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Qual a ficção e qual a verdade científica em O Problema dos 3 Corpos, o sci-fi do ano da Netflix?

“O Problema dos 3 Corpos” é uma das séries de ficção científica mais bem-sucedidas dos últimos anos, mas estará a sua base científica correta?

(Spoilers se ainda não viste “O Problema dos 3 Corpos” na Netflix)

Sumário:

  • “O Problema dos 3 Corpos” é a nova série de ficção científica da Netflix e tem assinatura de D.B Weiss e David Benioff, mais famosos por terem criado “Game of Thrones” para a HBO;
  • Em entrevista à Nature, três especialistas falaram sobre a representação científica da série apontando os erros e os acertos;
  • Para Matt Kenzie, consultor de “O Problema dos 3 Corpos”, os argumentistas tiveram sempre uma atenção ao detalhe e pensaram em tudo, algo que ele não esperava.
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A primeira temporada de “O Problema dos 3 Corpos” de 8 episódios começa nos anos 60, durante a Revolução Cultural Chinesa e conta a história de uma jovem envolvida num projeto secreto de comunicação com extraterrestres. É então que toma uma decisão que vai mudar a história! Esta opção afeta inclusive os cientistas dos dias atuais, obrigando-os assim a lutar contra a maior ameaça à humanidade. No seu elenco, encontramos nomes como Eiza GonzálezSaamer Usmani,  Sea Shimooka,  Zine Tseng,  Jess Hong, John BradleyJovan Adepo, Jonathan Pryce, Benedict Wong, Tsai Chin e Liam Cunningham.

Desde a sua estreia que a nova série de David Benioff e D.B. Weiss , mais conhecidos por terem criado “Game of Thrones” da HBO,  tem dado que falar. Mas será que a base científica oriunda do romance homónimo de Cixin Liu está bem fundamentada?

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Em entrevista à Nature, o cientista planetário Xavier Dumusque, o químico Younan Xia e o físico Matt Kenzie que serviu como consultor da série, falaram sobre as suas impressões. Na série “O Problema dos 3 Corpos” , os San-Ti emergiram de um planeta do sistema Alpha Centauri de três corpos e tiveram uma existência caótica, pois o seu planeta foi lançado entre estrelas.

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Quando questionado se os alienígenas sobreviveriam a isto, Dumusque revelou que “Alpha Centauri é de facto um sistema triplo, que tem duas estrelas brilhantes, Alpha Centauri A e B, e uma pequena estrela, Proxima Centauri, que está mais próxima de nós [a 1,3 parsecs de distância]”, porém “Na realidade, isso não acontece neste sistema” já que “estrelas pequenas como Proxima têm muita atividade magnética, erupções, e emitem muitos raios X, o que não favorece a vida”.

Sobre a forma como a Terra contactou os San-Ti, Dumusque diz que “Podemos usar o efeito das lentes gravitacionais – se houver um objeto passando atrás do Sol, poderíamos usar a massa do Sol para amplificar o [sinal de rádio]. Mas seria amplificado apenas numa direção específica [em vez de em todas as direções, como mostra a série]”.




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Confrontado com um excerto de “O Problema dos 3 Corpos” em que um personagem usa nanofibras para cortar um enorme pedaço de diamante como se fosse um bolo, Younan Xia reflete “Primeiro, o tamanho do diamante que vemos naquele clipe é impossível!”, dizendo ainda “Até onde eu sei, nenhum material foi feito que seja mais duro que o diamante. Os cientistas sonham há décadas em encontrar um material que supere o diamante”.

Ao contrário dos outros dois cientistas do artigo, Matt Kenzie tem uma relação mais estreita com o projeto. O físico conheceu David Benioff e D. B. Weiss, há 14 anos, quando estes trabalhavam em “Game of Thrones” porque o seu pai era diretor de fotografia da série. Na época, Kenzie estava a fazer o seu doutoramento e os criadores mostraram-se interessados com a sua tese. Mais de uma década depois, recebeu um e-mail do nada, perguntando sobre algumas questões de física de partículas.

Para Kenzie, a série começa por contornar a “A maneira preguiçosa de retratar cientistas em tela como génios solitários”, destacando que “Trabalhamos em equipas cada vez maiores. Tu precisas de ser capaz de  comunicar, precisas ser capaz de liderar se estiveres numa posição académica de sucesso, basicamente precisas ser capaz de convencer alguém a financiar a tua pesquisa”.

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Quanto ao mecanismo usado pelos San-Ti para libertar partículas de alta tecnologia chamadas sófons, que usam envolvimento quântico para observar e comunicar-se com a Terra em tempo real, Kenzie diz que “foi comprovado e acho que em breve será implantado no que é conhecido como tecnologia quântica de satélite” e explica “Basicamente, estás a enviar sinais incrivelmente rápido usando partículas envolvidas, onde, ao medir o estado de uma, imediatamente sabes o estado da outra. No entanto, ainda há uma ressalva quanto a isso: não podes comunicar mais rápido que a velocidade da luz”.

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Quando questionado se está satisfeito com a representação científica em “O Problema dos 3 Corpos”, Kenzie não poupa elogio aos criadores, “Os argumentistas desta série realmente sabem muito sobre ciência. Eles são muito cultos e pensam nas coisas com muito cuidado. Eles não estão apenas a pedir-me conselhos para se sentirem melhor, eles realmente pensam nas coisas. O nível de atenção aos detalhes que eles demonstraram foi algo que me impressionou. Eu realmente não esperava isso, para ser honesto”.

Trailer | O Problema dos 3 Corpos na Netflix

E tu, acreditas que a base científica de “O Problema dos 3 Corpos” é credível?



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