TOP Disney Adaptações Live-Action | 6. 102 Dálmatas

                   

Depois do sucesso da versão live-action de 101 Dálmatas em 1996, não demorou muito até a Disney decidir por uma sequela ao lume: 102 Dálmatas.

Como muitas vezes acontece neste tipo de projetos com grandes estúdios envolvidos, mais do que conceber um seguimento orgânico e coerente para a narrativa do primeiro filme, esta sequela representou um exercício em repetição e excesso. Longe de sugerir algum problema com tal abordagem, convém dizer que a grande mais-valia de 102 Dálmatas é o modo em como pega nos melhores aspetos do filme anterior e os leva até os extremos mais doidos de exagero e espetacularidade.

Glenn Close, por exemplo, está de volta como Cruela DeVil, mas desta vez qualquer noção de pseudo realismo foi completamente obliterado da sua prestação. O que nos fica é uma versão completamente tresloucada da vila clássica que começa o filme como uma boa samaritana hipnotizada e termina-o como um demónio brutalizado por cachorrinhos com talentos para pastelaria francesa. O melhor de tudo é que, desta vez, Gérad Depardieu vem acrescentar mais vilania absurda à história e com sua personagem costureira vêm alguns dos figurinos mais loucos a alguma vez agraciar uma produção Disney.

O figurinista Anthony Powell foi justamente nomeado para o Óscar de Melhores Figurinos pelos seus esforços neste filme que, acima de tudo, é um deleite visual que nunca se leva a si encara a si mesmo com qualquer tipo de seriedade. Tanta é esta folia que o filme acaba por resvalar em alguns problemas bem sérios, como a total banalidade dos seus heróis humanos. Contudo, de forma geral, esta é uma sobremesa cinematográfica que, apesar de não ter grande valor nutricional, é irresistivelmente apetitosa.

 

                   

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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