"A Febre" | © IndieLisboa

IndieLisboa ’20 | Balanço Final

As festividades principais do 17º IndieLisboa terminaram no passado sábado dia 5 de setembro. Contudo, o festival continua na Cinemateca Portuguesa até dia 11. Com isso dita, está na altura da Magazine HD concluir a sua cobertura e considerar a importância desta celebração do cinema em tempo de pandemia.

Na noite da cerimónia de encerramento do IndieLisboa de 2020, foram anunciados os grandes vencedores do festival e, mais uma vez, se falou do esforço que foi montar este evento em tempos de pandemia. Adiada e reprogramada, envolvida num escândalo de assédio sexual à escala internacional e uma crise de saúde mundial, esta 17ª edição do IndieLisboa deverá ficar para a História como a sua mais atribulada de sempre. Contudo, na generalidade, o festival provou ser um sucesso e superou as adversidades. A insegurança que se sente na sala de cinema é difícil de dissipar por completo, mas a glória dos filmes em exibição fez os seus melhores para transportar os espetadores para outro mundo, um onde o COVID-19 ainda não se tinha precipitado sobre a Humanidade.

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Curiosamente, o título do grande vencedor do festival remete para a doença. “A Febre” de Maya Da-Rin conta a história de um homem de meia-idade, nativo do povo Desana, que sucumbe a uma misteriosa febre. Antes de conquistar o Prémio Cidade de Lisboa do Indie, a obra já havia sido condecorada pela crítica no Festival de Locarno do ano passado. Sobre a sua escolha, o júri, formado por Caroline Maleville, Cristina Nord e Mamadou Ba, disse o seguinte: “A mise en scène de Maya Da-Rin pode parecer discreta, mas na verdade, é extremamente bem trabalhada. O resultado é um filme rico e cheio de nuances e uma exploração altamente realizada da situação difícil que os indígenas enfrentam no Brasil contemporâneo.”

Victoria
“Victoria”| © IndieLisboa

O mesmo júri atribuiu o Prémio Canais TVCine a “Victoria” de Isabelle Tollenaere, Liesbeth De Ceulaer e Sofie Benoot. Enquanto Maya Da-Rin recebeu 15000 euros como prémio, o trio de realizadores belgas de “Victoria” verão os direitos de exibição do filme comprados pelos canais portugueses. Ainda dentro da competição internacional, o júri das curtas-metragens, Joana Pimenta, Jorge Jácome e Nuno Rodrigues, atribui seu prémio principal a “Tendre” de Isabel Pagliai. Dentro de subcategorias mais específicas, “This Means More” foi considerada a melhor curta-metragem de animação, “Douma Underground” foi o melhor documentário e “Shanzài Screens” ganhou o prémio para melhor curta de ficção.

a metamorfose dos passaros critica indielisboa
“A Metamorfose dos Pássaros” | © IndieLisboa

No panorama da competição nacional, o júri foi composto por Louise Rinaldi, Michael Wahrmann e Núria Cubas. O prémio principal para Melhor Longa-Metragem foi ganho por “O Fim do Mundo” de Basil da Cunha. Sobre a sua escolha, os jurados disseram: “Estes são tempos sombrios e obscuros em que vivemos. Sentimentos apocalípticos ao nosso redor. A luz não é fácil de encontrar. Um filme sobre amor e amizade que também levanta uma legenda, mas o dedo de acusação clara e direta a um sistema injusto. Por seu retrato íntimo e sincero, embora cruel, de uma sociedade efervescente que está prestes a explodir e queimar a todos nós.” No que se refere a outras honras, “A Metamorfose dos Pássaros” de Catarina Vasconcelos foi distinguido com Prémio para Melhor Realização assim como também ganhou o Prémio do Público.

“Meine Liebe” de Clara Jost conquistou o prémio para Melhor Curta-Metragem Nacional, enquanto a “Corte” de Bernardo Rapazote e Afonso Rapazote recebeu o galardão Novo Talento FCSH/NOVA. Muitos outros prémios foram dados, sendo que o IndieLisboa tem diversas secções competitivas. Aconselhamos os interessados a visitarem o site do festival para pesquisarem a extensa lista de palmarés, mas gostaríamos de fazer referência a um raro empate. Na competição IndieMusic, “White Riot” de Rubika Shah e “Keyboard Fantasies” de Posy Dixon foram consagrados campeões. Foi uma decisão unânime do júri e um perfeito resumo das intenções políticas deste IndieLisboa onde a luta contra o racismo, a descolonização da História e a procura pela harmonia social estiveram em destaque.

white riot critica indieLisboa
“White Riot” | © IndieLisboa

Este foi um IndieLisboa fora do vulgar, mas não por isso menos meritoso. Louvamos a seleção dos filmes em competição, desde as curtas às longas-metragens, e também temos de elogiar muito as programações viradas mais para o passado. A retrospetiva do cineasta Ousmane Sembène foi de particular maravilha, tendo concedido ribalta a um mestre do cinema que todos deviam conhecer. Com tudo isso dito, aqui fica uma listagem das nossas críticas transversais às muitas secções do IndieLisboa…

LISTA DE CRÍTICAS MHD DO INDIELISBOA ’20:


Acompanha as nossas várias coberturas de festivais. Já a seguir ao IndieLisboa, temos o MOTELx e, como sempre, a Magazine HD está no centro do acontecimento para te trazer todas as novidades cinematográficas.

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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