"O Despertar da Mente" | © LEFFEST

LEFFEST ’22 | Grandes Vencedores e Balanço Final

Dizemos adeus a mais uma edição do Lisbon & Sintra Film Festival. Começado com “Crimes do Futuro” e terminado com “Toda a Beleza e a Carnificina,” este 16º ano foi marcado por uma oscilação entre o caos e o êxtase. Como sempre, brilhantes convidados e cinema sublime tiveram presença marcada.

No passado dia 19 de novembro, no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra, teve lugar a cerimónia de encerramento do 16º Lisbon & Sintra Film Festival. Antes de se exibir o novo filme de Laura Poitras, foi altura de se fazerem discursos e entregar prémios. Em jeito de improvisação, Paulo Branco lá fez seus discursos num evento que começou já bastante atrasado. Quiçá alguém achou a falta de preparação algo charmoso, mas foi difícil não torcer o nariz perante o estado desorganizado de tudo. Sem sala cheia ou muito entusiasmo, viu-se um vídeo a resumir o festival onde os incidentes mais infelizes foram cuidadosamente excisados.

“Crimes do Futuro” | © Pris Audiovisuais

Nada se viu dos erros de legendagem ou dos atrasos constantes, apresentações fora de ordem, bilhetes trocados ou o espetáculo trágico que foi a projeção do novo trabalho de Sokurov no Cinema Nimas. Dito isso, há muito para amar além destas questões logísticas. Os convidados desta edição foram espetaculares, quiçá os melhores alguma vez reunidos por Paulo Branco para este seu muito amado festival. Damos especial aplauso à secção retrospetiva sobre a L.A. Rebellion, a primeira assim em todo o mundo com interveniências de Julie Dash, Angela Davies, Charles Burnett e tantos outros. Esse último até esteve na malfadada cerimónia dos prémios, onde recebeu ovação de pé e uma placa especial em reconhecimento do seu génio.

Quando chegou a altura de se revelarem palmarés, o circo de enganos continuou naquela sala pequenina fora da capital. O júri de Olivier Assayas teve de receber todos os prémios em gesto simbólico visto que, em nenhum dos casos, os vencedores permaneceram em território português para aceitar o galardão. Isso não é culpa do LEFFEST, mas a projeção que tem início mesmo antes de se ler o vencedor certamente cai na esfera de responsabilidade dos organizadores. Enfim, frustrações aparte, foi uma lista sólida de escolhas, com reconhecimento por nomes mais obscuros da competição ao invés dos seus autores mais sonantes que, verdade seja dita, não precisam de tanta validação quanto os cineastas menos famosos.

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LEFFEST’22 | Poet, em análise

Poeta” de Darezhan Omirbayev foi o grande vencedor do Prémio Melhor Filme LEFFEST, enquanto o Prémio do Júri João Bénard da Costa – uma espécie de segundo lugar equiparável ao Grand PrixC em Cannes – foi dado a Li Ruijun pelo seu “Regresso ao Pó.” Este segundo prémio é especialmente marcante quando consideramos a história conturbada em volta do filme, a polémica na China e subsequente censura. “El Agua” valeu a Elena López Riera um Prémio Revelação, tendo sido esta a estreia da realizadora no campo da longa-metragem. Ainda foi atribuído um Prémio Especial para Melhor Realizador a Clément Cogitore, cineasta francês responsável por “Goutte d’Or.”

Não querendo rebaixar os feitos deste fantástico festival, é difícil não comparar o estado de desorganização descarada com outros eventos semelhantes em Lisboa. O LEFFEST é um autêntico pandemónio quando julgado à semelhança do IndieLisboa, MOTELx, Queer Lisboa ou DocLisboa. A cerimónia de encerramento foi a gota de água que fez transbordar o copo. Graças à programação riquíssima, este festival nunca deixará de ser essencial para o cinéfilo português, mas já era altura de deixar os amadorismos para trás e se dignasse a tratar convidados e espetadores com todo o respeito que lhes é merecido. Aplaudimos todos os cineastas de pé, mas não faremos tanto furor para celebrar o sistema em que apresentam o trabalho.

toda a beleza e a carnificina critica leffest
“Toda a Beleza e a Carnificina” | © Praxis Films

Oxalá, para o ano será melhor. Entretanto, fica aqui uma lista de todas as críticas publicadas pela equipa MHD sobre os filmes programados no Lisbon & Sintra Film Festival. Muitos deles já têm distribuição assegurada nas salas nacionais. “Crimes do Futuro” já está nos cinemas, por exemplo, e “Decisão de Partir” estreia já no início de Dezembro. São títulos maravilhosos a não perder.

COBERTURA MHD DO LEFFEST ’22:

FILME DE ABERTURA
Crimes do Futuro, em análise

COMPETIÇÃO OFICIAL
Beyond the Wall, em análise
El Agua, em análise
Fairytale, em análise
Nostalgia, em análise
Leila’s Brothers, em análise
O Azul do Cafetã, em análise
Poeta, em análise
Regresso ao Pó, em análise

FORA DE COMPETIÇÃO
Armageddon Time, em análise
Broker – Intermediários, em análise
Close, em análise
Corsage – Espírito Inquieto, em análise
Decisão de Partir, em análise
EO, em análise
Leonora Addio, em análise
Living, em análise
Master Gardener, em análise
O Rei Perdido, em análise
R.M.N., em análise
The Whale, em análise
White Noise, em análise
World War III, em análise

HOMENAGEM – SÉRGIO TRÉFAUT
A Noiva, em análise

CICLO ROMPER AS GRADES

Fome, em análise

FILME DE ENCERRAMENTO
Toda a Beleza e a Carnificina, em análise

 

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Não deixes de ler a nossa cobertura de festivais, tanto dentro como fora do país. A nossa próxima paragem é o Porto/Post/Doc. Fica atento!

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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