"Nomadland - Sobreviver na América" | © Searchlight Pictures

Óscares 2021 | Post-Mortem da Cerimónia e da Temporada

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Chegámos ao fim da temporada de prémios com o nosso comentário post-mortem sobre os vencedores e derrotados dos Óscares 2021. 

Foram finalmente entregues os Óscares 2021 que encerram a temporada de prémios 2020/2021 da maneira mais surreal e estranha possível. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas soube celebrar a diversidade, os melhores filmes do ano, e conseguiu oferecer uma cerimónia com muitas das caras de Hollywood sem máscaras e sem que se tenham perdido nas configurações tão aborrecidas das sessões Zoom. Os Óscares da Academia mostraram a razão de serem ‘os prémios’ mais importantes da indústria e levantaram várias questões que precisam de ser mencionadas e debatidas. Por essa razão, e para fazermos jus à tradição partilhamos contigo este post-mortem original.

Depois de “Parasitas” ter arrecadado inesperadamente 4 Óscares em 2020 – Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original e Melhor Filme Internacional -, a pressão sobre os vencedores dos Óscares 2021 era gigantesca. A Academia de Hollywood precisava de manter o seu sentido de inclusão, ao mesmo tempo afastando-se daquilo que assistimos ao longo da temporada. Os Óscares, fortemente afetados pelas mudanças na indústria, precisavam de deixar morrer o passado, a tradição mais arcaica e abrir portas às novas potencialidades da sétima arte. O inesperado aconteceu a 25 de abril e muitos gritos de espanto e euforia foram ouvidos. Durante mais de 4 horas de emissão dos Óscares, houve uma contínua procura pela autenticidade dos prémios da Academia, evidenciando como as estatuetas douradas são ainda relevantes.

Gotham Awards
Frances McDormand em “Nomadland” © Fox Searchlight Pictures

Apesar da previsibilidade das vitórias de “Nomadland – Sobreviver na América” nos Óscares 2021 foram celebrados atores, atrizes e técnicos que não estávamos nada à espera. Anthony Hopkins superou merecidamente o favoritismo de Chadwick Boseman no Óscar de Melhor Ator por “O Pai” (na maior reviravolta do ano) e Frances McDormand arrecadou com alguma surpresa o Óscar de Melhor Atriz por “Nomadland”, um filme que é todo carregada por ela. A derrota mais descabida foi a de Diane Warren que perdeu na categoria de Melhor Canção Original, juntando-se a Glenn Close na lista de artistas vivos com mais nomeações aos Óscares sem qualquer vitória. Enquanto não ouvimos a música de Warren em palco, Glenn Close também nomeada, abanou o rabo e lá apresentou-nos o momento mais divertido da noite.

Acompanhámos a 93ª edição dos prémios da Academia com o coração nas mãos, sem que nunca tivéssemos visto clipes ou sequências dos filmes nomeados. Ao contrário de outros anos, a cerimónia procurou humanizar os artistas, repescando um pouco das suas biografias e referindo os seus primeiros trabalhos em cafés, restaurantes ou call-centers, e eliminou os filmes. Não tivemos vedetas nem exploração exagerada do conceito de star-system, tivemos o mero reconhecimento de pessoas que lutaram e continuam a lutar pelos seus sonhos e ambições, algumas das quais até subiram ao palco sem maquilhagem. De qualquer maneira, foi curioso a Academia ter decidido ir além dos filmes, mas houve certamente muitos espectadores que mudaram de canal ou simplesmente foram dormir. O público norte-americano precisa de mais cinema, por isso a cerimónia terminou em tom amargo onde fazia falta mais uma colher de açúcar.

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Em tempos de COVID-19 e vacinação, a transmissão ao vivo dos Óscares precisava de ser diferente dos Globos de Ouro, dos SAG e dos BAFTA e exigia algo mais para manter as audiências espalhadas por todo o mundo colocadas à televisão. Foram convidados vários artistas para o Dolby Theatre, para a Estação Ferroviária de Los Angeles, para o British Film Institute em Londres, e para outros locais do mundo. Os produtores da cerimónia Jesse CollinsStacey Sher, o one and only Steven Soderbergh e o realizador Glenn P. Weiss, tentaram fazer o melhor e conseguiram juntar os rostos mais amados do cinema para provar que é possível a realização de espectáculos televisivos de maneira original e igualmente emocionante em tempos de pandemia, não tivessem sido eles os responsáveis pelo filme-fenómeno “Contágio”, estreado há 11 anos atrás e espécie de presságio à realidade dos dias de hoje.

Foi também uma extraordinária noite de Óscares para as plataformas de streaming. Este ano, mais do que nunca, os espectadores tiveram a possibilidade de ver os filmes nomeados em plataformas de streaming e video-on-demand e, portanto, a maioria das obras eram conhecidas pelo grande público (sabe como ver todos os filmes dos Óscares 2021 aqui). Aliás, os filmes nomeados poderiam ter estreado única e exclusivamente através streaming e isso não era uma questão, nem um problema.

os 7 de chicago netflix
“Os 7 de Chicago” | ©Niko Tavernise/NETFLIX

O resultado? A Netflix saiu a ganhar e levou o Óscar em 7 categorias, não por “Os 7 de Chicago“, que saiu com as mãos vazias nas 6 categorias para as quais estava nomeado. Foi invulgar ver um filme vencedor do SAG de Melhor Elenco sem uma vitória nos prémios da Academia. Nos últimos anos, “Parasitas” (2020), “Black Panther” (2018) ou “O Caso Spotlight” tiveram um boost para os Óscares com a vitória do SAG de Melhor Elenco. Foi porventura um espelho daquilo que havia acontecido no ano passado com “O Irlandês” de Martin Scorsese, e não houve chances nem tempo, para homenagear a obra de Aaron Sorkin. Enfim, muito aconteceu e muito poderás descobrir nos próximos parágrafos, com vídeos e comentários exclusivos.

Ainda não conheces todos os vencedores da 93ª edição dos Óscares da Academia? Consulta a lista completa de vencedores e prepara-te para o post-mortem mais honesto. Como habitual, as conclusões finais à cerimónia dos Óscares e à temporada de prémios pela MHD são da autoria do nosso Coordenador de Cinema & Streaming Virgílio Jesus. Uma vez que havia de fazer esta análise garantimos-te que foram vistos todos os filmes nomeados e vencedores aos Óscares 2021, assim como acompanhada a cerimónia em direto.

A transmissão dos Óscares 2021 em Portugal foi assegurada pela RTP1, numa emissão especial feita desde o Cinema São Jorge e apresentada pelo crítico de cinema Mário Augusto e pela apresentadora Catarina Furtado.

Depois desta introdução segue as setas para conheceres os grandes destaques, os vencedores e derrotados da 93ª edição dos Óscares da Academia, assim como os melhores discursos.

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Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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