LEFFEST ’18 | Grandes Vencedores e Considerações Finais

LEFFEST ’18 | Grandes Vencedores e Considerações Finais

The River” e “Ray & Liz foram dois dos filmes premiados nesta mais recente edição do Lisbon & Sintra Film Festival, que decorreu de dia 16 a 25 de novembro.

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Alfonso Cuarón durante as filmagens de ROMA.

Tudo começou com uma miniatura familiar de Hirokazu Kore-eda e terminou com um hino humanista de Alfonso Cuarón. Assim foi o Lisbon & Sintra Film Festival de 2018, que teve a honra de exibir, pela primeira vez a audiências portuguesas, os grandes vencedores da Palme d’Or e do Leão de Veneza. No caso de “Roma” de Cuarón, tratou-se mesmo do único visionamento em sala de cinema que o filme terá em Portugal antes de ser distribuído pela Netflix na sua plataforma online.

Antes de se chegar ao filme de encerramento das festividades muito se passou, incluindo algumas das melhores retrospetivas e ciclos temáticos na história do festival. A obra de Mike Leigh, por exemplo, foi um acrescento sublime à programação, tendo mesmo incluído uma versão restaurada do seu maior sucesso, “Segredos e Mentiras”.

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BORN IN FLAMES de Lizzie Borden

Em termos dos ciclos, foram exploradas as origens do ressurgimento fascista da conjetura política atual e refletiu-se sobre as utopias propostas pelo cinema. Entre as obras utópicas, destaca-se “Born in Flames”, um manifesto feminista da cineasta Lizzie Borden que ainda é incendiário e relevante décadas depois da sua estreia original em 1983.

Além de tais programações especiais, convém elogiar a seleção oficial do festival, tanto os títulos que competiram para os prémios do júri como aqueles fora de competição. “Touch me Not”, vencedor do Urso de Berlim, por exemplo, levantou importantes questões sobre intimidade, enquanto “Suspiria” provou ser das propostas mais loucas do festival com um cocktail de densidade conceptual que até supera a mais recente experiência cinematográfica de Claire Denis, “High Life”.

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Nem tudo pode ser bom, é claro, e “The House That Jack Built” trouxe uma repugnante injeção de provocação gratuita ao LEFFEST. Esse vómito anti-arte de Lars von Trier à parte, esta foi uma edição do festival que ganhou muito pelos seus títulos mais polémicos e inortodoxos. “La Flor”, por exemplo, propôs uma experiência antológica de 14 horas que levanta necessárias questões sobre o que é cinema, o que são longas-metragens e a membrana porosa entre meios de representação audiovisuais nesta era de plataformas online e hegemonia televisiva.

Um aspeto decididamente positivo do festival foi a seleção de vencedores de entre os onze títulos em competição. “The Rover”, do realizador cazaque Emir Baigazin é uma joia de rigor formalista que ganhou o prémio de Melhor Filme votado por Walter Salles, Chrysta Bell, Jonathan Littell, Jorge Queiroz, Martha Argerich e Stephen Kovacevich.

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Os grandes vencedores do festival, THE RIVER, SEDUÇÃO DA CARNE, IN THE REALM OF PERFECTION e RAY & LIZ.

Pela sua parte, o Grande Prémio do Júri João Bénard da Costa resultou num empate, sendo que dois filmes ganharam esta honra. Curiosamente, as obras em questão são provavelmente os trabalhos mais incomuns da seleção, sendo quase teses em forma de cinema. Eles são “Sedução da Carne”, onde o brasileiro Júlio Bressane retrata um triângulo amoroso entre uma viúva, um papagaio e um prato cheio de bifes, e o documentário “John McEnroe: In the Realm of Perfection”, em que Julien Faraut defende a ideia do tenista titular enquanto artista e autor cinematográfico.

Por fim, o Prémio Especial do Júri para Melhor Realizador foi atribuído ao fotógrafo virado cineasta Richard Billingham pelos seus esforços autobiográficos em “Ray & Liz”. Mesmo assim, há que se ter alguma pena dos triunfos que ficaram de fora desta lista de vencedores, incluindo o devaneio onírico “Long Day’s Journey Into Night”, o romantismo subvertido de “Asako I & II” e as ponderações históricas sobre o presente de “Vox Lux”.

Uma coisa é certa, esta foi uma das coberturas de festival mais intensivas que a Magazine HD já fez. Aqui deixamos a lista de links para todos os artigos publicados. Basta clicares para leres críticas e notícias sobre estas espetaculares festividades sobre a maravilha do cinema.

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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