Vitórias e derrotas na colisão entre as previsões e as nomeações aos Óscares para 2022 |©NOS/Cinemundo

Nomeações aos Óscares 2022 | as grandes surpresas e destaques

As nomeações aos Óscares 2022, que acontecem no próximo dia 27 de março, foram anunciadas a 8 de fevereiro no Canal de Youtube oficial da Academia pela parelha Leslie Jordan e Tracee Ellis Ross. Vasculhamos a lista dos nomeados para encontrar as grandes surpresas, curiosidades e snubs – os derradeiros esquecidos nas nomeações para esta 94ª cerimónia dos Oscars. 

Como reza a lenda e para não variar, as nomeações aos Óscares foram anunciadas no dia 8 de fevereiro, precisamente às 13h18 (5h18 na costa de Los Angeles), tendo sido reveladas, durante a emissão, as 24 categorias que competem por estatuetas douradas. Pela primeira vez, e procurando algum dinamismo neste anúncio de nomeações, vários trabalhadores essenciais como médicos ou bombeiros participaram na festa e ajudaram a revelar algumas das categorias.

A 94ª edição dos Óscares regressará a moldes mais habituais, depois de uma edição em 2021 bastante atípica, motivada pela crise pandémica. A normalidade regressa (na medida do possível) e com ela voltamos ao Dolby Theatre, em Hollywood, o habitual palco da mais importante festa do cinema.

Quanto às nomeações, colocaram uma ênfase superior à esperada em produções internacionais como “Conduz o Meu Carro” (Japão) ou “A Pior Pessoa do Mundo” (Noruega), reforçando uma aposta na maior internacionalização dos indicados, um esforço que viu o seu apogeu em 2020 com a vitória inesperada de “Parasitas”.

Numa corrida de interpretações muito disputada, tanto nas categorias de Principal como Secundário(a), vários foram os nomes que saltaram fora ou se confirmaram como hipóteses remotas concretizadas.

 

SNUB – LAGY GAGA FALHA A NOMEAÇÃO POR A CASA GUCCI (2021) 

casa gucci figura de estilo
© NOS Audiovisuais

 

Lady Gaga entregou-se, de alma e coração,  ao seu papel como Patrizia Reggiani. Numa fase mais inicial da corrida, Lady Gaga e Kristen Stewart eram dadas como as favoritas. Mais tarde, Stewart pareceu perder-se cada vez mais à medida que falhou as nomeações para os BAFTA e mais relevante ainda, para os SAG. Ora, Gaga foi nomeada aos SAG (aliás, Jared Leto também foi nomeado para o Prémio do Sindicato dos Atores dos EUA, bem como o elenco na sua totalidade), aos BAFTAs, a inúmeras associações de críticos e a todos os prémios e mais alguns.

Uma das presenças mais frequentes ao longo desta campanha de Óscares, embora “Casa Gucci” não seja o filme mais bem encarado de sempre, tudo parecia confirmar que Gaga sairia intocada e vitoriosa, se não de Óscar na mão, pelo menos de nomeação no currículo. Não foi o caso, aliás, esta interpretação caricatural do que é ser italiano, realizada por Ridley Scott, recebeu apenas a nomeação para Melhor Maquilhagem e Cabelos. Todavia, com “Cruella” ou “Os Olhos de Tammy Faye” entre os indicados, é provável que perca.




CURIOSIDADE – NETFLIX E O STREAMING CONTINUAM A DOMINAR, CONFIRMANDO NOVAS TENDÊNCIAS 

Dakota Johnson é Nina. ©Netflix
“A Filha Perdida” | ©Netflix

O filme mais nomeado do ano é “O Poder do Cão”, original Netflix realizado por Jane Campion. Lidera a corrida com 12 nomeações. “Não Olhem Para Cima”, De Adam McKay, é também um original da plataforma que segue com quatro nomeações.“A Filha Perdida”, outro filme que pertence ao gigante de streaming, segue com 3 indicações. No total, a Netflix avança para a cerimónia de 27 de março com 27 nomeações, dominando mais do que qualquer outro estúdio.

É o terceiro ano consecutivo em que a Netflix domina as nomeações aos Óscares, depois de conseguir assegurar 35 nomeações em 2021 e 24 em 2020. Apesar de ainda não ter conseguido assegurar um vencedor, e possivelmente tal destino não estar ainda reservado para este ano, é certo que o seu poderio na indústria do cinema cresce a olhos vistos.




SURPRESA – JESSIE BUCKLEY COMPETE NA CATEGORIA DE MELHOR ATRIZ SECUNDÁRIA POR A FILHA PERDIDA (2021) 

Jessie Buckley nomeações aos Óscares 2022
@NOS Audiovisuais

Jessie Buckley e Olivia Colman competem, nesta edição dos Óscares, pelas estatuetas douradas respetivamente nas categorias de Melhor Atriz Secundária e Melhor Atriz, pela interpretação da mesma personagem no mesmo filme. Buckley como a versão jovem e Colman como a versão atual. A vencedora prévia Olivia Colman estava praticamente “fechada”, todos a davam como nomeada certa. Já Jessie é uma estreante e, como tal, poderia não ter conseguido chegar à nomeação, não obstante o facto da sua interpretação ser tão rica quanto a de Colman (e talvez até mais importante para a justificação de todo o enredo).

A estrela de “Wild Rose” tem vindo a destacar-se desde este filme, mas a não indicação aos SAG fragilizava a sua pretensão ao prémio. Eis que a nomeação ao BAFTA pode ter ajudado a equilibrar os ventos da votação para o seu lado. Se alguém merece uma distinção neste primeiro filme realizado por Maggie Gyllenhaal, é mesmo Buckley.




SURPRESA – CONDUZ O MEU CARRO (2021) NA CATEGORIA DE MELHOR FILME E COM QUATRO NOMEAÇÕES 

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“Drive My Car” | © LEFFEST

 

Com nomeações para Melhor Filme, Melhor Realização para Ryûsuke Hamaguchi (“Asako I & II”), Melhor Argumento Adaptado e Melhor Filme Internacional pelo Japão, “Drive My Car” é quiçá o maior vencedor das indicações de hoje. A longa-metragem dramática segue com 4 nomeações a estatuetas, quando se estipulava que apenas estivesse presente na categoria de Melhor Filme Internacional, onde surge agora como o candidato na frente.

Como o passado nos mostrou, se um filme for nomeado para Melhor Filme Internacional e Melhor Filme (“Amour”, “Parasitas”), então de certo tem a categoria de Filme Internacional (antiga Filme em Língua Estrangeira) conquistada. Com a entrada de “Conduz o Meu Carro” na lista de nomeados a Melhor Filme pouco mudou no que diz respeito à estrutura prevista, mas alguém teve de sair para que esta adaptação ao cinema de um conto de Haruki Murakami figurasse na categoria principal da noite de 27 de março…

“Drive My Car” competiu em Cannes, onde venceu Melhor Argumento. Ainda assim, muitos acreditavam que não chegaria à nomeação ao Óscar nessa mesma categoria. A Academia decidiu surpreender. Outro facto engraçado prende-se com o facto de este ser o quarto ano consecutivo em que um filme é nomeado para Melhor Filme Internacional e Melhor Filme, depois de “Roma”, “Parasitas” e “Mais uma Rodada”. A mudança veio para ficar?




SNUB – TICK, TICK…BOOM! (2021) NA CATEGORIA DE MELHOR FILME 

tick, tick boom! netflix nomeações aos Óscares 2022
©Netflix

Depois da indicação aos PGA – Producers Guild Awards e presença em muitas outras premiações, tudo indicava que Tick,Tick…Boom!”, a primeira longa-metragem realizada pelo ator, músico e encenador Lin-Manuel Miranda (“Hamilton”, “In the Heights”), teria direito a uma nomeação na categoria de Melhor Filme. Depois de anunciadas as nomeações de Melhor Edição (tipicamente um bom indicador para filmes presentes na categoria de Melhor Filme) e de Melhor Ator para Andrew Garfield, só faltava anunciar a última categoria da lista.

Eis que o cinema musical (roubado da presença de “Ao Ritmo de Washington Heights” entre os nomeados)  ficou, acima de tudo, representado por “West Side Story”, bem mais nomeado, com um impressionante total de sete nomeações, incluindo para Melhor Filme, num ano cinematográfico com indicações aos Óscares mais fragmentadas.

Já este musical  autobiográfico de Jonathan Larson (o criador de “Rent”, que morreu tragicamente, cedo de mais, antes do musical abrir na Broadway) segue com Andrew Garfield como um dos favoritos à estatueta dourada pela sua interpretação poderosa, em que encarna “Johny” e nos mostra uma nova faceta.




CURIOSIDADE- ARIANA DEBOSE FAZ HISTÓRIA NOS ÓSCARES COM A SUA NOMEAÇÃO PARA MELHOR ATRIZ SECUNDÁRIA 

Ariana DeBose óSCARES 2022
Ariana DeBose como Anita em “West Side Story” © NOS Audiovisuais / 20th Century Studios
Ariana DeBose estreou-se no teatro musical com uma peça pouco conhecida de Lin-Manuel Miranda, “Bring it On” (adaptação do filme sobre cheerleaders), passou pelo elenco original de “Hamilton” ou mais recentemente por “The Donna Summer Musical”, que lhe valeu um Tony. Entretanto o seu talento surgiu também na televisão, nomeadamente no teatro musical alucinado da nova série da Apple, “Schmigadoon!”. Não obstante, é com “West Side Story” que se apresenta em grande ao mundo, nomeada para todos os prémios e mais alguns, incluindo agora o Óscar, pelo mesmo papel, Anita, que valeu a Rita Moreno o Óscar de Melhor Atriz Secundária nos anos 60.
A atriz transporta com ela a afirmação da diversidade que tanto faltava na Academia e nas suas nomeações há poucos anos atrás e, caso vença, o que é possível de acordo com as apostas, pode tornar-se a primeira mulher de cor abertamente queer a vencer numa categoria de representação. Ela já foi a primeira afro-latina a encarnar esta personagem, mas agora a sua projeção enquanto membro orgulhoso da comunidade LGBTI+ faz também correr tinta. Não percam a nossa entrevista exclusiva com Ariana DeBose, a nova Anita de “West Side Story”.



SNUB – NÃO OLHEM PARA CIMA CONQUISTA VÁRIAS NOMEAÇÕES, MELHOR CANÇÃO ORIGINAL NÃO É UMA DELAS 

Don't Look Up
Kid Cudi e Ariana Grande em “Não Olhem para Cima”| © Niko Tavernise/Netflix

 

Ariana Grande e Kid Cudi criaram um tema de humor negro poderoso e sonante, um hino que ilustra na perfeição o espírito do filme “Don’t Look Up” – “Just Look Up”. A música tem vindo a dar que falar ao longo da temporada de prémios e previa-se que figura-se entre estas nomeações aos Óscares 2022, mas tal não aconteceu. Numa categoria repleta, onde competem Billie Eilish, Beyoncé ou a banda-sonora original de “Encanto”, Ariana e Kid Cudi saltaram fora com a sua paródia hilariante daquilo que é  (ou seria) um êxito pop a tentar salvar o mundo.
“Don’t Look Up” segue com nomeações a Melhor Filme, Melhor Edição, Melhor Banda-Sonora e Melhor Argumento Original. De fora ficam, portanto, esta música e todas as prestações centrais, incluindo Leonardo DiCaprio e Cate Blanchett, que ainda eram vistos como eventuais esperançosos para as nomeações. Só nos resta lamentar não ouvir a performance ao vivo na noite da cerimónia.



CURIOSIDADE  – CATE BLANCHETT QUEBRA RECORDES SEM RECEBER QUALQUER NOMEAÇÃO 

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Cate Blanchett em “Nightmare Alley” © Fox Searchlight Pictures

 

Blanchett concorria por um lugar na muito disputada categoria de Melhor Atriz Secundária por dois filmes distintos –  como a femme fatale de “Nightmare Alley” e  como uma apresentadora repleta de contradições em “Não Olhem para Cima”. Ora, apesar de não ter sido nomeada por nenhum deles, Cate Blanchett não deixa de preencher manchetes. Porquê? A atriz tornou-se a intérprete feminina que mais participou em filmes nomeados na categoria de Melhor Filme (são dois apenas este ano).

A atriz ultrapassou um recorde que pertencia a Olivia de Havilland, de “E Tudo o Vento Levou”. Para além de “Nightmare Alley” e “Não Olhem para Cima”, Blanchett co-protagonizou também “O Estranho Caso de Benjamin Button”, “Babel”, “O Aviador”, Os três “O Senhor dos Anéis” e “Elizabeth”. O record pertencia há várias décadas a Havilland, protagonista de 8 filmes nomeados a Melhor Filme. Agora, a atriz segue em frente com 9 longas-metragens honradas com a nomeação. Quanto a Cate Blanchett, conta com Óscares por “O Aviador” e “Blue Jasmine”.

Já agora, a propósito da estreia de “Nightmare Alley – O Beco das Almas Perdidas”, não percam a nossa entrevista exclusiva a Cate Blanchett.




SNUB – UM HERÓI FORA DA CORRIDA DE MELHOR FILME INTERNACIONAL

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“Um Herói” | © LEFFEST

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tem um talento especial para deixar de fora sempre um dos filmes favoritos na categoria de Melhor Filme Internacional. Este ano a escolha foi para lá de surpreendente, perante a exclusão de um dos grandes favoritos, “Um Herói”, de Aghar Farhadi, o realizador do prezadíssimo “Uma Separação”.

“A Hero” é um belo conto repleto de moralidade e escolhas difíceis, que a partir de um dilema simples constrói uma teia complexa. Farhadi é a voz mais conhecida do cinema iraniano, e um realizador que atingiu um feito complexo, levou para casa a estatueta de Melhor Filme em Língua Estrangeira duas vezes, em 2011 por “Uma Separação” e em 2016 por “O Vendedor”. “Um Herói” venceu o Grande Prémio em Cannes, é um filme inteligente e invulgar, de elevada sensibilidade e, francamente, merecia ter constado entre a lista final de nomeações aos Óscares 2022.




SURPRESA – A PIOR PESSOA DO MUNDO (2021) NA CATEGORIA DE MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL 

The Worst Person in the World
A Pior Pessoa do Mundo © Alambique / Screenings Funchal

Certos filmes internacionais fora, outros bem dentro. A comédia romântica dramática e extremamente irónica, “The Worst Person in the World”, tem vindo a deslumbrar meio mundo e escapou muito além do seu universo norueguês de origem.

Renate Reinsve é encantadora neste seu papel como uma mulher a ter uma crise existencial na viragem para a casa dos 30, e até chegou a ser contemplada como uma potencial nomeada à categoria de Melhor Atriz (ao fim de contas venceu nessa categoria em Cannes). Tal não aconteceu, mas ainda assim o filme, também nomeado na categoria de Melhor Filme Internacional, brilha e bem na categoria de Melhor Argumento Original.

E para colocar um sorriso no rosto, aqui está a equipa do filme a celebrar as duas nomeações aos Óscares 2022.




CURIOSIDADE – AS NOMEAÇÕES AOS ÓSCARES 2022 COLOCAM 2 CASAIS EM DESTAQUE, NAS CATEGORIAS DE REPRESENTAÇÃO, PELA 1ª VEZ

O Poder do Cão potenciais nomeações Óscares 2022
Jesse Plemons e Kirsten Dunst em “O Poder do Cão” |©Netflix

Está é uma curiosidade bem cor-de-rosa, mas que não deixa de apresentar o seu charme. Pela primeira vez na história dos Óscares, dois pares de casais encontram-se nomeados nas categorias de representação. Ou seja, o casal espanhol sensação, Penélope Cruz e Javier Barden acumula nomeações por “Mães Paralelas” (Melhor Atriz) e “Os Ricardos” (Melhor Ator). Tanto um como o outro venceram já o Óscar no passado (respetivamente por “Vicky Christina Barcelona” e “Este País Não é Para Velhos”.

Já o casal americano Kirsten Dunst e Jesse Plemons surge com nomeações por “O Poder do Cão” (Melhor Atriz Secundária) e novamente por “O Poder do Cão”(Melhor Ator Secundário). O casal na vida real tornou-se casal na ficção e, agora, são nomeados pela primeira vez ao Óscar por este western dramático de Jane Campion.




CURIOSIDADE – KENNETH BRANAGH É O HOMEM DOS 7 OFÍCIOS 

Óscares 2022
Branagh no set de “Belfast” | © 2021 Universal Studios. All Rights Reserved.

Kenneth Branagh aparentemente é bom a fazer tudo, ou assim que o diga o seu novo recorde invulgar. É a primeira pessoa nomeada em sete categorias diferentes ao longo da sua participação na história dos Óscares. O ator, produtor, argumentista e realizador conta já com 8 nomeações aos Óscares, três delas este ano, para inúmeras categorias distintas:

  • Melhor Argumento Original (“Belfast”);
  • Melhor Filme (Produtor de “Belfast”);
  • Melhor Realizador (“Belfast”);
  • Melhor Ator Num Papel Secundário (“A Minha Semana com Marilyn”);
  • Melhor Argumento Adaptado (“Hamlet”);
  • Melhor Curta-Metragem (“Swan Song”);
  • Melhor Ator (“Henry V”);
  • Melhor Realizador (“Henry V”);

Com 8 nomeações em 7 categorias distintas, de 1990 até agora, Kenneth Branagh assume-se como o derradeiro camaleão de Hollywood.




SNUB – CATRÍONA BALFE FORA DA CATEGORIA DE MELHOR ATRIZ; SURPRESA – DAME JUDI DENCH ENTRA POR BELFAST

Belfast Óscares 2022
Belfast | © 2021 Universal Studios. All Rights Reserved.

Catríona Balfe, que muitos reconhecem como uma ótima atriz devido ao seu intenso papel na série “Outlander”, parecia mesmo destinada a chegar à nomeação, pela primeira vez, nestes Óscares 2022, com o seu papel de “Ma” em “Belfast”. Vista como uma das mais seguras na corrida instável de Melhor Atriz Secundária, e a única do seu elenco distinguida com a nomeação ao SAG, eis que Balfe ficou surpreendentemente de fora da corrida e no seu lugar entrou alguém que nunca pensaríamos ver entrar, pelo menos tendo em conta todas as nomeações até então.

Judi Dench atropela (no bom sentido) Balfe e obtém a nomeação pelo seu papel como a “granny” do jovem Buddie. Esta é a sua primeira nomeação da década, tendo sido a mais recente em 2014 por “Philomena”.




UM SINAL DE MUDANÇA? JANE CAMPION É A PRIMEIRA MULHER NOMEADA DUAS VEZES NA CATEGORIA DE REALIZAÇÃO 

Jane Campion
Kate Winslet e Jane Campion em Fumo Sagrado (1999) |©Miramax

Sim, é mesmo verdade, só agora, com Jane Campion, que uma mulher é nomeada para o Óscar de Melhor Realização pela segunda vez. Tendo sido a sua primeira nomeação conseguida pelo clássico “O Piano”, em 1994. Agora, “O Poder do Cão” é responsável por esta quebra de todos os recordes – quase três décadas depois.

Apesar de a quantidade de mulheres a realizar e a receber reconhecimento por isso estar a aumentar, a lista de mulheres nomeadas continua bem curta, são elas: Lina WertmüllerSofia CoppolaKathryn BigelowGreta GerwigChloé Zhao e Emmerald Fennel.




CURIOSIDADE – CODA/ NO RITMO DO CORAÇÃO, TRUNFO DA APPLE TV+, É UM PASSO EM FRENTE RUMO À INCLUSÃO

Emilia Jones in “CODA,” now streaming on Apple TV+. Emilia Jones, Troy Kotsur, Marlee Matlin and Daniel Durant in “CODA,” now streaming on Apple TV+. Daniel Durant in “CODA,” now streaming on Apple TV+. Emilia Jones and Troy Kotsur in “CODA,” óscares 2022
Emilia Jones e Troy Kotsur numa das cenas fulcrais de “CODA” |©Appletv+

 “CODA” é uma bela narrativa familiar que se encontra nomeada nas categorias de Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Ator Secundário (Troy Kotsur, um meritório estreante). Esta é a primeira longa-metragem da Apple a concorrer na principal categoria dos Óscares e é também um importante marco enquanto símbolo de inclusão: “CODA”, baseado no filme francês de sucesso “La Famille Bélier”, é a história de uma adolescente ouvinte, apaixonada por música, que nasce no seio de uma família de surdos-mudos e que arca com o peso da responsabilidade de representar os seus pais e irmão perante um mundo de ouvintes que não compreende linguagem gestual.

Esta é uma história que é representada, na sua vasta maioria, em linguagem gestual e por surdos-mudos, três dos protagonistas. Tal é inédito na categoria de Melhor Filme e por isso as nomeações aos Óscares 2022 são muito especiais para toda a comunidade de surdos. Quiçá mais papéis possam surgir no seu futuro.




SNUB – DENIS VILLENEUVE FALHA A NOMEAÇÃO (A REALIZAÇÃO) POR DUNA (2021) 

dune duna
© NOS Audiovisuais

 

“Dune” foi nomeado a 10 categorias, entre elas Melhor Filme, Melhor Edição, Melhor Argumento Adaptado ou Melhores Efeitos. São daquelas incongruências próprias da Academia. Um filme pode ser um dos melhores em grande parte das categorias técnicas, mas aparentemente não deve isso ao seu “maestro”, o realizador que faz com que todas as peças cantem. Denis Villeneuve tinha na sua mente esta adaptação do romance fundador do sci-fi, “Dune”, desde a sua adolescência e conseguiu criar o impossível – uma versão satisfatória desta história.

É inglório que não seja reconhecimento pela sua realização, quando por exemplo Spielberg está nomeado por andar a filmar planos simples nas ruas de Nova Iorque. É o mesmo favoritismo, ano após ano. Perante a grande coragem de Denis, bem merecia uma nomeação, mas talvez fique para a segunda parte. Ao fim de contas, a Academia já mostrou amor pela sua realização no passado, com a indicação por “Arrival”. Por agora, e com esta “Parte 1” de “Duna”, Villeneuve segue com duas nomeações: Argumento e pela produção deste nomeado a Melhor Filme.




CURIOSIDADE – DENZEL WASHINGTON REFORÇA O SEU LEGADO COM “A TRAGÉDIA DE MACBETH” (2021) 

Denzel Washington
The Tragedy of Macbeth © Apple TV

Numa nota mais positiva, e realçando uma vez mais as marcas de diversidade destas nomeações aos Óscares 2022, parabéns ao grande Denzel Washington por continuar a ser o ator negro mais nomeado de sempre. “A Tragédia de Macbeth”, o primeiro filme realizado por Joel Coen sem a participação do seu irmão Ethan,

Aqui não se trata de uma novidade, mas antes de uma confirmação de estatuto: esta é a 10ª indicação de Washington, que muitos acreditam ser (com fundamento) um dos grandes da sua geração. De “Vedações” a “Malcolm X”, passando por “Roman J. Israel, Esq.” ou “Dia de Treino”, este ator deixou uma marca inesquecível na indústria de Hollywood.

Para além da indicação de Washington, o filme segue ainda com nomeações pela sua deslumbrante Fotografia e Design de Produção.




CURIOSIDADE – OBRAS ESCRITAS POR MULHERES DOMINAM A CATEGORIA DE MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO

Emilia Jones Hollywood 2021
Emilia Jones, “CODA” | © Apple TV

Se há uma categoria “técnica” mais povoada por mulheres é sem dúvida Melhor Argumento, original ou adaptado. Em 2022, a categoria de Melhor Argumento Adaptado encontra-se povoada por três mulheres, estando as vozes femininas em maioria, o que não acontecia desde 1992, há 30 anos.

São elas Jane Campion (“O Poder do Cão”), Maggie Gyllenhaal (“A Filha Perdida”) e Siân Heder (“CODA”), em destaque nestas nomeações aos Óscares 2022. Desde 2005 que uma mulher não vence nesta categoria específica, quando a estatueta foi entregue a Diana Ossana, que co-escreveu com Larry McMurty o argumento de “O Segredo de Brokeback Mountain”.




CURIOSIDADE – NOMEAÇÕES AOS ÓSCARES 2022- 9 NOMEADOS PELA 1ª VEZ NAS CATEGORIAS DE REPRESENTAÇÃO

Hollywood 2021 Princesa Diana
Kristen Stewart, “Spencer” | © Cinemundo

Tal como reforça Frances McDormand sempre que ganha um Óscar (não é raro, ao fim de contas), é importante deixar entrar novo sangue. É por isso excelente que entre as nomeações aos Óscares 2022 figurem 9 estreantes nas categorias de representação. São eles e elas:

  1. Ciarán Hinds (“Belfast”);
  2. Troy Kotsur (“CODA”),
  3. Jesse Plemons (“O Poder do Cão”);
  4. Kodi Smit-McPhee (“O Poder do Cão”);
  5. Jessie Buckley (“A Filha Perdida”);
  6. Ariana DeBose (“West Side Story”);
  7. Kirsten Dunst (“O Poder do Cão”);
  8. Aunjanue Ellis (“King Richard”)
  9. Kristen Stewart (Spencer”) – perante o snub do guarda-roupa esplêndido de “Spencer”, a verdade é que esta merecida primeira nomeação parecia tremida. Não obstante, acabou por se confirmar.

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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