"Deadstream" | © MOTELX

MOTELX ’22 | Balanço Final

“Deadstream” e “Speak No Evil” foram alguns dos maiores vencedores nesta 16ª edição do MOTELX, o maior festival de cinema de terror em Portugal. Este foi mais um ano cheio de sustos espetaculares e novas propostas do que realmente significa um filme ser ou não ser ‘de terror.’

Tudo começou com um novo exemplo do terror americano e terminou da mesma forma. “Bodies, Bodies, Bodies” abriu as festividades com muito estilo e confrontos geracionais, enquanto “Resurrection” serviu de encerramento oficial, voltando a confirmar que Rebecca Hall é uma das rainhas modernas do género. Por entre estes dois eventos, desenrolou-se uma programação diversa onde a plasticidade do terror cinematográfica foi testada, tanto enquanto gramática audiovisual como categorização concetual. Será que o filme-catástrofe aqui se enquadra? E quais são as separações entre o drama criminal e o pesadelo sobre assassinos virados monstros?

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“Resurrection” | © MOTELX

É um testamento à qualidade da programação que todas estas questões se levantam, sem haver respostas definitivas a não ser uma ampla abertura à descoberta, à experimentação e à criatividade do artista. Também se afigura uma provocação da audiência, mas assim sempre é o terror e seus esboços de ansiedades escondidas. O grande vencedor do Prémio Méliès d’Argent para Melhor Longa-Metragem Europeia certamente leva essas ideias ao extremo. “Speak No Evil” é uma façanha hedionda, mas não tão chocante como tem sido promovida, em que o poder do simples não é impossível de sobrevalorizar.

No paradigma das curtas-metragens, “Vórtice” conquistou o Prémio SCML MOTELX para Melhor Curta de Terror Portuguesa. O filme de Guilherme Branquinho assim leva o maior prémio monetário para curtas-metragens no panorama festivaleiro em Portugal. Os mesmos jurados que fizeram essa decisão ainda atribuíram mais um prémio. “Reverso” de André Szankowski mereceu uma Menção Especial pelo seu simples pesadelo em três planos cheios de insinuações violentas. Fora da competição portuguesa, “Censor of Dreams” de Léo Berne e Raphaël Rodriguez ganhou o Prémio Méliès d’Argent para Melhor Curta-Metragem Europeia.

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“Reverso” | © MOTELX

Todos esses galardões e variadas honras foram escolhidas por júris oficiais, mas, no MOTELX, também há troféu para aqueles cineastas que deleitam o maior de todos os comités – a audiência. O Prémio do Público desta 16ª edição foi atribuído a “Deadtstream” de Joseph Winter e Vanessa Winter. Este filme Americano explora as vicissitudes do terror no mundo das redes sociais e da celebridade digital. Com rasgos de humor, esta foi uma das muitas comédias de terror em exibição no programa – mais uma prova da flexibilidade do género. Afinal, há carnificina que tem piada nas circunstâncias certas.

Entre a paródia e o comentário social, o MOTELX deste ano foi mais uma edição gloriosa, cheia de sessões esgotadas e um ambiente vivaço que em nada se compara aos últimos anos, quando o pior da pandemia tanto afetou os festivais de cinema. Para explorares a cobertura que a Magazine.HD fez do MOTELX, fica aqui uma lista dos muitos artigos. Este ano, sendo parceiros com o festival, tentámos oferecer uma das nossas coberturas mais intensas para os leitores adeptos do terror.

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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