no romance de Louisa May Alcott, sendo a obra vista por muitos como “inerentemente feminina”.

Tenha sido este factor uma desvantagem, ou não, o filme segue com seis nomeações aos Óscares. Com a indicação para Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado para Greta Gerwig (repetente na nomeação por Argumento), Melhor Atriz para Saoirse Ronan (que aos 25 anos chega à 4ª nomeação) e Melhor Atriz Secundária para Florence Pugh, estrela emergente nomeada pela primeira vez, seria de esperar que a nomeação para Realização pudesse também chegar, o que não foi o caso. Se lá tivesse chegado, Greta Gerwig seria a primeira mulher duplamente nomeada nesta categoria ( recuperando a sua nomeação recente na categoria de realização por “Lady Bird”).

Com as cinco “vagas” para o prémio de Melhor Realização altamente disputadas, nenhuma realizadora preencheu um lugar. Os nomeados a melhor realizador, veteranos como Tarantino, Scorsese e Sam Mendes, eram já bastante previsíveis a esta altura do campeonato.  Bong Joon Ho ia também já acumulando diversas nomeações por “Parasitas” e parecia uma forte eventualidade. Apenas Todd Phillips, por “Joker”, foi a carta mais fora do baralho, mas considerando que este foi o filme mais nomeado, a sorte sorriu-lhe. Foi ele o único não nomeado para os Prémios do Sindicato de Realizadores, os Director’s Guild Awards, ou DGA’s, onde, em vez de Phillips, Taika Waititi foi nomeado pelo seu “Jojo Rabbit”, que leva ainda assim seis nomeações, incluindo Melhor Argumento adaptado para o próprio Waititi.

Falando de quem não está ao invés de quem está, na sequência dos movimentos que se propagaram em Hollywood, mais mulheres começaram a realizar, e mais mulheres realizaram, em 2019, grandes êxitos de bilheteira e de crítica. Lorene Scafaria com o seu “Ousadas e Golpistas” e Alma Har’el pelo seu “Honey Boy” mereceram nomeações nos prémios independentes Spirit Awards, mas ficaram-se por aí. Para além destas, realizadoras como Lulu Wang (“A Despedida”), Marielle Heller (“Um Amigo Extraordinário), Mati Diop (“Atlantique”), Olivia Wilde (“Booksmart – Inteligentes e Rebeldes”) e muitas outras destacaram-se no passado ano, mas nenhuma conseguiu  fazer valer a sua presença. Talvez para o ano?




#OSCARSSOWHITE (DE NOVO) E A PERSISTÊNCIA DA VELHA GUARDA 

dor e gloria critica
“Dor e Glória” (2019) © Pris Audiovisuais

Por uma unha negra, os Óscares de 2020 não têm nas suas mãos, uma vez mais, uma situação de #oscarssowhite a transparecer nas categorias de representação. Ainda assim, é mesmo por muito pouco. Entre os 10 nomeados a Melhor Ator Secundário e Melhor Atriz Secundária, vemos apenas nomes de intérpretes brancos, a não ser que consideremos “italiano” como uma etnia, o que é algo duvidoso, especialmente porque Joe Pesci e Al Pacino dificilmente representam diversidade étnica. Se formos até à categoria de Melhor Ator encontramos o espanhol Antonio Banderas, nomeado por “Dor e Glória”( não conta como diversidade racial para nós, mas conta para os americanos) e se procurarmos na categoria de Melhor Atriz encontramos a afro-americana Cynthia Erivo, nomeada por “Harriet”. Ainda assim, a comunicação social não deixa de realçar como a diversidade se perdeu uma vez mais nos Óscares, e como existe uma persistência por parte da velha guarda e status quo estabelecido.

Entre os 20 nomeados (19 porque temos um bis de Scarlett), predominantemente brancos, encontramos acima de tudo repetentes. Apenas Antonio Banderas, Jonathan Pryce, Cynthia Erivo, Scarlett Johansson  e Florence Pugh são estreantes. Mas nem tudo soa assim tão pessimista, das atrizes nomeadas nas categorias de representação, três são jovens nascidas nos anos 1990, com idades abaixo dos 30 anos – a estreante Pugh, e as repetentes Saoirse Ronan (4ª vez)  e Margot Robbie (2ª vez), o que significa que ainda vai entrando algum sangue novo na fibra de Hollywood. Sangue novo maioritariamente branco, ainda assim…

Falando em velha guarda, Tom Hanks é nomeado na categoria de Melhor Ator Secundário por “Um Amigo Extraordinário”, da realizadora Marielle Heller…já não recebia uma nomeação há 19 anos.




ADEUS OUSADAS E GOLPISTAS E JENNIFER LOPEZ, OLÁ KATHY BATES 

Ousadas e Golpistas
Jennifer Lopez e Constance Wu em “Ousadas e Golpistas” (2019)  | © Cinemundo

“Ousadas e Golpistas“, ou “Hustlers”, no original, foi um dos filmes mais falados dos últimos meses, e embora tenha recentemente perdido fulgor na corrida, a narrativa semi-biográfica, realizada e escrita por Lorene Scafaria, tinha ainda um trunfo do seu lado, a prestação altamente elogiada de Jennifer Lopez. O filme baseia-se num artigo da jornalista Jessica Pressler, escrito para a New York Magazine em 2015, intitulado ” The Hustlers at Scores”, um ajuste de contas, numa história real sobre um grupo de strippers que, após a queda da bolsa de Wall Street, tiveram de arranjar uma forma de melhorar os seus lucros, explorando e enganando engravatados de Wall Street para o efeito.

O filme baseia-se assim na experiência destas mulheres reais, e é encabeçado por Constance Wu. Contudo, quem roubou a cena foi Jennifer Lopez no papel de Ramona. Um papel secundário, mas simultaneamente essencial para a trama. Aqui, Jennifer Lopez deu vida a uma stripper e entregou-se de alma e coração, dançando no varão sem recurso a duplos. J-Lo venceu nos Satellite e em diversos círculos de críticos nos Estados Unidos, foi nomeada aos Globos de Ouro, e mais relevante ainda, foi indicada aos Screen Actors Guild Awards, os Prémios do sindicato de actores de Hollywood.

As votações dos SAG foram bastante semelhantes às dos Óscares, com duas excepções. Onde nos SAG foram nomeadas para Melhor Atriz num papel Secundário Margot Robbie, Scarlett Johansson, Nicole Kidman e Jennifer Lopez, nos Óscares Florence Pugh foi nomeada, e também uma intérprete um pouco mais desligada desta corrida, Kathy Bates, pelo novo filme de Cint Eastwood, “Richard Jewell”. Adeus Nicole, que se torna a única intérprete principal de “Bombshell” a falhar a nomeação e claro, Jennifer Lopez, esperançosa ao longo de toda a temporada de prémios. “Ousadas e Golpistas”, quase uma certeza há uns meses atrás, chega aos Óscares sem uma única nomeação.




NADA PARA O TRABALHO DE JORDAN PEELE E LUPITA NYONG’O

Lupita Nyong'o
Lupita Nyong’o em “Nós” (“Us”) | © NOS Audiovisuais

Jordan Peele estreou-se na realização com “Foge” em 2017, inicialmente um pequeno filme indie, uma alegoria de racismo expressa através do género do terror. Maravilhou meio mundo, público, crítica, todos se mostraram  arrebatados pelo seu filme. Criou um novo termo – “Thriller Social”. O filme foi nomeado para quatro estatuetas douradas, Jordan Peele venceu Melhor Argumento Original e tornou-se o primeiro afro-americano a vencer nesta categoria, bem como o primeiro afro-americano nomeado para Produção, Argumento e Realização num mesmo ano.

Em 2019, Peele trouxe-nos mais um “thriller social” inquietante, “Nós”, um filme menos unânime do que o seu antecessor, e que por isso não colheu os mesmos frutos. Contudo, algo é impossível de contornar – o trabalho de  Lupita Nyong’o, vencedora do Óscar de Melhor Atriz Secundária por “12 Anos Escravo” (2013). Neste filme, dá vida tanto a Adelaide Wilson como a “Red”. A sua prestação é complexa, soberba, um testemunho de que é uma sublime atriz. Apesar de ainda ter sido nomeada a alguns prémios com este papel, nomeadamente aos relevantes SAG, Prémios do Sindicato de Atores, muitos dos membros também eles votantes nos Óscares, não foi suficiente. Não nos esquecemos da sua imensa prestação, estando Lupita nomeada para os Prémios de Excelência Cinematográfica da Magazine.HD, os nossos “Óscares”.




TARON EGERTON E O “SEU ” ROCKETMAN EM BAIXAS

Golden Globes 2020
Taron Egerton em “Rocketman” | © NOS Audiovisuais

Como prova viva de que os Globos de Ouro nem sempre são o melhor barómetro para os Óscares, Taron Egerton, vencedor do Globo na Categoria de Melhor Ator numa Comédia ou Musical, não conseguiu garantir a nomeação na categoria de Melhor Ator. Adicionalmente, nem os SAG serviam como presságio desta não-nomeação. Das nomeações dos SAG para as dos Óscares, entraram na corrida, enquanto Melhor Ator, Antonio Banderas, um dos poucos vestígios de diversidade nos Óscares de 2020, e Jonathan Pryce, por “Dois Papas”. Assim, Christian Bale e Taron Egerton, nomeados aos SAG, não chegaram à nomeação nos Óscares.

Pior é que “Rocketman” falhou a nomeação em praticamente todas as categorias, excepto uma. Elton John e o seu parceiro musical Bernie Taupin estão nomeados na categoria de Melhor Música Original, por “I’m Gonna Love Me Again”, mas fica-se a lista por aí. Apesar do sucesso da biografia musical no caso de “Bohemian Rapsody”, vencedor de quatro Óscares em 2019, o claramente superior “Rocketman” não conseguiu nem de perto repetir o feito, perdendo até a nomeação na Categoria de Guarda-Roupa, onde era um dos favoritos à lista final. Pelo menos, o homem que inspirou o filme está nomeado e é um dos favoritos na sua categoria….




BEYONCÉ E O “EGOT” ADIADO 

the lion king 2019
Beyoncé Knowles-Carter | ©NOS Audiovisuais

Mais um “snub” notório foi Beyoncé. A mega super-estrela tem 23 Grammy Awards, soma quatro nomeações este ano, mas continua a não estar mais próxima do Óscar. Co-escreveu, para o filme “O Rei Leão” (2019), novo campeão supremo de bilheteira em Portugal, a música “Spirit”, que esteve presente na “shortlist”, a lista de pré-nomeados em diversas categorias, mas não chegou aos nomeados finais.

Esta incapacidade de chegar à nomeação ao Óscar vem depois de não ter sido creditada pelos Óscares por co-escrever a música “Listen”, nomeada em 2007. Coincidência ou vendeta?




FROZEN II COM UM PÉ FORA, KLAUS COM UM PÉ DENTRO 

Prendas Natal Klaus nomeação Óscares
“Klaus” (2019) | © Netflix

Outra ausência significativa é “Frozen II” na categoria de animação. Tipicamente, se a Disney lança dois grandes filmes num ano, apenas um tem tendência a ficar nomeado. Contudo, quando é estreada uma produção Disney e outra Pixar, a história é diferente. Por norma, ambas acabam a competir. Este ano, a música foi outra. A sequela de “Frozen”, um enorme sucesso de bilheteira, pode não ter mantido o padrão de qualidade do filme anterior, ou antes, pode não ter contido qualquer espécie de espírito inovador, tecnologia à parte. Ainda assim, esperar-se-ia que a máquina Disney falasse mais alto, e a continuação da história de Elsa e Anna era um dos filmes que surgia como mais provável à nomeação.

Em vez de “Frozen”, encontrámos na lista um esperançoso menos certo, o aclamado filme de animação da Netflix “Klaus”. Esta produção espanhola, realizada por Sergio Pablos e Carlos Martínez López, conta com dois portugueses, Sérgio Martins e Edgar Martins, na equipa de produção. É o nosso prémio de consolação, pois na categoria de curta-metragem de animação a portuguesa Regina Pessoa, já membro da Academia, encontrava-se na shortlist como pré-nomeada. Infelizmente, não foi desta.

Quanto a “Frozen II”, acabou surpreendentemente mal servido, nomeado apenas a Melhor Canção Original por “Into the Unknown”, o hino desta sequela.  Já “Klaus” , aposta da Netflix para o Natal de 2019, conta a história da amizade improvável entre um carteiro egoísta e um solitário fabricante de brinquedos.




ÓSCAR DE MELHOR FILME INTERNACIONAL – O “SNUB” DE ATLANTIQUE 

LEFFEST Atlantics Óscares não nomeação
“Atlantique” | © Netflix

Apesar do sucesso imenso da Netflix nestas nomeações dos Óscares, há uma categoria onde esperávamos ver o gigante de streaming representado por uma aquisição bem pensada aquando do Festival de Cannes. Falamos de “Atlantique”, intenso romance sobrenatural vencedor do Grande Prémio Do Júri no festival francês.

A Academia dá-nos sempre a volta no que diz respeito aos nomeados na categoria anteriormente chamada “Melhor Filme Em Língua Estrangeira”, que tem agora o nome um pouco mais ajuizado “Melhor Filme Internacional”. “Atlantique” ou “Atlantics” não era uma certeza, não como “Parasitas” ou “Dor e Glória”, mas era uma forte probabilidade e mais uma oportunidade perdida para diversidade nestes Óscares. Este filme desenha uma co-produção entre França, Senegal e a Bélgica, mas é acima de tudo um filme africano, algo pouco frequente quer nos Óscares quer no catálogo da Netflix. Mati Diop, a realizadora, nasceu em França, mas é neta do influente realizador senegalês Djibril Diop Mambéty. 

Adicionalmente, este é um filme distinto, inovador, e Mati Diop foi uma das grandes revelações do ano. Uma oportunidade perdida, sem dúvida….




A24 COM CAMPANHA FALHADA – A DESPEDIDA + DIAMANTE BRUTO COM ZERO NOMEAÇÕES

Awkwafina
Awkwafina em “A Despedida” (2019) |©NOS Audiovisuais

 

“The Farewell”, “Uncut Gems”, “Midsommar”, “Waves”, “The Last Black Man in San Francisco”, o que têm em comum? Foram todos filmes badalados lançados, em 2019, nos Estados Unidos, pela distribuidora e produtora indie de renome A24. Para os Óscares, logicamente, a A24 não investiu em campanha para todos estes filmes, centrando-se, acima de tudo, em “A Despedida” de Lulu Wang e “Diamante Bruto” dos Irmãos Safdie. Durante bastante tempo, pareciam encaminhados para nomeações inevitáveis. “Uncut Gems” ou “Diamante Bruto” teve reacções ótimas no circuito de festival, e a certa altura na corrida parecia que Adam Sandler era um nomeado certo a Melhor Ator. Nesta altura do campeonato, esse sonho já tinha morrido, mas as suas zero nomeações são ainda assim assinaláveis.

Já “A Despedida” ou “The Farewell”, no original, foi provavelmente o filme no qual a A24 mais investiu nesta temporada. Ultimamente, os seus investimentos têm compensado, “Lady Bird” foi nomeado a inúmeras categorias nos Óscares, e rendeu a Greta Gerwig a nomeação no campo da realização. “Moonlight” foi o filme do ano, com uma outra campanha esforçada e muito mérito por parte do filme.

“A Despedida” teve bastante atenção mediática. Awkwafina venceu há pouco mais de uma semana o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Comédia, e a comédia dramática filmada entre Nova Iorque e a China acumulou cerca de 130 nomeações em inúmeros prémios. Nos BAFTA, escapou na categoria de Realização e Melhor Atriz, mas está nomeado a Melhor Filme em Língua Não Inglesa. Para os Óscares, o filme conta logicamente como americano, o financiamento principal veio dos Estados Unidos, e assim, um dos filmes mais falados desta temporada acabou com zero nomeações aos Óscares. Não era impossível acontecer, e aconteceu.

“A Despedida” está de momento em exibição nos cinemas nacionais, e “Diamante Bruto” chega à Netflix no final do mês. A A24 conseguiu que “The Lighthouse”, um filme soberbo ainda sem distribuição em Portugal, fosse nomeado para Melhor Fotografia. É qualquer coisa…

Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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