"Era Uma Vez em... Hollywood" © Big Picture Films | "Parasitas" © Alambique

Óscares 2020 | O que nos dizem os Globos de Ouro?

“1917” e “Era Uma Vez em… Hollywood” foram os grandes vencedores dos Globos de Ouro, mas será que triunfam nos Óscares 2020? 

Uma semana depois dos Globos de Ouro, o mundo ficará finalmente a conhecer os nomeados aos Óscares 2020, revelados na segunda-feira (a cerimónia acontecerá este ano mais cedo do que o normal, a 9 de fevereiro). Com o fim de mais uma cerimónia dos globos norte-americanos, já se faziam apostas, mesmo que exageradas, para os eventuais candidatos e vencedores das tão cobiçadas estatuetas douradas.

A energia dos vencedores como “1917” (Melhor Filme – Drama) e de “Era Uma Vez em… Hollywood” (Melhor Filme – Comédia ou Musical), como dos principais derrotados como “Marriage Story” e “O Irlandês” é ainda mais relevante, porque curiosamente dois dias após à entrega dos prémios pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA) terminava a votação para os prémios da Academia. Mas até que ponto terão os Globos de Ouro algo a dizer para os Óscares 2020?

Será que “1917” conquista o Óscar da Academia?

1917
1917 | © NOS Audiovisuais

Os especialistas na comparação entre estas cerimónias dizem que os Globos de Ouro não estão configurados para ser um prenunciador dos Óscares. No entanto, quando ligamos a televisão e conhecemos os vencedores em canais generalistas é essa a informação que passa para os telespectadores portugueses. Será que conhecemos realmente os efeitos que uma cerimónia tem na outra? Primeiro, há que saber que os responsáveis pela votação dos Globos de Ouro são distintos dos Óscares e que a HFPA não tem qualquer vínculo ou parceria com a Academia. Mesmo assim, a situação é bastante complexa de analisar.




Os Globos de Ouro não prevêem os Óscares, excepto quando o fazem.

Começamos, por isso, com as escolhas para Melhor Filme nos Globos de Ouro (dividido em duas categorias). Embora no ano passado “Green Book – Um Guia para a Vida” tenha ganho tanto 3 Globos de Ouro, como 3 Óscares, não há um algoritmo que confirme que o Melhor Filme será idêntico em ambos. Se compararmos realmente com a tendência genérica dessa temporada de prémios, nem “A Favorita”, com 486 prémios (incluindo vitórias e nomeações), nem “Roma” com 438, conseguiram levar para casa a principal estatueta dourada. O caso de “Roma” era ainda mais particular, tendo em conta o seu mediatismo e o facto de ser o favorito ao Óscar, concorrendo em 10 categorias em nome da Netflix.

Na verdade, já em 2018, “Três Cartazes à Beira da Estrada” tinha sido o grande vencedor dos Globos de Ouro, em quatro categorias, mas nos Óscares foi a vez de “A Forma da Água” ser celebrado. Em 2016, por exemplo, “O Caso Spotlight”, não ganharia nenhum Globo, mas ainda assim foi consagrado como o grande vencedor do Óscar de Melhor Filme, além de ter vencido pelo seu Argumento Original. Em 2015, outro exemplo, “Birdman” não venceu o Globo de Ouro de Melhor Comédia, mas levou o Óscar.

De facto, as tendências dos Globos de Ouro 2020 – como dos prémios das diferentes associações e institutos de críticos (Hollywood Film Awards, National Board of Review, New York Film Critics Circle, LA Film Critics Awards, só para citar alguns exemplos) – parecem significar muito pouco para os Óscares. Embora, durante algum período se considerassem os globos como precursores dos Óscares, hoje em dia, nada é certo na temporada de prémios.

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“Green Book – Um Guia Para a Vida” venceu o Golden Globe de Melhor Filme de Comédia e Musical e o Óscar de Melhor Filme | © Universal Studios

Aliás, são tantos os filmes, tantos as produtoras, as distribuidoras que atualmente é difícil contemplar uma temporada de prémios unânime. Se compararmos com a última década, aproximadamente 50% dos vencedores dos Globos de Ouro coincidem com os Óscares, e essa taxa tem mais probabilidade de vir a baixar do que a subir.

Por mais perguntas que existam, é certo que os Óscares 2020 podem, por um lado, espelhar tendências da Awards Season, como podem, por outro, deixar a sua própria marca. Vejamos de que forma os Globos de Ouro e os Óscares se alinham e se este é mesmo o ano de Quentin Tarantino e de  Brad Pitt.

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Qual o Melhor Filme?

Tarantino
Era Uma Vez em Hollywood | © Big Picture Films

Se olharmos para os vencedores dos Globos de Ouro como uma previsão para o Óscar de Melhor Filme neste ano, talvez façamos a mesma cara que Tom Hanks fez durante o monólogo de Ricky Gervais.

“Era Uma Vez em… Hollywood”, o filme de humor negro de Quentin Tarantino foi o grande vencedor da 77ª edição dos Globos de Ouro, com 3 galardões: Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Argumento e Melhor Ator Secundário. Seguiu-se “1917” que, surpreendentemente, venceu Melhor Realizador para Sam Mendes e Melhor Filme de Drama. Além disso, “Parasitas” foi o Melhor Filme de Língua Estrangeira, tendo o seu realizador Boon Joon-Ho dado um dos discursos da noite.

“Parasitas” é mesmo o filme mais aclamado desta temporada de prémios, contudo não estava elegível nas categorias principais de Melhor Filme nos Globos de Ouro. As nomeações ao BAFTA de Melhor Filme e de Melhor Realizador (além de Melhor Argumento Original e Melhor Filme Estrangeiro) poderão favorecê-lo nos Óscares, e que a corrida seja mais Tarantino vs Bong. Se assim for, a vitória de “1917” diz-nos muito pouco.

Então, qual é o melhor filme? Há quem diga que “Era Uma Vez em… Hollywood” é o grande favorito. O filme tem os elementos perfeitos tão admirados pela Academia: fala de Hollywood e da velha guarda de atores do cinema clássico, no momento crucial de transição dos anos 60. Esse período foi, de alguma forma, vivenciado diretamente pelos membros mais velhos e conservadores da Academia o que poderá favorecer a obra de Tarantino. Mas será que o filme consegue superar o terrível destino de “La La Land: Melodia de Amor”? Curiosamente este musical nostálgico, também sobre Hollywood, venceria 7 Globos de Ouro – todos para os quais estava nomeado -, mas falhou o Óscar de Melhor Filme (como sabemos, venceu apenas por minutos…)

Já “1917” está a receber um boost demasiado elevado para os Óscares 2020, não só por arriscar ao nível técnico, tratando-se um falso plano-sequência bem coreografado entre Sam Mendes e o diretor de fotografia Roger Deakins, como também por se enquadrar na lista de típicos filmes britânicos tão celebrados junto da Academia. Na última década dos prémios encontramos vários exemplos como “O Discurso do Rei” (2010),”O Jogo da Imitação” (2014), “A Teoria de Tudo” (2014) ou “A Hora Mais Negra” (2017). “1917” é um filme ambicioso e um retrato comovente da coragem das forças aliadas na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) – exatamente o tipo de projeto de estúdio que muitas vezes ganha o maior prémio do cinema.

Contudo, o maior obstáculo enfrentado por “1917” seja talvez a própria história dos Óscares. É verdade que um filme pode ganhar o Óscar sem sequer receber uma nomeação para a representação de um dos atores, ou sem ter sequer recebido uma nomeação pelo seu argumento. Mas é preciso voltar aos primeiros anos dos Óscares para que isso se verifique. Parece-nos completamente impossível nomear um dos jovens atores de “1917” (Dean-Charles Chapman e George MacKay), mas o Argumento Original de Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns não será certamente esquecido.

Por fim, os especialistas diziam que “O Irlandês” iria vencer o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama, mas todos os envolvidos na produção de Scorsese que estavam nomeados, saíram de mãos a abanar do Beverly Hilton Hotel. Com essa derrota a Netflix foi de alguma forma silenciada. Será também esse o seu destino nos Óscares 2020? Até agora não há uma escolha certeira, e só saberemos mais após a atribuição do PGA Awards, prémios do sindicato de produtores, cujos membros são também votantes da Academia.




O melhor ator: Joaquim Phoenix ou Adam Driver?

Joker
Joker © Warner Bros.

Enquanto que Brad Pitt em “Era Uma Vez em… Hollywood” parece ser o grande favorito para o Óscar de Melhor Ator Secundário, nenhuma categoria parece ser tão renhida este ano como a categoria de Melhor Ator Principal. Nos Globos de Ouro não só os filmes estão divididos em dois, como também as próprias categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz Principais estão separadas em Drama e Comédia ou Musical, respetivamente.

Este ano, Joaquin Phoenix por “Joker” e Taron Egerton por “Rocketman” foram os grandes vencedores, mas será que são mesmo os favoritos para as estatuetas douradas? A vitória nos Globos colocou-os, realmente, um passo à frente no favoritismo para os Óscares, mas não nos podemos esquecer que Antonio Banderas por “Dor e Glória” e Adam Driver por “Marriage Story” estavam a ganhar terreno junto das associações de críticos norte-americanos. Aliás, Driver parece ser mesmo o principal adversário de Phoenix e muitos especialistas até prevêem que o Egerton falhe a nomeação do Óscar.

Nos Globos de Ouro não só os filmes estão divididos em dois, como também as próprias categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz Principais estão separadas…

No entanto, Banderas não foi nomeado aos BAFTA, o que parece ser impossível vencer o Óscar (ou mesmo ser nomeado). Já Adam Driver poderá surpreender com a vitória nos SAG Awards, mas não nos parece que a Academia Britânica lhe entregue o BAFTA, tendo em conta a presença de Taron Egerton, que interpreta a Elton John uma lenda viva da música e do cinema daquele país. Aliás, não nos poderemos esquecer que, quando têm oportunidade os BAFTA privilegiam interpretações de atores nativos do Reino Unido, o que poderá favorecer o jovem Egerton, que estaria apenas a uma escada do seu sucesso nos Óscares 2020.

Nas escadas do sucesso desta Awards Season, e não só nas escadas do Bronx, encontramos a interpretação de Joaquin Phoenix como “Joker”. Desde os primeiros visionamentos, para já não falar da vitória do Leão de Ouro na 76ª edição do Festival de Veneza, o filme de Todd Phillips parece ser o grande favorito para o Óscar Melhor Ator Principal. O problema é que Joaquin Phoenix é um dos atores que gosta de polémicas em Hollywood e aquele discurso recheado de palavreado poderá não ajudá-lo a conquistar os membros mais antiquados da academia.

Uma vez mais, teremos uma resposta (mais ou menos) concreta com a entrega dos SAG Awards, os prémios do Sindicato de Atores.




O extraordinário regresso de Renée Zellweger

BIFA 2019
Renée Zellweger como “Judy” © BBC Films

Na edição dos Globos de Ouro do ano passado, Glenn Close deu um discurso que mudaria o rumo da temporada de prémios 2018/2019. Quando o envelope do Globo de Melhor Atriz de Drama foi aberto por Gary Oldman, Glenn Close ficou boquiaberta por ser eleita a vencedora e até se emocionou. Ninguém esperava que uma das maiores atrizes de Hollywood pudesse subir ao palco por um filme como “A Mulher”, não quando concorria contra Lady Gaga pelo remake de “Assim Nasce Uma Estrela”.

Todos levantaram-se – para seu bem Beyoncé não estava presente – e aplaudiram e até Michael Douglas lhe cumprimentou com um beijo no rosto. Aí, lembrámo-nos que Glenn Close estava há mais de 45 anos na indústria do cinema, e que chegara finalmente era a sua vez de brilhar. No seu discurso, a veterana lembrou-nos das suas “irmãs na categoria”, da luta da sua própria mãe e até que as mulheres devem ser mais ouvidas nas profissões pelo mundo fora. Foi um discurso perfeito. Quando Glenn Close terminou, estava claro quem venceria Óscar que…. acabou por ser ganho por Olivia Colman.

O facto de Glenn Close ter ganho o Globo de Ouro, o SAG de Melhor Atriz e o Critics’ Choice Award não bastou para ser vencedora do Óscar.

O facto de Glenn Close ter ganho o Golden Globe, o SAG de Melhor Atriz e o Critics’ Choice Award não bastou. Mesmo assim, não nos poderemos esquecer que Olivia Colman venceu o Globo de Melhor Atriz de Comédia ou Musical e que apresentou um discurso divertido, que se repercutiria novamente nos Óscares. Será que os acontecimentos chocantes do ano passado, comparáveis a um plot twist de Guerra dos Tronos, serão anunciantes do que veremos este ano?

Será que regresso em forma de Renée Zellweger em “Judy” pode ser colocado de lado em prol da atuação de Awkwafina, aclamada como Melhor Atriz de Comédia? Talvez este ano isso não aconteça. Isto porque, Awkwafina falhou a nomeação aos SAG e aos BAFTA Awards, assim que Renée Zellweger continua a ser, até ao momento, a escolha mais previsível para a estatueta dourada de Melhor Atriz. Muito ironicamente, a sua personagem é Judy Garland (1922 – 1969), uma das mais trágicas figuras de Hollywood, que em 1956 perdeu o Óscar pela interpretação da sua carreira em “Assim Nasce Uma Estrela” em 1955, falhando tantas outras tantas nomeações.

Estarão a Academia e a própria indústria preocupadas em emendar os erros do passado ao entregarem o Óscar a Renée Zellweger, uma atriz também ela esquecida e até desprezada no mundo do cinema? A ver vamos se o Dolby Theatre a aplaude de pé.




Serão as realizadoras esquecidas nos Óscares 2020?

Mulherzinhas
“Mulherzinhas”, de Greta Gerwig © Big Picture Films

Greta Gerwig por “Mulherzinhas”, Lorene Scafaria por “Ousadas e Golpistas”, Lulu Wang por “A Despedida”, Mati Diop por “Atlantique”, Céline Sciamma por “Portrait de la jeune fille en feu”, Olivia Wilde por “Booksmart”, Melina Matsoukas “Queen & Slim” são estas as cineastas que marcaram 2019 e que poderiam ter sido nomeadas ao Globo de Ouro de Melhor Realizador, categoria completamente dominada por homens. Onde estão as mulheres nesta Awards Season? Pois, na verdade não estão na categoria de Melhor Realizador. Infelizmente a única cineasta a ser mais comentada no momento para alcançar uma nomeação nos Óscares 2020 é Greta Gerwig, mas nem sequer a vimos receber uma nomeação aos BAFTA ou aos Directors Guild Awards.

…por detrás de um grande realizador, há sempre uma grande realizadora.

Greta Gerwig parece estar nas cerimónias de entregas de prémios mais como acompanhante de Noah Baumbach, o celebrado realizador de “Marriage Story”, com quem tem uma relação de 9 anos. Sempre soubemos que por detrás de um grande realizador, há sempre uma grande realizadora.

Não nomear uma mulher à categoria de realização nos principais prémios da temporada reflete um grave problema na indústria cinematográfica e, até, dos próprios votantes das distintas associações como os Globos de Ouro ou os BAFTA. Pouco saberão, mas 2019 foi o ano mais importante para as mulheres realizadoras e até produtoras, segundo um estudo apresentado pela USC Annenberg Inclusion Initiative.

Nos últimos 12 meses, os filmes realizados por mulheres atingiram novos marcos, isto porque aproximadamente 10,6% dos 100 filmes com maior bilheteira do ano foram de mulheres. De facto, dois dos dez principais lançamentos globais de maior sucesso, “Frozen II: O Reino de Gelo” e “Captain Marvel”, foram co-realizados por mulheres: Jennifer Lee e Anna Boden, respectivamente. É uma grande diferença em relação a 2018, quando apenas 4,5% dos principais filmes foram liderados por mulheres. E existe uma razão óbvia para esse crescimento: os movimentos #MeToo e “Time’s Up” têm provocado maior pressão para que os estúdios tenham melhores práticas para com as mulheres realizadoras e, por isso, são abertas mais portas. Em simultâneo, as cineastas têm tido mais oportunidades de apresentar os seus trabalhos em festivais de renome, como o Festival de Sundance (Lulu Wang é um bom exemplo), e até tiveram mais oportunidades de trabalhar na televisão e em serviços de streaming como na Netflix.

Além disso, em 2019, no estúdio Universal 4 dos grandes projetos do ano foram realizados por mulheres como Matsoukas e Tina Hall (“Little”), representando um quarto da sua produção. Também a STX Entertainment teve 25% dos seus filmes realizados por mulheres, enquanto a Sony e a Disney comprometeram-se com 17% dos seus filmes, e a Warner Bros. 16%. Por contrário, a Paramount não teve filmes com mulheres na liderança e não fez nenhum projeto com uma cineasta nos últimos cinco anos. No entanto, as mulheres de cor continuam a não ter as mesmas oportunidades que mulheres caucasianas. Historicamente, menos de 1% de todas realizadoras ao longo de 13 anos foram mulheres de cor. Apenas duas cineastas como Ava Duvernay (“Selma”) e Jennifer Yuh Nelson (“O Panda do Kung Fu 2”), apresentaram mais de um filme nos 1.300 filmes da amostra utilizada para o estudo da USC.

Grande parte da última década na indústria do entretenimento ficou marcada por um debate aceso sobre a falta de oportunidades para as mulheres, para os afro-americanos, para as pessoas de cor e para os membros da comunidade LGBTQ. Será que os Óscares 2020 serão marcados por retrocessos ou por avanços? A única esperança parece ser a compositora Hildur Guðnadóttir, que se poderá tornar na primeira mulher a vencer a categoria de Melhor Banda Sonora Original por um filme como “Joker”.




O discurso de Tom Hanks

Tom Hanks | © Sony Pictures Entertainment
Tom Hanks | © Sony Pictures Entertainment

Já alguém esqueceu o que aconteceu com Meryl Streep em 2017, quando arrecadou o Cecil B. DeMille nos Globos de Ouro o que lhe facilitaria uma nomeação ao Óscar de Melhor Atriz por “Uma Diva Fora de Tom”? Pois bem, a tão Tom Hanks poderá vir a acontecer o mesmo se os membros da Academia se deixarem levar pelo seu discurso humilde e emocional na cerimónia deste ano.

Não nos poderemos esquecer que Tom Hanks é um dos atores mais amados nos Estados Unidos e que participou em vários projetos recentes que foram nomeados ao Óscar de Melhor Filme como “The Post” (2017), “A Ponte dos Espiões” (“2015”) ou “Capitão Phillips” (2013), os três com os quais falhou a nomeação ao Óscar de Melhor Ator. Além disso, Tom Hanks está desde 2001, ou seja, desde a sua nomeação a Melhor Ator com o filme “O Náufrago” (2000), sem receber uma nomeação à estatueta dourada. “Um Amigo Extraordinário” (no original, “A Beautiful Day in the Neighbourhood”), realizado por Marielle Heller, poderá finalmente terminar com a maldição.

Nesse projeto, Tom Hanks interpreta outra figura querida pela América: Fred Rogers, de quem o ator descobriu ser familiar, uma vez que partilham tetravós. Afinal, os laços familiares e uma interpretação que Hanks considerou ser assustadora de realizar poderão ajudá-lo na próxima segunda-feira. Até ao momento a sua interpretação conquistou nomeações aos Globos de Ouro, aos BAFTA, aos SAG, aos Critics Choice Awards.




Afinal quem é que beneficia com os Globos de Ouro?

Golden Globes vs. Óscares
Laura Dern, a favorita ao Óscar de Melhor Atriz Secundária por “Marriage Story” © Netflix

Agora que conhecemos os resultados dos Globos de Ouro quem é que afinal beneficia com a vitória nos prémios da HFPA? Laura Dern e Brad Pitt parecem ser até ao momento as únicas verdades universais (nas categorias de representação) ou até o facto de Scarlett Johansson conseguir uma dupla nomeação por “Marriage Story” e por “Jojo Rabbit” – afinal uma das maiores estrelas mundiais nunca conseguiu uma nomeação às estatuetas. Poderíamos ainda dizer que “Era Uma Vez em… Hollywood”, está na lista da frente para os Óscares 2020 mas nada é certo.

O facto da Academia ter mudado a cerimónia dos Óscares 2020 para o início de fevereiro, causou transformações radicais no calendário da temporada de prémios 2019/2020 e terá um forte impacto sobre os vencedores das distintas e conceituadas organizações. Só provavelmente com os prémios dos sindicatos dos realizadores (DGA), dos produtores (PGA), dos atores (SAG) e dos argumentistas (WGA) – ainda maiores precursores dos prémios Academia que os Globos de Ouro – poderemos saber quem está mais perto da estatueta dourada.

Portanto, os Globos de Ouro mesmo que não sejam prenunciadores dos Óscares, podem ainda assim influenciá-los. Uma vitória surpresa nos Globos, pode levar a que um membro indeciso da Academia assista a um filme que desconhecia, ou reconsidere uma interpretação esquecida ou que colocou de parte. Os Globos de Ouro são um empurrão que faz falta a alguns artistas, como deverá acontecer este ano com a compositora Hildur Guðnadóttir.

Essa disparidade dos Globos de Ouro vs Óscar revela que é praticamente impossível para os Golden preverem vitórias de maneira mais significativa. As nomeações aos globos tendem a acompanhar as nomeações aos Óscares, embora sempre existam muitas discrepâncias. Enquanto que os Globos de Ouro têm 14 categorias de cinema, os Óscares têm 24.

E desde 2010, os membros da Academia podem escolher 10 obras cinematográficas para a categoria de Melhor Filme, algo que torna tecnicamente possível escolher todos os 10 nomeados aos Globos de Ouro (os de Melhor Drama e Melhor Comédia, respetivamente). O facto disso não acontecer é o que ainda torna a Awards Season algo ainda bastante entusiasmante de assistir. Veremos por que caminho seguimos nesta temporada de prémios.

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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