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Kevin Costner regressa a Cannes depois de 35 anos com Horizon: Uma Saga Americana

Cerca de 35 anos depois de “Danças com Lobos”, o ator-realizador Kevin Costner regressou a Cannes (fora de competição) com o 1º Capitulo de três (ou mais) do western épico intitulado  Horizon: uma saga americana”, um filme estendido a mais de três horas que se assemelha muito às séries de televisão, mas que chegará às salas em Portugal a 4 de julho.

Em 1990, o tempo passa a correr, Kevin Costner, lançou-se como realizador e ator de um western épico e bem ao estilo dos melhores clássicos de Hollywood: “Danças com Lobos” valeram-lhe surpreendentemente, para aqueles que se recordam — senão vão a correr assistir num dos VOD — 12 nomeações e 7 Oscar, entre eles de Melhor Filme e Melhor Realizador, no ano seguinte à sua estreia.

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Porém esta obra emblemática, foi concebida como um único filme. Agora com este “Horizon: Uma Saga Americana”, parece haver já dois prontos, possivelmente três ou talvez até seguem-se quatro, se tudo correr bem em termos de box office.

Assistindo esta manhã ao Capítulo Um da saga, estreado fora de competição “Horizon: Uma Saga Americana” além de sofrer de uma crise de ‘identidade de género’ — estamos aqui a falar de filmes obviamente — aparece em Cannes, na grande montra mundial do cinema, um bocadinho em contra-ciclo do mercado. Veremos o que vai acontecer?

Sam Worthington cannes horizon
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Horizon é um épico exemplar sobre a Conquista do Oeste

Extraordinariamente bem filmado, com um domínio hábil dos detalhes da época, aliás como “Danças com Lobos” e um grande elenco — Sienna Miller (“Sniper Americano“, 2014), Sam Worthington (“Avatar“, 2009 e “Avatar – O Caminho da Água“, 2022) e Jena Malone (“Amor e Sangue”, 2024), este épico exemplar sobre a Conquista do Oeste ambientado na Guerra Civil Americana proporciona-nos uma celebração à moda antiga do espírito pioneiro, através de um conjunto de histórias que parecem à partida nada terem a ver umas com as outras. Vamos ter mesmo que acompanhar os próximos capítulos?

O argumento muito bem trabalhado sobre uma profunda pesquisada, foi co-escrito por Costner e Jon Baird, e centra-se nos desafios enfrentados pelos primeiros colonizadores no oeste americano, tentando uma nova vida numa terra selvagem que não lhes pertencia e onde muitos, entre mulheres e crianças perderam a vida devido aos ataques dos indígenas americanos. Teria sido exatamente assim?

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Toda a história dos EUA está assente em atos de grande violência. Mas estas histórias, que afinal preveem um fio narrativo único, são dedicadas a uma pequena comunidade, uma pequena ‘Primeira Nação Americana’, que se vai chamar precisamente Horizon.

Se compararmos com o reflexivo “Open Range” (2003), o outro western de Costner corremos o risco de ser influenciados pelas estranhas e abruptas mudanças, entre as várias histórias deste filme, que já sabemos que vai ter continuidade.

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São introduzidas quatro vertentes centrais na narrativa, como subtítulos, sendo que apenas a primeira tem uma data precisa: San Pedro Valley, 1859. Porém, todos parecem girar em torno de um único destino: o assentamento de Horizon, um lugar fictício, localizado em pleno território nativo americano. Costner aparece mais tarde, não muitas vezes como Hayes Ellison, um misterioso e solitário pistoleiro e condutor de caravanas, tirado um pouco dos personagens de Clint Eastwood.

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Depois de conhecermos a figura mais interessante do filme — um pistoleiro brutal e arrogante muito bem interpretado por Jamie Campbell Bower — Hayes vai fugir com a bela e atrevida Marigold de Abbey Lee (Jena Malone), decerto também em direção a alguma convergência com as outras histórias ou “cenas dos próximo capítulos”.

A história final desta primeira parte da saga é um exemplo perfeito de como este filme transita entre o fascínio e a frustração depois de 3 horas e 1 minuto de duração: segue uma carroça de uma caravana, em direção a Santa Fé, no oeste do Kansas, prestes a começar a perigosa travessia do árido deserto de Cimarron. Uma das carroças pertence a um refinado jovem casal britânico (Ella Hunt e Tom Payne), que também querem ir para Horizon.




kevin costner
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Uma paisagem lindíssima, captada em widescreen por J. Michael Muro

O próprio Horizon é uma paisagem lindíssima, com uma árvores as montanhas em fundo e um rio com um razoável caudal — o diretor de fotografia J Michael Muro aproveita ao máximo as paisagens no formato widescreen — fornece também o pano de fundo para uma emocionante sequência de ação e tiroteio, ambientada em grande parte dentro da cabana de madeira de uma jovem família de colonos, durante um ataque Apache, que se vai transformar num massacre em grande escala, como já vimos em muitos outros filmes do oeste.

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Pode-se que esta cena está no mesmo nível do tiroteio final de “Open Range”, porém aqui Costner incorpora a tensão dramática, com um certo realismo: as balas que falhavam durante o carregamento por causa da humidade, os túneis de fuga nunca tinham aberturas para respirar.

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Cabe ao gentil tenente do Exército dos EUA, interpretado por Sam Worthington corrigir a narrativa, dizendo aos sobreviventes do massacre, que não foram autorizados por ninguém a estabelecer-se naquele lugar, que é território “índio”. Depois, Worthington elegante e muito mais refinado que os restantes, serve principalmente como pretendente de uma dessas sobreviventes, a resistente e bela viúva Frances Kittredge, (interpretada por Sienna Miller), que faz o possível para dar algum peso emocional a um papel que é também um velho clichê dos western.

Há ainda uma notável perseguição a cavalo filmada ao luar de um rapazinho sobrevivente — que deve crescer como personagem — perseguido pelos Apaches e uma montagem apressada de novas cenas mais ou menos aleatórias que servem como um código para as tais ‘cenas dos próximos capítulos’; além disso também servem para nos consolar das 3 horas sentados, sem perceber muito bem onde aquilo vai parar e sugerindo de que o realizador Kevin Costner tem muito mais para nos dizer, para chegarmos a alguma conclusão.

Festival de Cannes em direto:

Novos capítulos, brevemente numa sala perto de si!

Horizon: Uma Saga Americana, em análise

Movie title: Horizon: Uma Saga Americana

Movie description: Um história épica que explora a atração pelo Velho Oeste e como ele foi conquistado através de muito sangue, suor e lágrimas de muitos pioneiros onde se incluíam muitas mulheres e crianças. Abrangendo os quatro anos da Guerra Civil, de 1861 a 1865 este Primeiro Capítulo dá início a uma viagem emocional por um país em guerra consigo mesmo, vivida através do olhar de famílias, amigos e inimigos, todos a tentarem descobrir o que realmente significa ser os EUA, como nação.

Country: EUA

Director(s): Kevin Costner

Actor(s): Kevin Costner, Abbey Lee, Sienna Miller

Genre: Drama, Western

  • José Vieira Mendes - 50
50

Prós e Contras

O melhor: Extraordinariamente bem filmado, com um domínio hábil dos detalhes da época, a direcção de fotografia de J Michael Muro, aproveita ao máximo as belas paisagens do Oeste americano, no formato widescreen

O pior: A frustração de passar 3 horas sentado a assistir a este Capítulo Um, ficando por saber onde aquilo vai parar. Pois temos mesmo que ter paciência e aguardar pelas cenas dos próximos capítulos.

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