"O Farol", apresentado no LEFFEST 2019 | © LEFFEST

LEFFEST ’19 | Grandes vencedores e balanço final

A 13ª edição do Lisbon & Sintra Film Festival acabou como começou, com algum do melhor cinema do mundo, filas intermináveis e uma noite chuvosa.

O último dia do LEFFEST deste ano foi dedicado, em parte, ao visionamento dos filmes premiados pelo júri do festival. A pianista Maria João Pires, o ator e realizador Wagner Moura, a cantora e compositora Yasmine Hamdan e a atriz portuguesa Victoria Guerra selecionaram “Balloon” como o grande vencedor desta edição. O filme do tibetano Pema Tseden é uma fantástica mistura de tons e contrastes, com uma fotografia saturada de cor e um elenco capaz de dar vida a um argumento original com ares de literatura prestigiosa.

O Grande Prémio João Bénard da Costa foi para “Tommaso” de Abel Ferrara. Esse gesto de autoficção indulgente foi alvo de críticas referentes ao seu alegado sexismo e o ator principal teve mesmo de confrontar tais questões durante o Q&A que se seguiu à projeção. Apesar dessa situação, Dafoe foi um dos melhores convidados desta edição, sendo que “O Farol”, em que contracena com Robert Pattinson, foi um dos bombásticos filmes que marcou o encerramento das festividades.

leffest Pema Tseden
“Balloon” | © LEFFEST

Além desses prémios, que são regularmente entregues pelos júris do LEFFEST, houve também a atribuição de um mérito especial entregue a cineastas emergentes que mostraram extraordinária contribuição artística. Grear Patterson, o realizador de “Giants Being Lonely”, e as atrizes de “Violeta”, Viktoria Miroshnichenko e Vasilisa Perelygina, foram quem conquistou tal galardão. Apesar do nosso amor por outras das obras em competição, não nos podemos dizer insatisfeitos com estas escolhas.

O que causou algum desgosto e insatisfação foi a organização do festival. A perda dos cinemas do Monumental fez-se sentir fortemente, com o Espaço Nimas a tornar-se no centro do festival. Filas enormes, chuva agreste e pouco espaço para esperar pelo início das sessões causaram um desconforto transversal a todos os dias do festival. Em Sintra, por seu lado, foi vítima de plateias com ar vazio devido à grandiosidade do espaço e a relativa falta de público em relação às salas lisboetas do festival.

Enfim, o que fica aquém em termos de infraestrutura é mais do que compensado com a glória da seleção de filmes e ilustres convidados. Nesse sentido, o LEFFEST continua a distinguir-se no panorama dos festivais portugueses, trazendo a Portugal o cinema de autor consagrado na Berlinale, em Cannes e em Veneza. Até nas programações mais paralelas e nas retrospetivas, o LEFFEST tem mostrado a sua excelência. Para comprovar isso, basta olharmos para o ciclo Looking for Homeland, onde se destacou a antestreia nacional do documentário “Black Mother”, uma obra de extraordinário experimentalismo.

“Black Mother” | © LEFFEST

Com estas observações, damos por terminada a nossa cobertura do LEFFEST ’19. Aqui ficam links para todas as críticas que viemos a publicar ao longo do festival. Além disso, também incluímos links para alguns textos relacionados com os filmes da programação sobre os quais já havíamos escrito aquando de outras coberturas.

Lê Também:
LEFFEST 2019 | Principais destaques da programação

Cobertura MHD do LEFFEST ’19:

SELEÇÃO OFICIAL – EM COMPETIÇÃO

SELEÇÃO OFICIAL – FORA DE COMPETIÇÃO

SIMPÓSIO INTERNACIONAL: RESISTÊNCIAS

HOMENAGENS & RETROSPECTIVAS: CHRISTIAN PETZOLD

HOMENAGENS & RETROSPECTIVAS: WILLEM DAFOE

HOMENAGENS & RETROSPECTIVAS: CORNELIU PORUMBOIU

HOMENAGENS & RETROSPECTIVAS: ALICE ROHRWACHER

HOMENAGENS & RETROSPECTIVAS: RITA AZEVEDO GOMES

  • A Portuguesa, em análise (publicado aquando da sua estreia comercial)

HOMENAGENS & RETROSPECTIVAS: DAMIEN MANIVEL

CICLO LOOKING FOR HOMELAND

SESSÕES ESPECIAIS

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LEFFEST | Os vencedores ao longo dos anos

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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